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João Quevedo: da formação em medicina até a carreira nos Estados Unidos

Doutor foi o convidado deste fim de semana do Nomes & Marcas e destacou as novas gerações
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 09/09/2019 - 12:25
Foto: Arthur Lessa / 4oito
Foto: Arthur Lessa / 4oito

Natural de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, João Quevedo, doutor em Ciências Biológicas: Bioquímica e especialista em Psiquiatria, desenvolveu sua carreira em Criciúma e no começo da década foi para os Estados Unidos. Ele foi o convidado deste fim de semana do Nomes & Marcas, destacando suas histórias e a saúde.

“Em 2000, o Felipe Dal Pizzol me disse que abriria uma faculdade de medicina em Criciúma, disse que viria dar aula e que já tinha conversado com o coordenador do curso. Eu passei aquela noite na Unesc, saímos para jantar com o coordenador da Unesc e no jantar ele fez a proposta. Então vim para Criciúma por causa da Unesc”, citou.

Quando aceitou o convite de trabalhar em Santa Catarina tinha a possibilidade de voltar para Passo Fundo. Acreditava que a economia por aqui era mais dinâmica, já que lá era voltada para a agricultura, hoje ele não se arrepende da decisão que tomou. Antes, quando tinha 18 anos, foi morar em Porto Alegre, onde cursou medicina.

A ida para os Estados Unidos

Estabilizado em Criciúma, começou a planejar sua ida para os Estados Unidos. “Eu não tinha motivo nenhum para me mudar, mas em 2012 ou 2013 começou a ideia de passar um ano fora, seria um ano nos Estados Unidos. As crianças iam aprender e inglês e a gente começou a organizar a família para fazer isso”, citou Quevedo.

O que era para ser uma viagem de descanso, se tornou trabalho, recebendo um convite ainda antes de embarcar. A viagem ficou para começo de 2014. Depois disso, continua mantendo atividades na Unesc e retorna ao Brasil periodicamente.

Destacou que lá os contratos são assinados todos os anos, renovados no começo de outubro e no fim de julho já começam as negociações. Renovou o seu e ficará lá até o próximo ano pelo menos. Ainda não planeja voltar fixo para Criciúma, ele e a esposa vão esperar os filhos chegarem ao College, uma espécie de faculdade.

“A gente tem uma expectativa de ficar lá mais quatro anos, até que os filhos vão para o College. Mesmo que eles estudem na mesma cidade, eles saem de casa, ficar morando em casa é sinal de fracasso. Depois disso podemos voltar para cá, ir para o Zimbabwe ou para o Canadá”, concluiu.

Futuro na Unesc

Uma das questões levantadas durante a entrevista foi em relação ao desejo de ser reitor da Unesc no futuro. Com experiência internacional, é um nome forte para ocupar o cargo que atualmente é de Luciane Ceretta. Não negou a possibilidade, embora tenha afirmado que o desejo já foi maior.

“Eu tenho uma visão de universidade um pouco diferente do que temos hoje. Eu não acredito em uma universidade que troca de reitor a cada quatro anos. O reitor é um CEO e ele deve ser contratado, com um sistema não-eleitoral, precisa ter a perspectiva de carreira”, comentou o doutor.

Quevedo pensa que seria interessante mudar o sistema como os gestores das universidades são escolhidos, possibilitando projetos pensando no futuro e não apenas no presente.
“As universidades americanas se planejam a longa prazo, para um século à frente e não para os próximos quatro anos. Mesmo trocando o CEO, o projeto continua, já que o dono do projeto é o conselho. São pessoas que são guardiãs de um patrimônio da cidade ou do estado”, explicou.

Governo Bolsonaro

Quevedo acredita que os Estados Unidos tenham avançado durante o governo de Donald Trump, mas ainda não vê isto no Brasil. Pensa que a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) tenha sido importante, para que o grupo que comandava o país desde 2003 fosse renovado.

“É menos do que eu esperava. Mas, acho que eu tinha uma visão positiva de mais. Ele tá cumprindo um papel, acho que a longo prazo. Temos que assumir que era o que tinha de elegível, não tinha outra opção de direita”, disse o doutor. “Para o processo de despetização, é importante. Não pode ir com muita sede ao pote, porque senão vira e faz uma lambança”, completou.

E as novas gerações?

Conforme Quevedo, as atuais gerações são mais sensíveis, porque receberam muita proteção contra os níveis de estresse. Acredita que quem tem menos do que 25 anos, “não aguenta o tranco” e alguns acabam ficando depressivos.

“Viver significa ter problemas, não dá para achar que sempre será um conto de fadas. Vão surgir problemas que estão fora do teu controle, como uma doença. As pessoas das gerações anteriores eram mais resiliente, como sair lá da Itália de um navio, não sabendo se ele ia afundar e chegando aqui não sabiam onde iriam aportar”, comparou.