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José Carlos Budny revela o segredo das orquídeas

Agricultor trocou as plantações de fumo pelos orquidários e hoje colhe os frutos
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 14/04/2019 - 15:06
(fotos: Arthur Lessa)
(fotos: Arthur Lessa)

Ele plantava fumo e decidiu apostar em um novo segmento, os orquidários. José Carlos Budny, natural de Içara, foi o entrevistado do Nomes & Marcas deste fim de semana, onde revelou o maior valor que já vendeu uma planta, explicou como funciona a produção que pode levar até oito anos e as inspirações trazidas pelas plantas.

Desde jovem trabalhava com os irmãos na plantação de fumo, item que prejudicava a saúde devido aos produtos químicos utilizados para aumentar o rendimento. Segundo ele, hoje em dia isso diminuiu, mas continua fazendo mal. Sobrava pouco dinheiro e enquanto namorava, um dia estava na casa da sogra, percebendo a presença das orquídeas.

“A mãe dela tinha uns pés de orquídea e eu achei bonito. Escutei no rádio que teria uma exposição de orquídeas no Mampituba e decidi ir ver, conheci uns colecionadores e percebi que poderia ser um caminho. Hoje tenho um orquidário que deve ter entre 30 e 50 mil plantas. A gente faz exposição em todo o estado”, contou.

Ele vende mudas com dois ou três anos. Contou que existem mais de 50 mil tipos de orquídeas, sendo que cada uma delas conta com um valor de mercado, devido a diversos fatores, como beleza e raridade. As plantas que Budny cultiva levam até oito anos para florescerem. Em média são vendidas entre R$ 40 e R$ 50, em feiras ou no próprio orquidário.

“Eu já tinha um caminho, quem tá na agricultura entende de manejo. Eu lia livros e aprendi muito na prática. No orquidário cada um precisa descobrir a maneira ideal para aquele local. A planta pode ser bem cultivada em um local e em outro não, aqui em Criciúma, um amigo meu não conseguia cultivar as plantas, mas na praia ele teve um ganho enorme, as plantas gostam da maresia”, explicou o empresário.

Qual foi a planta mais cara?

“Eu vendi uma orquídea, mas isso foi um acontecido, por R$ 10 mil. Foi uma Laelia purpurata, campeã da Festa das Flores de Joinville. Uma senhora de São Paulo apaixonada por orquídeas me ofereceu e eu não recusei”, lembrou. “Ela tinha uns 10 anos, a perfeição da flor que fez chegar a esse valor. Na verdade ela nem valia isso”, completou. Embora tenha vendido, ficou com a matriz da planta, entregando somente uma parte.

Como é a produção de orquídeas?

Seu orquidário conta com mais de 20 plantas, então todos os dias tem orquídeas florescendo. Primeiro elas ficam por até dois anos nos laboratórios, onde passam por melhoramento genético gerado através do cruzamento de plantas consideradas boas. “É como criar um filho, precisa ter paciência”. Depois são levadas para as estufas.

Budny indica que não devem ser plantadas em madeiras podres, e sim na terra ou pedra. Recebem água duas vezes a cada semana e precisam de muita luminosidade para que possam crescer. Para ele, é preciso que a pessoa goste de plantas, então conseguirá se dar bem no setor.

“O principal é o substrato, que é a terra onde irá plantar, existem várias cascas de pino, musgos. Hoje eu tô plantando na turva e com brita. Na natureza a orquídea está no tronco das árvores e se você andar por aí vai ver ela em cima das pedras”, explicou o agricultor.

Melhoramento da espécie

Sempre é buscado melhorar as plantas, para que as flores fiquem mais bonitas e com mais qualidade. “Para melhorar geneticamente uma planta, é bom fazer o cruzamento entre duas plantas boas para gerar uma melhor. A gente cruza entre a espécie, porém, sempre melhorando”, destacou.