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Antes da segunda onda, a possibilidade de crescimento da primeira

Com afrouxamento dos cuidados, número de casos novos pode ter nova elevação
Marciano Bortolin
Por Marciano Bortolin Criciúma, SC, 21/10/2020 - 13:32
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Muito se fala em uma segunda onda da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), no Brasil. Porém, especialistas alertam que antes de se pensar nisso, é preciso tomar cuidado com um novo crescimento de casos na primeira onda. “É precoce falar em segunda onda, porque a gente, diferentemente dos países da Europa, claramente tiveram uma primeira onda, em março, abril e maio, praticamente zeraram os casos pro alguns meses, pelo menos e agora voltaram a ter casos, claramente tiveram uma primeira onda seguida e uma redução importante dos casos e uma segunda onda. O Brasil ainda, se olharmos os números, está em um decréscimo de casos de uma maneira global, mas em nenhum momento a gente ficou em uma situação confortável para dizer que a primeira onda por completo passou. Em uma maneira similar aos Estados Unidos que tiveram um aumento importante inicial. Mas nunca zeraram como os países europeus zeraram. Pode ser pela dimensão continental do nosso país. A pandemia começou em março no Amazonas e veio progressivamente descendo e para nós o maior impacto foi nos meses de junho, julho e agosto”, enfatizou o pneumologista, professor da Unesc, coordenador do serviço de terapia intensiva do Hospital São José (HSJ), Felipe Dal Pizzol, em entrevista ao Programa Agora, da Rádio Som Maior. 

Dal Pizzol ainda recordou no afrouxamento das medidas, que contribuem para este novo crescimento do número de casos. “Temos um reflexo e uma quantidade de casos como um todo que nos relata a casos da primeira onda e as oscilações que podem ter nesta primeira onda quando se dá uma afrouxada nas medidas de combate ao coronavírus. Na Europa, mesmo com a diminuição dos casos e nestes dois meses que ficaram praticamente sem casos, as medidas foram muito progressivas e a gente tem uma agressividade nestas aberturas, no relaxamento das medidas de cuidado que possam fazer que nas próximas semanas e meses um aumento de casos”, falou.

Para ilustrar, o especialista apontou a elevação registrada em Florianópolis. “Forma mais de mil casos reportados em Florianópolis em dois dias, o que preocupa e sugere que as aglomerações anteriores, principalmente no feriado possam ter impacto neste resultado e isso acontece também em nossa região. Muitas pessoas foram à Florianópolis, Balneário Camboriú, Garopaba e potencialmente eles podem trazer este aumento de casos para a nossa região. Temos que ficar atentos porque há uma possibilidade real de que isso possa também acontecer aqui. Não se tem certeza se isso que aconteceu em Florianópolis foi casual e passageiro, poro ter mais testagem ou por utras síndromes gripais, é cedo para avaliar de forma mais concerta, mas pelos menos a luz amarela tem que acender. Este afrouxamento das regras pode resultar em aumento de casos novamente de Criciúma”, disse.

O pneumologista Renato Mattos compactua da opinião de Dal Pizzol ao dizer que ainda presenciamos a primeira onda. “Se fala em segunda onda quando se tem uma redução muito grande de casos e depois um aumento importante. Podemos falar em segunda onda nos países europeus. Apesar de no Brasil temos uma redução importante do número de casos, ainda mantemos um platô de 500, 600 mortes por dia. É metade do que tínhamos antes, mas ainda havendo um aumento de casos agora, ainda estamos na primeira onda. Um aumento da primeira onda, muito em função dos descuidos. Não temos segurança que não vamos nos infectar caso não tomemos as medidas que são conhecidas e que se sabe que funciona. Houve uma redução significativa, mas o vírus está presente. Atendemos todos os dias pessoas com coronavírus, menos que antes, mas ainda atendemos. Se tiver descuido teremos um repique da doença”, pontuou.

Ouça as entrevistas na íntegra:

Tags: coronavírus