O clima na Ponte Preta ganhou contornos ainda mais tensos após a derrota para o Criciúma por 2 a 1, na noite desta quarta-feira (8), pela Série B do Brasileiro. Em um forte desabafo à Rádio Bandeirantes, de Campinas, o meia Elvis criticou a situação vivida pelo elenco, denunciou atrasos salariais, cobrou a postura da nova diretoria e afirmou que os jogadores estão sendo desrespeitados.
O camisa 10 afirmou que o clube vive um momento de desorganização e alertou para o risco de rebaixamento caso a situação não seja resolvida.
"Uma bagunça do caramba. Enquanto não se organizar, a gente vai cair no primeiro turno. Depois ficam falando que estão reformulando. Reformulando o quê? E a gente aqui é palhaço para ficar desse jeito?", disparou.
Elvis revelou que, mesmo após ter recorrido à Justiça anteriormente, retornou ao clube e segue sem receber os salários em dia.
"Eu entrei na Justiça, voltei e recebi um salário até hoje. O presidente novo não aparece, não vem falar com a gente. A gente tem família. As contas estão chegando. O que a gente vai fazer?".
O meia também criticou o fato de a diretoria se manifestar publicamente, mas, segundo ele, não dialogar diretamente com o elenco.
"Tem que vir falar com o jogador, dar a cara para bater. Desse jeito é fácil. Estão brincando com as nossas vidas. Isso aqui não é brincadeira".
Durante o pronunciamento, Elvis questionou a chegada de reforços enquanto os compromissos financeiros com o grupo seguem pendentes.
"Contrataram um monte de jogador. Tomara que cheguem para ajudar, mas vai pagar o transfer, vai pagar os outros jogadores... E quem está aqui? Quanto mais jogador sai, melhor, né?".
Apesar da crise, o atleta garantiu que não pretende deixar a Ponte Preta.
"Eu não vou sair. Vou ficar até o final. Mesmo sem receber. Se estão esperando eu sair, não vou sair. O que estão fazendo com a Ponte Preta não existe".
Na parte final do desabafo, Elvis fez um apelo para que a atual gestão reconheça as dificuldades e, caso não consiga solucionar os problemas financeiros, deixe o comando do clube.
"No futebol é simples: se você não consegue trazer recurso, saia. Abra as portas para quem consiga. Não é feio dizer 'eu não consegui'. Agora, ficar mentindo para a gente, isso não existe".
O meia encerrou lembrando a identificação que construiu com a Ponte Preta ao longo dos últimos quatro anos e lamentou viver, segundo ele, o pior momento desde que chegou ao clube.
"Estou aqui há quatro anos e esse é o pior ano da minha vida na Ponte. Não saio porque gosto de estar aqui", conclui.
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