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VIVA MAIS - Homem não gosta de ir ao médico?

Urologista esclarece questões relacionadas a saúde do homem
Por Clara Floriano Criciúma - SC, 17/11/2017 - 12:04Atualizado em 17/11/2017 - 12:51

A Campanha Viva Mais-Novembro Azul continua atualizando os homens sobre a importância da prevenção. Desta vez, o entrevistado foi o médico urologista Rozenir Ramos que falou sobre a preocupação do homem com a saúde, preconceito em relação ao Exame de Toque Retal e também sobre outras doenças que atingem os homens. O médico trouxe também orientações e dicas para eles.

1 – Pra começar, vamos confirmar ou derrubar um mito. Homem não gosta de ir ao médico?

Rozenir Ramos: Eu acho que é um pouco de verdade, pelo seguinte: o homem foi criado como protetor do lar, como cuidador de todo mundo, ele é responsável pela família e ele acaba deixando a própria saúde de lado. Com isso, ele acaba tendo algumas doenças, que aumentam de índice, mas que ele só toma conhecimento quando está muito adiantada.

Com as recentes campanhas em relação à saúde do homem, isso tem mudado um pouco, mas ainda continua sendo um pouco de verdade.

2 – Focado na saúde do homem, e principalmente na prevenção ao Câncer de Próstata, Novembro Azul é um movimento relativamente novo, com cerca de 10 anos de existência. Já é possível ver uma mudança na rotina dos homens de cuidar da saúde?

Rozenir Ramos: Aumenta um pouco a frequência. Na verdade, nos últimos anos o homem tem ficado mais consciente e já tem vindo espontaneamente. Aqueles que não vem a esposa traz. Então, o índice de investigação e de vinda ao consultório é bem maior nos últimos anos. Em novembro aumenta um pouco mais devido a tudo o que a mídia veicula de informações.

3 – O preconceito em relação ao Exame de Toque Retal tem diminuído nos últimos anos?

Rozenir Ramos: Tem, bastante. Porque o grande problema do toque é mais pelos colegas do trabalho que acabam fazendo brincadeiras e deixando eles meio arredios. Mas ultimamente a coisa tem mudado bastante.

Confira a matéria completa abaixo do vídeo:

4 – O Câncer de Próstata pode surpreender até quem faz exames preventivos?

Rozenir Ramos: Pode. Não é uma doença de evolução rápida, é bastante lento, mas o exame tem que ser feito anualmente. Porque de uma ano para o outro pode aparecer um nódulo, uma alteração no exame do PSA e isso tudo vai chamar atenção para um caso de câncer.

5 – Que outras doenças atingem os homens? Quais as mais perigosas?

Rozenir Ramos: Na verdade, todas as doenças atingem os homens e mulheres da mesma maneira. Com exceção de doenças uterinas que o homem não tem. Tanta a parte cardíaca quanto a parte de pulmão, reto, cólon são os mais frequentes no homem do que o da próstata. Enfim, acho que o homem está sujeito a qualquer tipo de doença, assim como as mulheres.

6 – Qual a influência da hereditariedade nos casos de câncer? E da raça?

Rozenir Ramos: Nós sabemos que quem tem parente de primeiro grau com câncer de próstata tem uma tendência muito maior a ter câncer de próstata também, então ele tem que ter uma vigilância mais acentuada.

Em relação a raça negra, pela própria raça já existe tendência maior a ter câncer de próstata, assim como o negro tem a pele que envelhece menos que a do branco, em compensação, quando se fala em próstata, ele tem uma tendência maior a ter câncer.

7 – Que tipos de mudanças na rotina podem manter os homens mais longe dessas doenças? E a alimentação, influencia?

Rozenir Ramos: Levando em conta que existe um fator genético, muda pouca coisa, mas tem alguns fatores que predispõe a isso. Por exemplo, alimentação com muita gordura. A gente sabe que em países que o índice de consumo de gordura animal é muito grande, o índice de câncer de próstata é bem maior do que em países que não consumem tanto. Seria o principal fator e também a alimentação desregrada.

8 – O câncer de testículo é tão comum quanto o de próstata? Qual a frequência?

Rozenir Ramos: A frequência do câncer de testículo não é tão grande. Atinge homens até os 40 anos de idade, normalmente. E ele tem vários padrões. A Agressividade depende da fase que se pega o tumor. A grande maioria tem cura quando descoberto no início, a chance de cura é tão grande quanto do câncer de próstata. Exige um tratamento específico, onde se faz cirurgias, usa-se rádio terapia e quimioterapia, mas o resultado é muito bom.

9 – Quimioterapia e radioterapia podem causar esterilidade?

Rozenir Ramos: Depende da região. Se você fizer sobre a área produtora de hormônios ou de espermatozoides vai levar a infertilidade. Se for feita na região onde tem os nervos que controlam a ejaculação também pode levar a infertilidade. No paciente que tem câncer de testículo, que é submetido a radioterapia ou a quimioterapia, a gente pede que faça uma criopreservação de espermatozoide, caso queira ter filhos no futuro.

10 – O que é varicocele? Quais as causas?

Rozenir Ramos: A varicocele é uma dilatação das veias do cordão espermático, que acontecem principalmente no lado esquerdo, porque as veias que saem do testículo do lado esquerdo elas vão até a veia renal que desembocam em ângulo reto, isso dificulta a circulação do sangue. Essas veias também são muito longas, porque vão da bolsa escrotal até metade do corpo e tem válvulas que não funcionam perfeitamente. Se nós temos uma dilatação a nível da bolsa escrotal e sabemos que o testículo tem que trabalhar um grau abaixo da temperatura do corpo e ali a gente tem um aumento de sangue circulando, o testículo vai estar em uma temperatura mais elevada e com isso prejudica a produção de espermatozoide. Daí vem o problema de infertilidade.

Isso não quer dizer que todos os homens que tem varicocele que são inférteis, mas nos que são a gente indica cirurgia para que melhore essa temperatura local.

Dicas:

O urologista destacou a importância de o homem visitar o seu médico, não apenas pensando em doenças. “O urologista é o médico do homem e assim como ele investiga a próstata, ele faz check-up. Dependendo se tiver uma alteração ele encaminha para especialistas”, comentou o urologista.

Ramos também lembrou que o urologista não atende só adultos, mas também crianças e idosos.