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Compras internacionais dobram para quase 30 milhões por mês após fim da taxa das blusinhas

Varejo de moda já apresenta indicadores negativos, conforme diretor das Lojas Renner

Por José Demathé Criciúma, SC, 20/10/2026 - 13:19 Atualizado há 1 minuto
Importações passou de 13 milhões para 30 milhões em poucos meses | Foto: Canva/4oito
Importações passou de 13 milhões para 30 milhões em poucos meses | Foto: Canva/4oito

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Após o fim da famosa "taxa das blusinhas", o número de pacotes de compras internacionais de até 50 dólares, realizadas em plataformas de e-commerce estrangeiras, dobrou no Brasil nos últimos meses.

Segundo o diretor de Controladoria das Lojas Renner S.A., Luciano Teixeira Agliardi, a média de pacotes de compras internacionais que entram no Brasil por mês, com origem das plataformas de e-commerce estrangeiras, passou de 13 milhões para quase 30 milhões de pacotes desde a isenção ocorrida em maio de 2026.

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Ele afirma que o varejo de moda já tem indicadores negativos na Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE. A avaliação foi dada ao programa Adelor Lessa, da Rádio Som Maior, transmitido de Porto Alegre, na sede da Tax Group.

“Ninguém no mercado hoje dobra de faturamento de um mês para o outro, então é um sinal de que isso alterou de uma maneira muito negativa o mercado”, disse.

Taxa das blusinhas vale para qualquer compra internacional de até 50 dólares | Foto: Canva/4oito

Fim da taxação impacta outros setores

Apesar do nome, a taxa das blusinhas vale para qualquer compra internacional de até 50 dólares, o que inclui roupas, eletrônicos e outros produtos.

Para Agliardi, há muita desinformação sobre o assunto. “Não é só aquela blusinha muito baratinha, é um envolvimento muito maior”, afirmou.

Como a isenção surgiu

O e-commerce ganhou volume no Brasil na virada de 2019 para 2020. Na época, a lei previa alíquota zero para transações entre pessoas físicas, o que, segundo Agliardi, abriu espaço para fraude: havia CPFs na China que vendiam dezenas de milhões de pacotes.

Ele citou que o secretário da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, mencionou em uma entrevista um vendedor chinês com mais de 16 milhões de pedidos.

Com a pressão de varejo e indústria, o governo criou em 2023 o Remessa Conforme, iniciativa da Receita Federal que regulamenta e simplifica a tributação das compras do comércio eletrônico internacional.

Para Agliardi, o programa deu mais controle às importações, mas veio com alíquota zero, e o percentual cobrado depois continuou muito abaixo do que o varejo e a indústria pagam no país.

“O que se buscava era isonomia, nunca se buscou privilégio, e nós nunca conseguimos a isonomia de fato”, afirmou o diretor.

Cerca de 70% do que a Renner vende é produzido no Brasil | Foto: Reprodução/Lojas Renner/4oito

Comparação com a carga do produto nacional

Agliardi defende que o produto estrangeiro pague no mínimo o mesmo imposto que o nacional. Para ele, a situação atual é o inverso: o que vem de fora quase não paga, e quem produz e emprega no Brasil paga uma das maiores cargas do mundo sobre o consumo. Ele ressalvou que o Brasil não tem a maior carga tributária do mundo, mas que ela recai sobre o consumo.

Ele citou ainda pesquisas que, segundo ele, mostram que 80% da população concorda que o player estrangeiro deve pagar no mínimo o mesmo imposto que o brasileiro.

Sobre as mudanças de posição do governo, avaliou que a medida é populista e mal comunicada.

O que a Renner faz

O e-commerce responde por cerca de 15% das vendas da empresa, e cerca de 70% do que a Renner vende é produzido no Brasil. A resposta da companhia, segundo ele, é melhorar processos, usar tecnologia e ganhar eficiência.

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