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Especialista alerta para necessidade do uso de EPIs

Cooperativas de eletrificação da região são exemplos quando o assunto é segurança no trabalho
Por Bruna Borges Criciúma, SC, 10/04/2019 - 09:12
Cooperativas de eletrificação da região são exemplos / Foto: Daniel Búrigo / A Tribuna / Arquivo
Cooperativas de eletrificação da região são exemplos / Foto: Daniel Búrigo / A Tribuna / Arquivo

A morte trágica de um servidor público de Araranguá na semana passada fez acender o alerta para os perigos que os trabalhadores correm ao atuar nas redes elétricas da região. Enquanto tentava trocar uma lâmpada de um poste no Bairro Jardim das Avenidas, Joaquim da Silva Jesuíno foi eletrocutado, ficou pendurado pelo cinto e morreu no local. 

De acordo com Gustavo Leepkaln Dassi, proprietário de uma empresa que presta consultoria em segurança do trabalho em redes elétricas, muitos desses acidentes seriam evitados se todos os trabalhadores passassem pelo treinamento correto e utilizasse os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) indicados.

“Quem está nessa área sempre se preocupa. Algumas pessoas pensam que alguns cabos dão choque e outros não, mas o que nós orientamos é que o profissional que faz o serviço sempre considere toda a rede energizada”, comenta Dassi. 

O treinamento é uma indicação, inclusive, das normas que regem a atividade. “O profissional precisa passar por algum tipo de qualificação, seja um curso técnico ou mesmo uma faculdade, as empresas têm que oferecer o treinamento necessário antes de o trabalhador começar a subir nos postes”, coloca. 

Ao analisar o vídeo da reconstituição feito pelo Instituto Geral de Perícias (IGP), Dassi visualizou que a pessoa não está utilizando alguns EPIs. “Só a perícia vai dizer o que aconteceu, eu não tenho como alegar 100%, mas é muito improvável que aquele trabalhador tivesse levado o choque se estivesse com todos os equipamentos”, relata. 

Situação é comum

Segundo o especialista, não é difícil encontrar pelas ruas profissionais que não estejam devidamente preparados para lidar com a atividade. “São profissionais de prefeituras, de empresas de telecomunicações, trabalhadores que fazem podas de árvores, manutenção de semáforos. Muita gente em poste sem a utilização de EPI”, afirma. 

Em Criciúma, cidade onde tem a empresa, Dassi procurou o prefeito Clésio Salvaro para alertar sobre a situação. “Eu questionei o prefeito e ele me respondeu que os EPIs foram comprados pela Prefeitura e que ele cobrará a fiscalização da utilização desses EPIs”, conta. 

Bons exemplos

Também há na região, de acordo com o empresário que atua no setor há 15 anos, empresas e instituições que seguem os padrões de segurança. “As cooperativas de eletrificação da nossa região são um exemplo. A Coopera, a Cegero, a Cermoful, todas elas atendem às normas de segurança, são exemplos para todo o Brasil nesse sentido. A própria Celesc também tem feito um trabalho junto às demais empresas que trabalham com ela para focar nessas questões”, relata. 

Para trabalhar com a atividade, o profissional deve utilizar equipamentos como vestimenta anti-chamas, manga isolante, luva isolante, detector de tensão, entre outros EPIs. Também é obrigatório que os serviços sejam realizados em duplas. “Um par de luvas custa R$ 100 e pode evitar muitas mortes”, comenta. 

“Eu sei que 99,9% dos acidentes podem ser evitados com os EPIs adequados. Se não se tomar consciência, não tiver treinamento e fiscalização dos órgãos responsáveis, muita gente ainda vai morrer”, alerta Dassi.