A superlotação do Hospital São José, em Criciúma, chegou a um ponto em que 56 pacientes estavam internados no pronto-socorro à espera de um leito, embora a estrutura destinada a esse tipo de situação comporte 20 pessoas. O cenário levou a instituição a solicitar, nessa quinta-feira (8), a suspensão temporária de novos encaminhamentos, após a ocupação de 100% dos leitos de UTI SUS.
O diretor executivo do hospital, Juliano Petters, afirmou que a pressão sobre a unidade está relacionada ao atendimento de pacientes de pelo menos 26 municípios, dependendo da especialidade, além da procura por serviços que poderiam ser realizados em unidades de menor complexidade. Segundo ele, a situação compromete o funcionamento do pronto-socorro e dificulta a acomodação de novos pacientes.
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“Ontem, a gente chegou a 56 pacientes internados lá embaixo no pronto-socorro, sem leito para subir, para continuar o seu tratamento em um leito adequado. A nossa estrutura para pacientes internados aguardando leitos é para 20 pacientes. Com 56, a gente não consegue mais rodar o pronto-socorro”, explicou Petters, em entrevista à Rádio Som Maior.
São José busca alternativas para reduzir a superlotação
Para o diretor executivo, a solução não depende apenas de ampliar os recursos destinados ao hospital. Ele defende uma melhor distribuição dos atendimentos entre as instituições da região, com encaminhamento de pacientes para hospitais que tenham condições de dar continuidade ao tratamento.
“Não é uma questão apenas de concentrar recursos. É uma questão de logística, de estrutura e também de entender que muitos hospitais aqui da região, inclusive, têm baixa ocupação”, afirmou.
Petters também destacou que o hospital tinha 50 cirurgias previstas para sexta-feira (9), o que aumenta a necessidade de leitos para receber os pacientes após os procedimentos. Além disso, a instituição encerrou a quinta-feira com 39 pessoas ainda no pronto-socorro, segundo o diretor.
Entre as medidas apontadas por Petters estão:
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Incentivar a procura pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) para casos que possam ser resolvidos nesses serviços;
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Ampliar a transferência de pacientes para outros hospitais por meio da regulação estadual de leitos;
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Criar um sistema de atendimento compartilhado com hospitais da região, com protocolos e apoio das equipes do São José;
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Melhorar a distribuição dos pacientes conforme a complexidade de cada caso.
O diretor ressaltou que a população também pode contribuir ao procurar o serviço de saúde adequado e aceitar transferências quando houver indicação médica e disponibilidade de leitos em outras instituições.
“Quando a gente está fazendo uma transferência, é porque a gente tem segurança de que o paciente pode ser tratado naquele hospital”, declarou.
Estado aposta na regionalização dos atendimentos
O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi Silva, afirmou que o governo trabalha desde 2023 para ampliar a capacidade de atendimento em hospitais fora dos grandes centros e reduzir a concentração de pacientes em unidades de referência, como o Hospital São José.
Segundo ele, a estratégia inclui fortalecer hospitais de menor e médio porte para que possam atender casos de menor complexidade e ampliar os serviços especializados em outras cidades. Na região Sul, o Estado habilitou serviços de alta complexidade em Araranguá e Sombrio, incluindo atendimentos em ortopedia e neurologia.
“Um paciente que até então, obrigatoriamente, tinha que vir para o Hospital São José de Criciúma com a cirurgia neurológica de alta complexidade já fica na região da Amurel”, afirmou o secretário, ao explicar que a ampliação dos serviços em outras áreas pode reduzir a demanda sobre Criciúma.
Demarchi também apontou a dificuldade de transferir pacientes para hospitais de menor porte, mesmo quando há leitos disponíveis. Segundo ele, a preferência de familiares por manter o paciente perto de casa pode dificultar a redistribuição dos atendimentos.
“Eu tenho leito disponível praticamente do lado e tenho uma sobrecarga num determinado hospital”, disse, ao defender novas alternativas construídas em conjunto com as direções e equipes médicas das instituições.
O secretário informou ainda que havia 15 leitos adultos disponíveis na macrorregião, embora tenha ressaltado a necessidade de continuar ampliando a estrutura de saúde. Ele afirmou que pretende discutir medidas específicas para hospitais que enfrentam situações semelhantes à do São José.
Sem prazo para normalização dos atendimentos
O pedido de suspensão temporária de novos encaminhamentos foi comunicado pelo Hospital São José aos órgãos competentes, incluindo o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros Militar. A instituição informou que a medida busca preservar as condições de atendimento aos pacientes que já estão no hospital.
Em nota, o São José afirmou que a situação segue sendo monitorada e que os órgãos responsáveis serão comunicados quando a capacidade de atendimento for restabelecida. Até o momento, não foi divulgada uma previsão para a retomada dos encaminhamentos.
A orientação dos gestores ouvidos na entrevista é ampliar a utilização da rede regional e direcionar os pacientes conforme a necessidade de cada atendimento. O desafio é garantir assistência aos pacientes sem concentrar toda a demanda em um único hospital.
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