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A chegada a Criciúma, os movimentos grevistas e o futsal, Cabral relembra suas histórias

Coronel foi o convidado deste fim de semana do Nomes & Marcas e contou os apuros que passou
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 22/09/2019 - 15:08
(foto: arquivo 4oito)
(foto: arquivo 4oito)

Ele chegou a Criciúma no fim da década de 1980 e logo foi escalado para garantir a segurança de um jogo entre Tigre x Corinthians. O Coronel Márcio Cabral trabalhou por mais de três décadas na Polícia Militar e no Nomes & Marcas deste fim de semana contou os principais momentos de sua vida.

“No dia 10 de dezembro de 86, cheguei arrastando a bota com um Fiat 147. Eu aprendi a dirigir no fusca da PM, que só tinha freio de mão. Naquela época os socorros eram feitos pela PM, eu fiz um socorro no Rincão, quase enfartei o marido da mulher com o fusca com freio de mão”, lembrou Cabral.

Natural de Pescaria Brava, aos 8 anos sua família se mudou para Capivari de Baixo. Seu pai tinha um pequeno mercado e os clientes queriam pagar com galinha ou farinha, o que fez o negócio não ir para frente. Já a sua mãe era professora. Aos 13 anos foi aprovado no vestibular da Satc, mas foi estudar em Florianópolis e na capital começou sua ligação com a Polícia Militar.

A escolha pela PM

Os pais de Cabral tocavam em um grupo musical, que contava com um sargento da PM. O jovem Márcio se formou no curso de eletrotécnica e poderia ter cursado a faculdade de engenharia elétrica, mas acabou tomando o caminho militar. Ele havia sido aprovado nos dois vestibulares que fez. E em Florianópolis se formou oficial.

“Depois um grupo de cadetes foi até a escola técnica e quando vieram esses representantes eles colocaram que lá ganhava uma bolsa de estudo, eu imaginava que deveria pagar por um curso superior. Acabei ganhando uma bolsa de estudos de 30 mil cruzeiros e iria ganhar 70 mil na Cerâmica Porto Belo. Perguntei quanto ganhava depois dos quatro anos de formação e era 210 mil cruzeiros, meu olho era uma caixa registradora”, lembrou.

Quando o curso acabou, era o momento de escolher a cidade que pretendia ir. Cabral foi o primeiro a se manifestar, algo que o supervisor não gostou, então foi enviado para a região de Criciúma, para fazer a Operação Veraneio no Balneário Rincão. Se não fosse policial, poderia ter seguido para o Corpo de Bombeiros, como foi a escolha do deputado Mocellin, seu colega de turma.

A estreia em Criciúma

Com poucas horas na cidade, Cabral seria auxiliar em uma partida do Criciúma, mas o chefe daquele dia acabou tendo um contratempo. Para a sorte do novato, o tricolor fez um gol no final e acabou vencendo o Corinthians de Biro Biro por 1 a 0. E foi ali que começou o amor pela terra do carvão.

“O capitão Sergio iria comandar o jogo naquele dia, Criciúma x Corinthians pela Copa União. Logo que cai aqui tinha esse jogo, eu seria só um auxiliar dele para aprender, só que a esposa dele foi para o hospital. Veio um subtenente bem velhinho e disse que eu ia comandar o jogo”, contou.

Antes disso nunca havia trabalhado como chefe em uma partida de futebol. Usou a malandragem e tudo acabou bem.

“Eu só tinha trabalhado como auxiliar, nunca havia comandado uma partida de futebol. Então eu chamei o subtenente e perguntei se eles colocavam policiais nas arquibancadas e nas ruas, disse o óbvio. Então eu fiz o que ele disse e torci ardentemente para o Criciúma ganhar, porque naquela época havia a baixadinha e o pessoal subia ali”, completou Cabral.

Sempre a busca pelo dialogo

No anos em que esteve à frente do batalhão, Márcio Cabral procurou sempre dialogar. Sabia que o poder em suas mãos era grande e o cuidado era fundamental para evitar problemas. Chegou a comandar 800 policiais que foram enviados de todo o estado até Criciúma, durante movimentos grevistas ainda na década de 1980.

“Tivemos a greve dos trabalhadores da CSN, uma grande siderúrgica do Brasil. Foi em 1º de março de 1988. Foi muito difícil, imagina o trabalhador há 6 meses sem receber, hoje em dia não temos mais isso, e a empresa seguia ativada”. Segundo ele, esse período serviu para aprender sobre direitos trabalhistas, mais do que o período na faculdade de Direito.

E a forma de lidar com os trabalhadores foi reconhecida. “Quando Décio Goes assumiu a Prefeitura, a Polícia se aproximou dele, eu fui checar todos os convênios e um senhor negro me chamou, e disse para a netinha dele que eu evitei que outro policial batesse nele. Um policial chegou a levantar o cassetete e eu segurei a mão dele”, contou.

O envolvimento com o futsal

Atualmente o coronel reformado faz parte do projeto Anjos do Futsal, onde segundo ele, toda a parte operacional é conduzida pelo professor Jean Reis. Essa ligação começou quando era o comandante do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

“O futsal me deu a oportunidade de estar sempre no mundo do esporte. Eu fiquei por 8 anos como treinador, agora estou com o Anjos do Futsal. Nós tínhamos um time dentro da PM, eles queriam um micro-ônibus e me convidaram para jogar, mas eu não jogava nada e vi que não era a minha praia, ficaram com medo de perderem o micro-ônibus e me colocaram como treinador”, revelou.

O fim da carreira na Polícia

Ao longo da carreira passou por 12 trocas de tiro, mas nunca foi atingido por uma bala. Imaginava que não existiam muitas opções para ex-policiais, então o próximo passo seria assumir o comando da 6ª Região da PM. 

“Eu iria sair do comando do batalhão e subir para o subcomando regional, que hoje é comandado pelo coronel Barreto e na época pelo coronel Lênio Spindola. Em um ano poderia virar coronel e aí exerceria o comando regional e fecharia a carreira”, lembrou.

Mas, o jornal mudou os rumos da história. “Nessa migração alguém colocou uma notinha no jornal que eu sairia da Polícia, mas eu não pensava nisso. Um empresário viu e me chamou no escritório dele, perguntando se eu queria ser diretor de segurança da empresa dele e pagava o mesmo valor do que na PM e na sequência o prefeito Márcio Búrigo me ligou e depois outro empresário, então comecei a pensar que havia espaço aqui fora”, concluiu.