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Uma ação contra o trabalho infantil em Criciúma

Censo de 2010 apontava que 998 crianças entre 10 e 15 anos trabalhavam de forma irregular na cidade
Por Redação Criciúma, SC, 17/06/2019 - 15:32
Divulgação
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A prefeitura de Criciúma, por meio da Secretaria da Assistência Social e Habitação, se prepara para reforçar uma série de ações de conscientização a fim de combater práticas de trabalho infantil no município. Segundo dados referentes aos meses de março e abril, nove famílias estão trabalhando irregularmente.

No censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Criciúma tinha 998 crianças entre 10 e 15 anos trabalhando de forma irregular, principalmente em lavouras no interior do município. Por conta disso, a cidade participa, desde então, do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) do Governo Federal em parceria com estados e municípios.

Criado em 2011, o PETI foi introduzido na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), e articula um conjunto de ações visando proteger e retirar crianças e adolescentes com idade inferior a 16 anos da prática do trabalho infantil, resguardando o trabalho na condição de aprendiz a partir de 14 anos.

Considerando o contexto, o Governo Municipal contratou uma empresa para atualizar os dados do Senso. O professor e doutor André Viana, da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), está responsável por desenvolver esse trabalho. O processo já passou pela primeira etapa de diagnóstico social e, atualmente, é realizada a notificação do trabalho infantil.

Todos os setores da Saúde, Educação e Assistência Social, professores e agentes de saúde irão preencher essas notificações. O resultado do levantamento dos dados da situação atual do trabalho infantil em Criciúma será apresentado em agosto deste ano. A partir disso, serão elaboradas ações de prevenção além das que já são realizadas nos setores do município e no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas).

“O município tem feito campanhas e cartilhas para serem disponibilizadas nas escolas. Em diversos encontros fazemos movimentações, inclusive no Caminhão Amigo”, disse o secretário da Assistência Social e Habitação, Paulo César Bitencourt.

Campanha nas escolas

Serão entregues tanto nas escolas da rede municipal quanto nas escolas da rede estadual, cartilhas em formato de jornal com os temas ‘Aprenda a dizer não ao Trabalho Infantil’ e ‘Trabalho Infantil: Rouba a infância’ para crianças e adolescentes, respectivamente.

A partir desta segunda-feira (17), a assistente social do município, Michele Bombazar, e a psicóloga Ediléia Colle, ambas técnicas do Creas, começam a distribuição das cartilhas. A primeira a receber será a Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Judite Duarte de Oliveira, no bairro Sangão.

Michele acredita que o número de crianças que se encontram ocupadas pode aumentar por conta do tráfico de drogas, que é considerado um tipo de trabalho infantil. “É importante que a sociedade comece a desnaturalizar a questão do trabalho infantil, pois algumas pessoas falam que é melhor trabalhar do que estar na rua, mas isso vai fazendo com que a criança e o adolescente saiam da escola e iniciem no tráfico”, alerta.

AEPETI/SC

No Salão Ouro Negro, no Paço Municipal Marcos Rovaris, ocorreu o encontro coordenado pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação do programa Ações Estratégicas de Erradicação do Trabalho Infantil do Estado de Santa Catarina (AEPETI/SC) em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, comemorado na última quarta-feira (12). O intuito foi debater sobre o tema com todos os municípios da Amrec, com profissionais que trabalham com PETI e Bolsa Família.