Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...

“Verifiquem os dois lados de uma história", disse Milioli em uma de suas últimas entrevistas

Comentarista morreu nesta sexta-feira, ele estava internado desde o fim de semana passado
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 06/04/2018 - 16:58Atualizado em 06/04/2018 - 17:03
(foto: reprodução)
(foto: reprodução)

Em novembro de 2017 Milioli Neto foi homenageado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O comentarista concedeu uma entrevista, falando sobre o início da carreira, demissões e também o período que foi diretor de futebol. Nascido em 7 de maio de 1940, Milioli começou em rádio por convite de Clésio Búrigo, isso antes da Copa do Mundo de 1958.

“Fui repórter de pista, narrador e comentário, essa mais ou menos a linha. Não tinha telefone à disposição, não tinha internet, nada disso. Tínhamos aqui em Criciúma quatro equipes que disputavam competições estaduais”, lembrou.

Na entrevista, Milioli contou que acompanhava o futebol do Rio de Janeiro, na época o melhor do país. Participou de muitas transmissões de partidas em condições precárias, improvisando antenas com eucaliptos. Na televisão, começou na TV Eldorado, um período em que era reconhecido por todo o estado. Sua primeira demissão foi na empresa que comprou a TV Eldorado, antes de se tornar RBS TV.

“Se você não se alinha as ideias dominantes, você não tem colocação. Em função disso, calculo que fui demitido 15 ou 16 vezes, por aí. Eu acho até porque eu já era carta marcada”, contou Milioli na entrevista. Ele recordou ainda que chegou ser demitido em uma ocasião por fazer uma piada com papagaio.

Milioli não ficou apenas nos comentários. Na década de 1980 foi gerente de futebol do Criciúma e do Avaí, inclusive conquistando títulos do Campeonato Catarinense. Em 1986 estreou no Tigre e teve que demitir 24 funcionários, fazendo uma reformulação.  

“Era um momento muito ruim do Criciúma. Eu fiz uma raspagem. Havia muita confusão, entre esses demitidos, haviam alguns que poderíamos ter ficado, mas havia a ideia de reconstruir, recomeçamos praticamente com o pessoal da casa”, afirmou.

Para Milioli, não é problema um jornalista torcer para uma equipe. A entrevista foi encerrada com uma mensagem aos jornalistas: “Verifiquem os dois lados de uma história, é o mínimo”.

Tags: Milioli Neto