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De portas fechadas: as dificuldades dos restaurantes em meio aos decretos

Estabelecimentos gastronômicos estão tendo que se adequar ao delivery e outras maneiras para manter o funcionamento
Paulo Monteiro
Por Paulo Monteiro Criciúma - SC , 26/03/2020 - 12:09Atualizado em 26/03/2020 - 12:10
Foto: reprodução
Foto: reprodução

Com as portas fechadas devido aos decretos municipais e estaduais de suspensão de atividades, lanchonetes e restaurantes estão tendo que se virar para manter os seus estabelecimentos funcionando. Diferentes de grandes redes de empresas, que também serão afetadas economicamente com a necessidade de fechamento, muitos comércios gastronômicos não possuem o subsídio necessário para se manterem em tempos de uma crise como o coronavírus.

Especializada nos mais diferentes tipos de carnes, a JP Boutique de Carnes está tendo que se adequar a uma das únicas soluções possíveis nesse momento: o delivery. “O delivery nunca foi o nosso foco, mas agora tivemos que nos adaptar. Nos últimos dias tivemos que inventar alguma solução, e além dos cortes colocamos três novos tipos de lanche que não faziam parte do nosso cardápio, para atrair mais gente”, destacou o proprietário do estabelecimento, Joster Favero.

A inclusão de novos cortes no cardápio, além do lanche, a utilização de aplicativos para venda e a intensificação na comunicação por meio das mídias sociais foram algumas das ações tomadas pela empresa. Mesmo assim, as novas adaptações não foram o suficiente para a JP evitar a queda no rendimento - o que acaba prejudicando os funcionários.

“Em oito dias tivemos uma grande queda de faturamento, está praticamente 70% abaixo do que vínhamos acostumados. Quer dizer que na última semana estamos trabalhando com 30%, e arcando com as despesas que já estavam consolidadas naquele alicerce de 100%”, comentou. 

Com cinco funcionários, somente três da JP estão trabalhando e intercalando os turnos. Para Joster, que concorda com a necessidade do isolamento social, o que está faltando é uma clareza nas decisões dos governos que venham efetivamente a dar subsídio, para que essas empresas continuem funcionando. “Não temos nenhuma medida ainda clara do governo municipal, estadual e federal de como vai se dar o socorro para a economia, com a gente não tem clareza nenhuma de isenção de impostos, linhas de crédito e parcelamento de tributos ou subsídio da folha”, comentou.

Para quem sempre trabalhou exclusivamente com Delivery, os impactos do decreto não foram tão significativos - e a comunicação com o público é uma peça chave para isso. “Como o nosso forte era delivery, continuamos normalmente. Claro que sem o pessoal vindo buscar no balcão. O movimento deu uma diminuída, mas nada muito impactante. Eu, que trabalho atendendo, notei bastante gente nova pedindo, mais do que o normal”, afirmou uma das funcionárias da Dugas Delivery, Gabriela Benincá.

Gabriela ressalta ainda a importância que está sendo os meios de comunicação e a união entre os estabelecimentos em um momento como esse, em que todos estão tendo de trabalhar com as portas fechadas. “To achando muito legal umas correntes nas redes sociais, que uma empresa marca a outra, apoiando os serviços locais”, disse.

Higiene

Mesmo que sem atendimentos presenciais, a higienização também está sendo fundamental para o funcionamento desses estabelecimentos. “Utilizamos, luvas, máscaras, a máquina sai higienizada e encapada com um plástico, que só é tirado lá e higienizado na volta. As embalagens lacradas e o estabelecimento sendo limpo de três a quatro vezes por dia”, comentou Joster.

“Os motoboys lavam as mãos com água e sabão antes e depois de sair para entrega e passam álcool em gel 70% depois de todas as entregas. Fora isso seguimos as orientações da OMS”, comentou Gabriela.
 

Tags: coronavírus