O Ministério Público de São Paulo apresentou nesta quinta-feira (28) os resultados da Operação Carbono Oculto, que investiga uma rede criminosa ligada ao mercado de combustíveis. Foram cumpridos 248 mandados de busca e apreensão em vários estados, incluindo São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Segundo os promotores, o grupo atuava em toda a cadeia do setor, desde usinas e distribuidoras até postos de combustíveis. Um dos principais mecanismos identificados foi a adulteração da gasolina com metanol, um solvente químico altamente tóxico que, por lei, só pode estar presente em até 0,5% do combustível. Em fiscalizações, porém, foram encontrados postos com até 90% de metanol, colocando em risco a saúde da população, veículos e o meio ambiente. (CONFIRA A ÍNTEGRA DA COLETIVA NO FINAL DA MATÉRIA)
Além da fraude na composição do combustível, o esquema também se apoiava em estruturas de ocultação patrimonial. Os criminosos utilizavam empresas de fachada e uma rede de “shell companies” para esconder seus verdadeiros negócios. Esse modelo impedia que o Estado conseguisse confiscar os lucros ilícitos.
Nos últimos anos, o grupo passou a usar ainda mecanismos mais sofisticados de lavagem de dinheiro, aproveitando brechas legais para movimentar recursos em fintechs e em fundos de investimento fraudulentos. A Receita Federal estima que o esquema movimentou mais de R$ 20 bilhões, com uso inclusive de fundos imobiliários e multimercados para blindar o patrimônio obtido com as fraudes.
O procurador destacou que a operação busca não apenas responsabilizar criminalmente os envolvidos, mas também desarticular o grupo pela via patrimonial, bloqueando empresas e bens usados para movimentar o dinheiro do crime organizado.
Mensagem aos investidores
Ao final da coletiva, os representantes do MP e da Receita Federal fizeram questão de tranquilizar o mercado. Foi destacado que as investigações atingiram o esquema em sua fase inicial, antes que houvesse maior infiltração no sistema financeiro. “O investidor em geral não precisa se preocupar porque nós pecamos pela cautela em relação a isso”, afirmaram, ressaltando que os fundos regulares não foram afetados e que haverá diálogo com Banco Central e CVM para fortalecer os mecanismos de proteção e transparência.