O Criciúma quer mais do que garantir o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. O objetivo do clube, nesta reta final da Série B, é conquistar o título da competição. A ambição foi reforçada pelo presidente Pedro Paulo Canella em entrevista ao jornalista, Thiago Hockmüller, do Portal 4oito. Ele destacou o desejo de encerrar a temporada com um troféu e deixar uma marca na história do Tigre.
“A gente quer muito o título. O título vai nos dar um troféu, vai nos dar a eternidade, porque quem sobe em segundo, terceiro ou quarto, ninguém lembra no ano seguinte. Mas o campeão tu acaba lembrando. Fica a estrelinha na camisa. Então, o nosso foco principal é o título”, afirmou o dirigente.
Canella explicou que, no início da competição, o planejamento era dividido em módulos de seis partidas. A cada período, a diretoria estabelecia uma meta de pontuação, que era apresentada aos jogadores, inclusive com premiações pelo cumprimento dos objetivos. O bom desempenho inicial fez o clube começar a projetar uma rodada para confirmar o acesso, mas a oscilação nos resultados trouxe ansiedade à campanha.
“E aí a gente foi patinando. E aí trouxe essa angústia toda”, reconheceu.
O presidente também admitiu que, mesmo com a orientação de concentrar os esforços no próprio desempenho, é inevitável acompanhar os resultados dos concorrentes diretos. Na avaliação de Canella, os pontos perdidos pelos adversários podem fazer diferença na disputa pelas primeiras posições.
“Tu acaba cuidando do teu quintal, mas olhando para o quintal do vizinho, olhando para a roupa do varal do vizinho”, comparou.
Diante desse cenário, o Criciúma mudou a abordagem para a reta final. Em vez de trabalhar com metas estabelecidas por blocos de jogos, a orientação agora é pensar partida a partida, sem perder de vista a possibilidade de levantar a taça.
“Estamos mirando jogo a jogo. Estamos fazendo jogo a jogo agora, não mais por módulos, mas olhando o título”, destacou.
Presidente faz balanço positivo da temporada
Além de reforçar a busca pelo título, Canella avaliou de forma positiva o trabalho realizado pelo Criciúma ao longo do ano. O dirigente afirmou que o saldo da temporada é favorável independentemente do desfecho da Série B, embora reconheça que a conquista do acesso e do título representaria a coroação do planejamento.
O presidente também relembrou as críticas recebidas no início da temporada. Segundo ele, havia questionamentos sobre a capacidade do clube de fazer uma boa campanha no Campeonato Catarinense e de competir na Série B sem correr riscos de rebaixamento.
No Estadual, Canella explicou que o Criciúma tinha como objetivo disputar o título e conquistar a vaga na Copa do Brasil. Apesar de não alcançar a taça estadual, o clube conquistou a Taça Acesc. O dirigente ainda ressaltou a dificuldade da competição, que terminou com os rebaixamentos de Joinville e Figueirense.
“Eu recebi muitas críticas no início, que eu ia rebaixar o time no Estadual, iria fazer feio no Brasileiro e, graças a Deus, a gente tinha dois objetivos no Estadual”, lembrou.
Canella contesta avaliação de Série B fácil
Ao comentar a campanha na competição nacional, o presidente contestou a avaliação de parte da torcida de que a Série B de 2026 seria mais fácil do que as edições anteriores. Para ele, a dificuldade do campeonato independe do formato de disputa e da época em que é realizado.
“Eu morro de rir, porque tem muito torcedor que vagueia, né? Começou a torcer ontem e diz que foi a Série B mais fácil, que nunca teve tão fácil. Série B nunca foi fácil. Nunca. Da era de pontos corridos, da época de grupos”, afirmou.
Canella também recorreu à história do Criciúma para lembrar que campanhas promissoras nem sempre terminam com o título. O dirigente citou a Série B de 2012, quando o Tigre encerrou o primeiro turno com 42 pontos, em situação favorável na classificação, mas terminou a competição na segunda colocação, cinco pontos atrás do Goiás.
“Então, a gente já estava vislumbrando um título, como agora, esse ano, e acabou não vindo”, recordou.
Presidente admite desgaste à frente do clube
Ao falar sobre a rotina na presidência, Canella admitiu que o trabalho tem provocado um desgaste significativo, tanto físico quanto mental. Apesar disso, ressaltou o apoio que recebe de pessoas próximas e de integrantes da estrutura do clube.
“É desgastante? É. Eu estou numa estafa mental e física muito grande, mas eu tenho muita gente me ajudando, muito apoio, então eu acredito que eu vou conseguir levar até o final”, afirmou.
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