Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...
CORONAVÍRUS - Saiba mais aqui

“A pessoa não é treinada para ganhar mais dinheiro. É treinada para gastar mais dinheiro”, diz empresário

Empresário e especialista em finanças, Marcelo Henrique ensina no seu livro “O Jogo do Dinheiro”, a mudar a maneira com que as pessoas tratam o dinheiro
Por Marciano Bortolin Criciúma, SC, 30/05/2020 - 14:05
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A pandemia da Covid-19 chegou para afetar tudo a nossa volta. Muitas pessoas tiveram a jornada de trabalho reduzida ou o contrato suspenso, diminuindo assim o seu salário. Isso sem falar naqueles que perderam o emprego e ficaram sem vencimentos.

As pessoas que têm o costume e que conseguiram fazer economia nos últimos anos conseguem minimizar os impactos, o que mostra, mais uma vez, a importância de planejar o futuro e sempre economizar o que for possível.

O empresário e especialista em finanças, Marcelo Henrique ensina no seu livro “O Jogo do Dinheiro”, a mudar a maneira com que as pessoas tratam o dinheiro. “A partir do momento que a gente nasce e é inserido na sociedade, as cartas são dadas e a gente precisa jogar o jogo. ‘O Jogo do Dinheiro’ é sobre o jogo da vida. A inteligência financeira e a intimidade com o dinheiro. Cada vez mais as pessoas perdem a intimidade com o dinheiro. Na escola a gente não é ensinado a lidar com o dinheiro. A pessoa cresce, vai para o mercado de trabalho e não sabe o que fazer com o dinheiro. Ninguém ensinou sobre o dinheiro para ela. Os pais não conversaram sobre dinheiro. A escola não conversa. A pessoa não é treinada para ganhar mais dinheiro. É treinada para gastar mais dinheiro”, enfatiza.

Questão de hábito

Ele conta ainda que em época de Covid-19 a constituição da reserva financeira vem por questão de hábito. “Porque as pessoas não acabam criando a sua reserva financeira? Por questão de hábito! É muito mais prazeroso satisfazer um desejo atual do que tirar um pedaço do que ganhei para usar no futuro. Isso não é uma coisa gostosa de fazer, mas estamos vendo neste momento, seja na área empresarial ou pessoal, que aqueles que têm reserva financeira estão passando por este momento de forma mais suave. Tendo decisões mais racionais”, fala.

Marcelo Henrique revela que quando se monta uma reserva financeira é preciso ter em mente o tempo que se pretende ter o chamado “colchão”. “Pessoas montam colchão de um ano, de três meses, que é o imediato, onde consigo retirar. Vai teoricamente ter menos rendimentos, não dá grandes ganhos, mas é o meu caixa imediato. Existem três fases: atrair mais dinheiro, retenção do dinheiro e multiplicação. A multiplicação é a longo prazo, quando vou fazer isso eu preciso entender que uma parcela dos meus investimentos precisam ir para a reserva financeira até que se possa montar este colchão”, aponta.

Planejamento é essencial

O empresário salienta que uma pesquisa apontou que 84% das pessoas não sabem quanto pagam de tarifa bancária. Ele dá o exemplo para enfatizar que as pessoas precisa ter planejamento de suas finanças. “Independente antes da Covid-19, pós-Covid-19, ou atualmente, é preciso fazer um plano de reconhecimento. Reconhecer tudo que entra e tudo que sai, passa para a segunda etapa que é uma classificação das despesas. Porque nessas despesas têm aquelas que são de primeira importância, ou seja, que eu não consigo diminuir. Têm aquelas que são importantes para o meu padrão de vida, mas olho para o lado e vejo pessoas que não têm este gasto. E têm as supérfluas, um monte de coisas que as pessoas pagam todos os dias até sem saber e sem utilizar. Fazendo tudo isso, consegue o terceiro passo que é organização, passando a cortar coisas simples, os supérfluos, e reduzir os que são importantes e facilmente consegue guardar o 10%”, exalta.

Visão de futuro

Para Marcelo, a pessoa que está iniciando no mercado de trabalho tem várias ideias no que gastar e a última coisa que pensa é em guardar. “Como quer chegar daqui a 20 anos: com mais dinheiro ou menos dinheiro? Se está iniciando a vida financeira, se pode fazer um aporte maior. Até porque se guardar R$ 50, R$ 100 ela vai pensar no que aquilo vai mudar a vida dela. O que vai comprar com aquilo, isso se a pessoa não tiver visão de longo prazo. Montar uma projeção de 10, 15 e 30 anos para que a pessoa veja que se continuar com esses R$ 100 mensais, o que ela vai ter em 15 anos? Os 15, 20 anos, se tudo der certo, eles vão chegar e a pergunta é como quer chegar? Com um pouco mais de dinheiro ou necessitando dinheiro? Se tem um pouco menos de contas, se está iniciando a sua vida financeira, têm pessoas que moram com os pais, que conseguem guardar 20%, 30% dos vencimentos, agora se não consegue, tenta guardar 10% pelo menos. Imagina que está ganhando 10% menos e passe a guardar para montar o seu colchão. As pessoas sabem, mas não guardam”, finaliza.