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Maurício de Sousa e a Turma da Mônica no Avesso

Maurício, que fez o Cascão lavar as mãos, vive a quarentena ao seu modo
Vitor Netto
Por Vitor Netto Criciúma - SC, 10/06/2020 - 15:25Atualizado em 10/06/2020 - 15:47
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

"Penso que se a mensagem consegue chegar no público mais sensível, que é a criança, e depois chega na família, estamos falando com o mundo e estamos falando com o coração". Essa foi uma das mensagens de Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica no programa Do Avesso desta quarta-feira, 10. Ele foi um dos entrevistados, que compartilhou histórias sobre a criação da Turma da Mônica nos seus gibis e sobre o processo criativo da atualidade. Isolado devido a pandemia do novo coronavírus, Maurício está dividindo sua rotina entre novas criações e o contato com os fãs.

Há mais de dois meses em casa, ele continua trabalhando junto com a sua equipe, buscando novidades para os quadrinhos. “Estou numa boa, estou trabalhando em contato com minha equipe por telefone e por Skype, para se falar olhando olho no olho, então estamos mantendo a produção e usando tudo o que usamos quando o estúdio está em funcionamento, como agora que ele está vazio. Mas enquanto isso, a gente vai compensando de alguma maneira, usando tecnologia e inventando mais coisas”, explica. 

O início da Turma da Mônica

Maurício iniciou a Turma da Mônica utilizando somente o lápis e o papel. Sua inspiração nasceu ainda em casa, com a sua família e amigos. “Eu não inventei nada. Eu olhei para o lado e vi minha filha, a Mônica, puxando um coelho pela casa, com uns dois anos e meio. O coelho maior que ela”, relembra. “Do lado estava a Magali, comendo uma melancia inteirinha. Então fui aprendendo primeiro com minhas filhas, para depois criar os personagens”, explica. 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Sou um devorador de livros!!

Uma publicação compartilhada por Mauricio de Sousa (@mauricioaraujosousa) em

Apesar de muitos leitores dos gibis acreditarem que a primeira integrante da Turma foi a Mônica, na verdade o primeiro personagem foi o cachorrinho Bidu. “Ele foi o primeiro personagem. Ele e o dono, o Franjinha. O Franjinha era baseado em um sobrinho meu e o Bidu era baseado em um cachorro da minha avó”, revela. 

A evolução da Turma da Mônica 

Em meados de 2008, a equipe de criação lançou a Turma da Mônica Jovem, que traz a continuação dos mesmos personagens, só que mais velhos, já na adolescência, trazendo também uma linguagem mais atual. “Aquela revista foi a campeã de bilheteria de todos os tempos”, conta. 

Em 2019 foi lançado um filme que traz a história da Turma. O longa "Turma da Mônica: Laços" também lotou os cinemas com os amantes das histórias dos gibis, agora representados por humanos. 

No final deste ano, será lançado uma continuação, também dirigido por Daniel Rezende. “Em dezembro estamos com o filme Lições. Basicamente a continuação. Foi muito gostoso e muito agradável fazê-lo. O Daniel é um gênio que também curtiu a Turma da Mônica desde cedo. Foi um privilégio, foi maravilhoso”, conta. 

Sem revelar muitas atrações do filme, Maurício garante que o filme trará novidades. “Esse filme os artistas continuam acrescentando a presença de mais personagens. O filme está muito movimentado e a primeira vez vamos mostrar a Turma da Mônica na Escola”, revela. 

Representações da Turma da Mônica pelo Brasil

No segundo semestre do ano passado, uma Turma da Mônica mais humilde viralizou na internet, quando um grupo de uma escola de São João Del Rei, em Minas Gerais, se vestiu como a Turma, contudo deixava a desejar em aspectos visuais. Depois disso, Maurício convidou a Turma para visitar o estúdio e também levou a Turma original para a escola. 

A versão da de São João Del Rei e a original.

“Eu tinha que fazer isso. Eles fizeram o que eles podiam, com os recursos que tinham. Respeito muito o pessoal que deseja uma coisa, quer fazer uma coisa e mesmo sem recursos melhores, realiza. O pessoal conseguiu botar a mensagem deles para o povo da cidade”, comenta. 

A pandemia do novo coronavírus 

Com a pandemia causada pela Covid-19, todo tiveram que se adequar, incluindo o personagem Cascão. Conhecido por não ser muito adepto a higiene, Maurício fez com que até mesmo o Cascão lavasse as mãos.

“O Cascão não é bobo nem nada, e o pai dele também não. Foi um momento que a gente deveria pensar uma mensagem bem forte para chegar no público que gosta do Cascão, e na criançada, de uma maneira bem didática para isso. Agora é a hora de lavar as mãos porque é a melhor coisa para se prevenir desse vírus sem vergonha”, ri. 

Contudo, Maurício lembra que não é a primeira vez que o Cascão se molha, já que uma vez, em uma enchente em Santa Catarina, Cascão precisou se molhar para levar remédios e alimentação para as pessoas ilhadas. 

Vida longa à Turma da Mônica

Maurício atualmente está com 84 anos e continua atuando nas criações. Quando ele iniciou, o seu universo se limitava a um lápis e o papel. “Mas logicamente a gente vai aprendendo com o tempo e criando necessidade para que a gente dê uns galopes tecnológicos. Eu gosto muito disso. Claro que temos muito o que aprender ainda, principalmente com os jovens que chegam no estúdio e vão levando sua emoção e conhecimento, mas principalmente gosto de trabalhar com ousadia. Adoro trabalhar com eles, mas também não deixo de lado os bons veteranos”, releva. 

Para ele, todo sonho de uma pessoa deve ser preservado e batalhado. “Quem quer que esteja buscando investir em um segmento de qualquer natureza, tem que gostar muito. Ter vontade e ter foco. E de alguma maneira, tem que pensar que aquilo que ele está fazendo vai fazer bem para a humanidade”, explica. “No meu caso, a mensagem chega até as crianças com alegria, satisfação e com uma maneira de aconselhamento. Penso que se ela consegue chegar no público mais sensível, que é a criança, e depois chega na família, estamos falando com o mundo e estamos falando com o coração”, finaliza.