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SC Clubes descarta jogos apenas em Floripa e projeta volta do Catarinense para junho

Presidente da Associação de Clubes disparou contra imprensa da capital, enquanto diretor do Tigre pede cautela na volta do calendário
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Florianópolis - SC, 26/05/2020 - 12:03Atualizado em 26/05/2020 - 12:09
Presidente da SC Clubes e do Avaí, Francisco Battistotti (Foto: Arquivo / Avaí FC)
Presidente da SC Clubes e do Avaí, Francisco Battistotti (Foto: Arquivo / Avaí FC)

O presidente da Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina (SC Clubes), Francisco José Battistotti, negou que exista a possibilidade de retorno do Campeonato Catarinense apenas com jogos na Ressacada e no Orlando Scarpelli. Essa possibilidade de volta com a fase final ocorrendo em Florianópolis foi levantada pela imprensa da capital do Estado.

De acordo com Battistotti, que também é o presidente do Avaí, a SC Clubes mantém tratativas com o governo do Estado e espera o retorno do futebol catarinense na segunda quinzena de junho, com o calendário mantido em jogos de ida e volta. As opções oferecidas ao governo foram de jogos com 30% da capacidade ou com portões fechados. O dirigente adotou um discurso mais crítico em relação à postura das rádios da capital. 

"Não existe isso (jogos apenas em Florianópolis). Teria que ser aprovado por unanimidade. Tu acha que o Criciúma aceitaria jogar contra o Figueirense no Scarpelli? A Chapecoense aceitaria jogar na Ressacada? Esses caras (imprensa) não têm a condição de ligar para o presidente da Associação para perguntar. É tentar criar mais algum fato e uma semana de polêmica", disparou Battistotti..

A reportagem do Portal 4oito procurou também o diretor executivo do Criciúma, Evandro Guimarães, para saber o posicionamento do clube sobre esse possível retorno. Evandro considerou absurda a ideia de jogos apenas em Florianópolis, especialmente por ser uma das cidades mais afetadas pelo coronavírus no Estado. 

"Isso não chegou até mim. A gente tem um compromisso muito grande com o sócio e a gente vai procurar priorizá-los, isso (jogar em Florianópolis) seria pior do que jogar com portão fechado. Não entendo qual seria a razão. Agora é questão de saúde, vai tirar todos e colocar em uma cidade que tem maior índice de contaminação? Não vejo como ir adiante e nem propósito que justifique", manifestou o dirigente.

Battistotti reforçou que a Associação pressiona o governo pela liberação do futebol em meados de junho, mas trabalha com a ideia de retorno dos jogos na segunda quinzena do mês. Segundo ele, a maioria dos clubes, como Avaí, Figueirense, Chapecoense, Brusque e Juventus estão treinando. Por outro lado, o Tigre optou por retornar os treinos presencialmente apenas quando houver anúncio de calendário. Os jogadores fazem atividades físicas comandadas por vídeo.

O presidente da SC Clubes concordou com a hipótese levantada pela Federação Catarinense de Futebol (FCF) de os jogos que definem o rebaixamento acontecerem após a fase final. No entanto, posicionou-se contrário à ideia de não haver rebaixamento, que teria sido levantada por Concórdia e Tubarão em reunião com a FCF. 

"Isso acho que não é correto. Os times jogaram e eles não tiveram a condição de ficar entre os oito e agora não querem rebaixamento? e o pessoal da Série B, como fica? Sou radicalmente contra virar o futebol no tapetão. Recebo uma pressão enorme dos meus torcedores, porque como presidente estou brigando pelo retorno do futebol catarinense. Dizem que se acabar o futebol o Avaí é campeão. Eu não gostaria de ter um título no tapetão, se outros times levaram, é problema deles", atacou Battistotti.

Por outro lado, o diretor do Tigre demonstra mais cautela sobre o retorno dos jogos. "Concórdia está fechado, Tubarão o campo está tomado. São dois times que se conversaram para jogar depois, mas acho que tem que ser todo mundo junto. No Rio vai voltar sem torcida. A gente entende que a torcida é fundamental. Eu acho que 30% do estádio é mais seguro do que os jogadores, se bem fiscalizado. Jogar sem torcida é muito ruim, ainda mais aqui que o torcedor apoia e o clube é sustentado pelo sócio", avaliou Evandro.

Evandro opina que, a partir do anúncio do retorno dos jogos, o ideal seria um período de 20 dias para uma nova pré-temporada, mas que deveria ser levado em conta a diminuição da taxa de contágio de coronavírus para remarcar o calendário. " Você faz o jogo e aparece algum adversário doente, tem que parar, testar. Se aparece um atleta que nao se sabe onde contaminou, novamente testa e para, até ter os resultados. A coisa é muito complicada. Tem que estar diminuindo, porque se não toda hora tem que parar e esperar".

Já Battistotti pede a volta mais rápida, pois a última das três parcelas de cota televisivas só serão pagas quando retornar os jogos. "O clube precisa de recurso agora, poderia pagar 100% agora, mas não. Quem faz o futebol é quem menos ganha dinheiro nesse país, que são os clubes. A Federação, CBF, empresário, sindicato, todos ganham e beliscam dos clubes", justificou Battistotti.

Tags: coronavírus