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Portaria pode implementar vazio sanitário na produção de maracujá

Produtores da fruta solicitaram a derrubada dos pomares entre junho e agosto para defender-se da Virose do Endurecimento do Fruto
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo 13/02/2020 - 16:35Atualizado em 13/02/2020 - 16:40
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Produtores de Maracujá de Santa Catarina pedem a derrubada dos pés da fruta durante o mês de julho. A reivindicação tem como objetivo diminuir a incidência da Virose do Endurecimento do Fruto, que acabou com a produção estadual em 2008 e está presente no Sul catarinense desde 2016. Um grupo da Cidasc e da Epagri elaborou uma minuta sobre o tema e a secretaria de Agricultura colocou em consulta pública até o dia 29 de fevereiro, para determinar os termos de uma portaria sobre o tema. 

A proposta é chamada de vazio sanitário na produção de maracujá. Ele iniciaria no fim de junho, quando a colheita é encerrada, com a derrubada dos pés da fruta. Eles seriam replantados em agosto, para a nova colheita iniciar sem a praga em dezembro, permanecendo até junho. A prática já acontece na região; porém, sem que todos os produtores o façam, a praga permanece e pode afetar outras plantações que passam pelo vazio sanitário.

O engenheiro agrônomo da Epagri, Daniel Moritz, responsável pela Área de Agricultura do Departamento Regional da Cidasc em Criciúma, afirma que a Virose do Endurecimento do Fruto pode causar um prejuízo de 50% da produção do maracujá se não for controlado. "A maioria dos produtores tem seguido as recomendações da Cidasc e Epagri. Estamos conseguindo conviver com a doença e manter a atividade rentável. O vazio sanitário é uma das principais formas de manejo para se conviver com a doença", esclareceu.

Essa virose mudou a forma de produção em Santa Catarina. Antes, era comum que cada pomar permanecesse plantado de dois a três anos, sem a necessidade da derrubada e replantio a cada ciclo. "Hoje a ideia é que se plante, colha as frutas, derrube o pomar e plante novas mudas. Essa virose não tem cura", aponta Daniel. 

Fruta atingida pela virose

A doença endurece o fruto e diminui o rendimento da polpa. A praga pode ser passada pela picada de pulgões nos frutos: o inseto ataca um pomar doente e depois pode repassar para um saudável. Daniel destaca que Santa Catarina é o primeiro estado brasileiro normatizando o vazio sanitário na cultura do maracujá. No Sul do Estado, a cultura do maracujá é forte nas cidades de São João do Sul, Santa Rosa do Sul, Sombrio, Araranguá, Balneário Gaivota e Praia 

Os produtores que quiserem contribuir com a construção da normativa têm até o dia 29 de fevereiro para mandar as sugestões, por meio do site da Cidasc. Após esse período, será construído o texto da portaria, que pode incluir multas e solicitações de derrubadas para aqueles que não cumprirem os termos. Posteriormente, a redação será encaminhada à secretaria de Agricultura, para assinatura dos termos.

Folha atingida pela praga