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Da Itália para as minas de Criciúma

No Nomes & Marcas, Jorge Miraglia recordou a fundação da Satc e falou sobre o carvão
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 20/10/2019 - 16:22

Ele veio da Itália ainda jovem e desenvolveu sua vida sempre ligado ao carvão mineral. O Nomes & Marcas deste fim de semana foi com Jorge Miraglia, que contou suas histórias, falou sobre a qualidade do carvão da região e até a máfia italiana entrou em pauta. 

“Meu pai era um diretor de minas de carvão que eram estatais, ele era diretor de mina e durante a guerra foi diretor das minas que a Itália conquistou na Albânia. Depois os ingleses vieram com os gregos buscando a retomada e então ele voltou para a Itália, onde ficou até 1945, quando eu nasci”, começou Miraglia.

Seu pai conhecia um empresário de São Paulo, então, também movidos pela política, vieram ao Brasil no fim da década de 1940. “Meu pai tinha horror ao comunismo, e a Itália estava virando comunista. Ele ouvia Aquarela do Brasil e dizia que esse país não poderia ser ruim”, completou.

E já no Brasil, continuaram com o mesmo segmento que atuavam na Europa. A vinda para Santa Catarina, mais especificamente na região Sul, foi cheia de novidades, com a aplicação de técnicas que já eram desenvolvidas na Itália e possibilitaram um novo estilo de mineração.

“Ele fez o Poço 11, antes as minas aqui eram de encostas só, eles faziam galerias retas, ele fez o primeiro plano conjugado, para buscar o carvão no subsolo. Ele tentou mecanizar as minas, construía as máquinas tudo, era o rei do ferro velho”, lembrou Miraglia.

E seu tio fugiu da máfia

“Um tio teve uma relação amorosa com uma mulher da máfia, e ele foi jurado de morte, então veio para o Brasil com a gente, era um advogado famoso lá. Ele veio embora para salvar a pele. Conta a história que ele recebeu um peixe embrulhado num jornal, que é o sinal de que ia morrer”, recordou.

A criação da Sidesa

Miraglia trabalhava com o pai na Carbonífera Próspera, que veio a ser privatizada. Com o dinheiro pago pelo governo pelas ações que possuíam, foi aberta a Sidesa Siderúrgica Criciumense.

“Foi uma fundição de aço, era uma siderúrgica. Eles pegaram o dinheiro da desapropriação da mina de carvão e fizeram a Sidesa, compraram o terreno do pai do Victor Casagrande, que tinha 7 hectares ali”, contou.

A fundação da Satc

Quando foi perguntado sobre um momento marcante em Criciúma, citou a fundação da Satc. “Marcante para mim foi o Toledo, o meu pai e o Jorge Frydberg fundarem a Satc. Eles tinham dificuldade de mão de obra na época, então resolveram fazer uma escola e pegar um percentual, é 0,5% do carvão”, contou.

E como é a qualidade do carvão da região?

Segundo ele, o carvão mineral extraído na região é de baixa qualidade. Diz que tem muita aglutinação, mas o nível de enxofre é bastante elevado, e quando é queimado boa parte vira cinza. Assim, quando é utilizado, somente 70% do carvão é recuperado, enquanto 30% acaba sendo desperdiçado.

“Eu acho que com esse movimento ambiental o carvão tende a se extinguir como gerador de energia. O combate ambiental está terrível, mesmo aqui em Criciúma. Outro dia pararam a Metropolitana por uma questão ambiental, fecharam umas minas lá em Orleans. Está cada vez mais difícil minerar”, frisou.