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O que é preciso para conquistar igualdade?

Programa Adelor Lessa promove mesa redonda com ex-vice-prefeita, empreendedora e diretora da Penitenciária Feminina Sul
Por Clara Floriano Criciúma - SC, 08/03/2018 - 13:39Atualizado em 08/03/2018 - 14:01

No Dia internacional da Mulher, a programação da Rádio Som Maior foi voltada a elas. O Programa Adelor Lessa recebeu, além da apresentação da jornalista Giovana Pedroso, uma mesa redonda com mulheres influentes de diferentes áreas para debater assuntos como desafios, avanços na política, meio empresarial e até no meio penitenciário.

Maria Dal Farra ex-vice-prefeita e ex-vereadora de Criciúma

(foto: Clara Floriano)

Em um tempo em que a mulher na política era algo raro, Maria Dal Farra Naspolini já militava sendo vereadora e vice-prefeita. Ela contou que antes de sua primeira experiência política, quando era educadora, tinha uma visão bastante ruim dos políticos.

“Eu fui vereadora nos anos de 93, 94, 95 e 96, foi minha primeira experiência. Antes disso eu tinha horror, tinha aversão aos políticos, porque eu enxergava a interferência da política partidária como um câncer na educação. Eu ajudei a fundar a PROASC e a Associação de Professores. A gente militava e tínhamos bronca dos políticos que queriam nomear professores e diretores. Em 92 me convidaram para ser filiada num partido e eu achei loucura”, revelou.

Maria conta que foi estimulada principalmente pelas mulheres que queriam representação na política. Ela revelou que quando candidatou-se tinha certa ingenuidade em achar que sendo séria e boa gente teria liberdade para fazer boas coisas. “Aí eu vi as intercorrências, as coisas atravessadas, as segundas intenções”, disse.

Maria contou ainda que quando eleita, enfrentou problemas com os homens do partido que achavam absurdo que ela, sendo a única mulher entre 20 candidatos fosse vereadora. “No começo, quando me elegi, os candidatos acharam uma zebra que eu tivesse sido eleita. Eles não entenderam porque que um partido em Criciúma tinha que ter uma mulher vereadora. Eles me diziam o que fazer, mas não sabiam que eu sempre levava os projetos para casa e avaliava. Aí eu chegava e votava do jeito que eu já tinha decidido anteriormente. Eles achavam que eu não entendia de política. Mas isso não durou muito tempo, porque eles perceberam que eu não era manipulável”, revelou.

Segundo a ex-vereadora, foi no primeiro mandato que tomou uma dose de realidade e entendeu como lidar com as pessoas, além de esforçar-se para não se deixar abalar com a ideia de que políticos se corrompem.

“Mas lá naquele espaço a gente se desilude por um lado e por outro percebemos que dá pra fazer muita coisa, dá para trabalhar, dá para produzir. A gente poderia como mulher encarar muito mais e fazer mais se fôssemos mais corajosas”, afirmou.

Patrícia Felício- advogada e empreendedora

(foto: Clara Floriano)

Patrícia Felício, proprietária de um escritório de advocacia composto só por mulheres, conta que hoje, além da advocacia, ela cumpre o papel de gestora. “Eu tenho que cuidar do financeiro, do tributário, do convite para estar aqui. Tem toda uma questão de ideologia”, afirmou.

Segundo a advogada e gestora, para as mulheres é mais fácil empreender. “Eu acho que somos mais proativas. O desnível salarial cresce de forma absurda porque os homens acham que não podemos fazer gestão, mas é muito pelo contrário. Eu acho que a mulher é mais proativa, sensível e receptiva. A questão de eu formar um time feminino é porque eu acho que me identifico muito com estas questões”, esclareceu.

Vanessa Colares Bittencourt - Diretora da Penitenciária de Criciúma

(foto: Clara Floriano)

A diretora da Penitenciária Feminina de Criciúma, Vanessa Bittencourt, conta que hoje, para que alguém assuma a direção de uma unidade penitenciária seja agente de carreira, mas em relação as unidades femininas, não precisa necessariamente ser mulher. Para ela, entretanto, o mais correto é que o comando seja delas, pois as demandas femininas e masculinas são distintas.

“As características de uma unidade feminina se diferem. Quando eu entrei na ala do Santa Augusta eram 100 mulheres e o que eu percebia era que tudo que sobrava e que não dava mais para os homens era adaptado e ia para a mulher. O homem costuma reclamar mais do que é material, porque ele recebe visita. Enquanto com a mulher é diferente. Elas se preocupam com os filhos que estão no abrigo, com os bebes que ali estavam e com o que aconteceria para depois. Elas não se preocupam com questões materiais”, revelou.

Vanessa conta que a penitenciária procura é a reconexão das detentas com a família. “Quando resgatamos as mulheres não regatamos só elas, regatamos toda uma sociedade que hoje está deturpada de ética”, comentou.

 Avanços

Para Maria Dal Farra na política o aumento é mínimo e vagaroso, então o que está faltando é avançar com este número, principalmente levando em consideração o fato de que elas são a maioria do eleitorado.

“Eu acho que a mulher tem uma qualidade chamada compaixão. As pessoas associam com pena, com dó, mas não é isso. As mulheres tem mais compaixão e é por isso que estatisticamente na política elas se corrompem menos, atuam mais e são mais sensíveis as políticas públicas, gerais e coletivas”, afirmou.

Para Patrícia é muito difícil, principalmente porque ainda existem pessoas que duvidam das mulheres. “Imagina sermos sete advogadas dentro de um escritório muito bem sucedido?! E a gente ouve muito pessoas questionando: ‘Como assim?!’. E a gente não pode ter medo. Temos que ter coragem. Hoje o que nos falta é coragem, porque somos competentes, proativas e racionais. Só nos falta coragem”, afirmou.