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Laurentino Gomes: "Deveríamos comemorar a Proclamação no dia 16"

Autor do livro "1889", específico sobre o início da República, foi entrevistado com exclusividade pela Som Maior FM
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 14/11/2018 - 11:35Atualizado em 14/11/2018 - 17:26

A Proclamação da República aconteceu há 129 anos no Brasil. A história aponta o fato no dia 15 de novembro de 1889, mas será que a data está correta? Em entrevista ao Programa Adelor Lessa, o escritor e pesquisador Laurentino Gomes falou sobre o assunto, destacando como estava o país neste período histórico e elencando os fatores que levaram ao golpe de Estado.

“Esse foi um momento de grande crise na história do Brasil. O século XIX foi de grande transformação na ciência, na tecnologia, nos transportes, na saúde, na medicina e principalmente nas ideias. Era o século herdeiro do iluminismo. Havia a ideia de que todo o poder deveria emanar do povo e não ao contrário, já que o Brasil era monarquia”, afirmou.

Laurentino destacou que o Brasil era um país rural e que não havia se preocupado com os escravos libertos um ano antes. Exportava principalmente itens agrícolas, como café e açúcar. Também era o único país das Américas a seguir o regime monarca, algo que segundo o escritor, já estava ultrapassado, além disso, os barões do café e os senhores de engenho se sentiram traídos com a Lei Áurea de 1888.

“Havia uma crise no meio militar e divergências na chamada questão militar, divergências entre os militares e as autoridades imperiais, nesse clima houve um golpe de estado. Na manhã do dia 15 de novembro de 1889 as tropa do exército foram para a rua e derrubaram o gabinete do Visconde de Ouro Preto, primeiro ministro do imperador”, afirmou.

Marechal Deodoro da Fonseca

Dia 15 ou dia 16 de novembro?

“O Marechal Deodoro da Fonseca não estava muito seguro em mudar o regime, ele tinha algumas convicções monarquistas. Mas, pressionado pelas lideranças militares e civis, na madrugada do dia 16 de novembro, aí sim ele anunciou que o Brasil se tornava uma república, embora que provisória. Então eu digo que o verdadeiro feriado deveria ser no dia 16”, garantiu o autor.

O que aconteceu com Dom Pedro II?

“O imperador foi mandado para o exilio, ele já estava bastante cansado, idoso, doente, ele sofria de diabetes e estava muito frágil. Havia algumas lideranças, como o marido da princesa Isabel, que queriam que ele resistisse e subisse para Petrópolis, organizando uma resistência com os militares republicanos. Ele preferiu ir embora, embarcou no dia 17 e foi embora para o exílio, morreu em Paris em 1891”, contou.

O imperador Dom Pedro II

Nostalgia monárquica

O escritor pensa que a monarquia é uma coisa do passado, sendo lembrada em momentos de crise. “Tem uma família real, imperial, que é herdeira de Dom Pedro II, eu diria até que existe uma certa nostalgia monárquica no Brasil, mas, acho que muito em função das dificuldades da república. A república prometeu muito e cumpriu pouco, não conseguiu alfabetizar as pessoas no momento adequado, fazer reforma agraria, distribuir riquezas, os escravos foram libertadores abandonados à própria sorte”. 

Como ficou o Governo?

A monarquia caiu em 1889, mas, a Constituição foi proposta apenas em 1891. “Foi governado por um regime, como se fossem decretos do governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca. A Constituição mais duradoura do Brasil foi outorgada pelo Dom Pedro I em 1824, ela durou até 1891, previa o poder moderador, onde o imperador poderia intervir nas instituições em momentos de crise”, destacou Laurentino.

Confira a entrevista: