O balonismo em Praia Grande, no extremo sul de Santa Catarina, enfrenta a maior crise de sua história recente. Antes do acidente ocorrido em junho de 2025 que deixou 8 mortes na região, 35 empresas operavam voos turísticos na cidade. Hoje restam 23, e a estimativa é que o número caia ainda mais até o fim do ano. O faturamento com passeios de balão despencou 75%, de cerca de R$ 2 milhões para menos de R$ 500 mil por mês, de acordo com piloto, instrutor e proprietário da Canyons Sul Balonismo, Irídio Boni.
Em entrevista, ele afirmou que o acidente, ocorrido há pouco mais de um ano, foi um divisor de águas para o setor. “É o balonismo antes desse acidente e o balonismo depois. Alguns passageiros ainda sentem com receio de tá praticando a atividade. Logo após o ocorrido estimamos que a busca pela atividade caiu em torno de 90%, de acordo com dados da Secretaria de Turismo de Praia Grande”, explicou.
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Acidente perde peso, e El Niño vira o maior problema
Atualmente, de acordo com Irídio, o impacto do acidente já diminui. O que mais pesa é o clima. “Nós já temos uma pesquisa onde mostra que a influência do acidente já vem perdendo relevância. Hoje o que mais nos afeta é a climática sobre o El Niño”, disse. Ele também citou a crise financeira do país, as chuvas no Rio Grande do Sul, o fechamento do Aeroporto Salgado Filho e a interdição da Serra do Faxinal como fatores que afastaram turistas.
Muitos clientes ainda têm receio de voar, e a tentativa de reforçar a segurança nem sempre ajuda. “Quando se fala muito em segurança, se desperta ao mesmo tempo um alerta. Às vezes a nossa tentativa de levar a informação sobre segurança assusta o cliente”, explicou. Por isso, as empresas passaram a mostrar o dia a dia da atividade. “A fatalidade foi um fator isolado, não representa o nosso segmento”, afirmou.
Conforme Boni, antes do acidente, a média era de 12 balões voando por dia, cada um com cerca de 8 passageiros. Hoje, o normal é ver um ou dois balões no ar, com 4 passageiros cada. A queda aparece principalmente no faturamento.
"Somando todas as operadoras, o setor movimentava cerca de R$ 2 milhões por mês e agora não chega a R$ 500 mil, podendo ficar abaixo de R$ 200 mil em alguns meses. Agosto foi muito chuvoso e outubro deve seguir o mesmo caminho, com muitos dias sem voo", destaca.
Turista de fora dá lugar ao visitante de perto
O perfil de quem visita a cidade mudou. Antes, cerca de 55% dos turistas eram gaúchos e de 25% a 30% eram paulistas, que costumam ficar por mais tempo na região. Com o clima instável, o público de longe diminuiu, e cresceu a presença de catarinenses e gaúchos, que muitas vezes vão e voltam no mesmo dia ou ficam uma diária.
Para Irídio, isso afeta toda a cadeia. A hospedagem sofre com estadias curtas e a ocupação já não é alta. Como o balonismo era a principal vitrine do destino, a queda também reduziu a divulgação de Praia Grande. A Secretaria de Turismo trabalha em uma nova forma de promover a cidade.
“Praia Grande vai além dos balões”
Irídio fez questão de lembrar que o destino tem como vocação a apreciação dos cânions, e que o voo de balão é uma das formas de contemplá-los. “Praia Grande segue firme, segue com ótimas propostas”, disse. A Canyons Sul Balonismo também funciona como a única escola de formação de pilotos de balão do Sul do país e tem filial no Pantanal, em Aquidauana (MS).
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