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Alento que vem das sacadas e das telas (VÍDEOS)

Durante a quarentena, muitos são os exemplos de pessoas que usam o talento e o conhecimento para levar alívio à outras pessoas
Marciano Bortolin
Por Marciano Bortolin Criciúma, SC, 25/03/2020 - 15:04Atualizado em 25/03/2020 - 15:19
Reprodução
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A apresentação começa. Uma boa tarde ao público, o anúncio da primeira música, os primeiros acordes e palavras da canção escolhida. No final, os aplausos que vêm de diversos prédios, o agradecimento e as lágrimas. 

Não é um palco, não há uma multidão. É uma sacada e um público espalhado por diversos edifícios assistindo e aplaudindo, cada um de sua janela. A iniciativa foi da cantora Cibele Mdaui que, com os equipamentos montados no apartamento, fez o show de 30 minutos para os vizinhos. “No dia 16 de março foi quando compreendi a real situação do coronavírus, então segui a orientação do isolamento em casa. Neste dia mesmo tive essa ideia, mas levei na brincadeira. Conforme os dias foram passando, a vontade de colocar em prática foi crescendo, pois sei o poder que a música tem de tocar o coração das pessoas, e neste momento tão complicado e angustiante, acreditava que seria uma boa maneira de desviar o foco do sofrimento para algo divertido”, comenta. 

Mesmo com a vontade, Cibele ainda tinha receio se a ação ia cair no gosto das pessoas. “Até que há alguns dias o cantor Vitor Kley fez isso, cantou da janela do apartamento dele em Balneário Camboriú e postou no instagram. Isso me deu uma injeção de ânimo, mas ainda assim não estava segura. Compartilhei nos stories uma foto dele fazendo a apresentação e escrevi que queria fazer aqui também, mas que estava com medo de os vizinhos não curtirem. A partir daí recebi muito incentivo de amigos pra executar a ideia. Então tomei coragem e enviei no grupo do condomínio uma mensagem explicando a ideia e perguntando se tudo bem eu colocar uma caixa de som na sacada e cantar para a vizinhança do nosso e dos outros prédios. Para minha surpresa, o pessoal aprovou e ficou super empolgado com a ação”, comemora.

Entre as músicas escolhidas estavam algumas como “Dia Especial”, do Cidadão Quem, “Trevo”, de AnaVitória e “Vai passar” de sua autoria. “Procurei incluir músicas com uma mensagem de incentivo e também algumas bem animadas. Eu estava animada porém bastante nervosa antes de começar, por ser uma situação diferente e não saber como seria a reação das pessoas dos outros prédios. Mas me concentrei no meu objetivo, que era proporcionar um momento de alegria a todos. 
Acredito que essa energia alcançou quem estava presente, pois senti uma sintonia inexplicável. 
No término de cada música pessoal interagia e aplaudia muito. Me emocionei em vários momentos. Ainda choro assistindo aos vídeos”, admite.

Mensagem de esperança e fé

Terça-feira, 20h. O som do violão e as vozes ecoam no bairro Comerciário, em Criciúma. A iniciativa vem do sexto andar do Edifício Cinthya e é protagonizado pelos pastores evangélicos 
Robinson Garcia Nunes e a esposa Valéria Gomes Nunes, além da filha Raissa Gomes Nunes. A primeira ação na sacada foi um pedido dos vizinhos, mas a família já vem levando, através de lives no Facebook, mensagens de fé e esperança desde a semana passada, quando teve início o período de quarentena na busca por diminuir a proliferação do coronavírus (Covid-19). Do meio dia à meia noite, diariamente, eles entram ao vivo pela rede social a cada três horas. “Montamos um espaço no apartamento onde passamos a fazer essas lives no Facebook. Falamos da Palavra de Deus, fizemos orações, para levar paz e conforto às pessoas. Levar o amor de Deus. Tem muita gente apavorada, sem saber o que fazer. Se antes um quadro de depressão era grave, imagina nessa situação, como se potencializa este estado de aflição entre o povo”, conta Nunes.

Pastor há cinco anos, ele ressalta ainda os pedidos para que as pessoas fiquem em casa. “É um tempo de voltar para casa, de conhecer a si mesmo. Dizem que é entrar em casa para não se contaminar, mas costumo dizer que entramos em casa para descontaminar. Estávamos muito contaminados. Não existia mais afeto, não existia mais amor, nem abraços. Vivíamos um processo frenético, então essa parada é para descontaminar. Levamos por este lado. Estamos nos desintoxicando. É um momento de olhar para a família, valorizar um abraço, uma visita, a comunhão com a família. Hoje reclamamos da falta dos amigos, mas antes não parávamos para dar nem um oi”, completa.


Saúde física e mental

A tecnologia que já é grande aliada em muitos momentos de nossas vidas, está ainda mais presente neste momento de isolamento devido ao coronavírus. A educadora Física e professora de Yoga, Vitória Balod, é uma que a está utilizando para levar o seu conhecimento a várias pessoas para lhes proporcionar bons momentos. “Quando começou tudo isso, eu estava super ansiosa. Chegava a ter uma sensação física devido ao stress, ansiedade. Não estava me sentindo bem para passar algo para frente, seja de movimento corporal, meditação, ou espiritualidade. E logo no início, o pessoal começou a pedir aula de Yoga, de pilates, por live. Fiquei empolgada, mas não sabia bem como fazer, porque sempre fiz presencial. Nunca fiz aula por vídeo”, relata.

Devido a isso, Vitória fala que foi um pouco desafiador no começo. “Até entender como funciona, perder a vergonha de falar para o celular. Ainda não perdi totalmente, mas estou me arriscando para passar estes ensinamentos. O que faço é passar o conhecimento que me foi transmitido. Não é nada meu, sou um canal que repassa estes aprendizados”, cita.

Entre os beneficiados com as suas aulas, está o próprio avô, Wilson Balod, de 78 anos, com quem tem compromisso diário, sempre às 10h. “Comecei com o meu avô. Fiz uma videochamada com ele e fizemos uma hora de aula. Foi maravilhoso poque ele se sentiu muito bem, foi tirando as dúvidas. Disse que se sentiu bem, dormiu melhor, e agora quer fazer todos os dias”, comenta.

Por vídeo, Vitória dá aulas ao avô, Wilson Balod, de 78 anos

Depois disso, três dias pediram que Vitória lhes desse aulas, então ela decidiu fazer lives no Instagram. “Trabalhar o corpo e também a mente, porque na realidade o que mais é afetado neste período é a mente. Então busco trabalhar o movimento que dá reflexos na mente e não só no corpo. 
Com uma mente sadia, temos um corpo sadio. Com uma mente doente, afetada, sem convívio social, sem falar, sem se expressar, acaba ficando bloqueada e dando reflexos no corpo”, alerta.

Os bons resultados não são colhidos somente por quem assiste as aulas, mas pela própria Vitória. “Depois que comecei as aulas me senti melhor com a minha ansiedade, porque me expressando dessa maneira, passando essas informações para a frente, vi as pessoas bem e comecei a ficar bem também. Cada um tem que encontrar a sua maneira. O Yoga é uma prática incrível que trabalha o físico, a mente, a espiritualidade em uma só prática. Só de dar uma aula fico melhor. Isso que me deixa bem”, finaliza.

 

Vitória fez live através do Instagram

Tags: coronavírus