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Exposição na Casa da Cultura gera polêmica

Vereadores reclamaram de obra que expunha um pênis no lugar da cabeça em um corpo humano.
Por Francieli Oliveira Criciúma, SC, 19/11/2018 - 23:35Atualizado em 19/11/2018 - 23:40
Peça que causou polêmica foi isolada em sala ontem, antes de ser devolvida à Unesc / Foto: Guilherme Hahn / A Tribuna
Peça que causou polêmica foi isolada em sala ontem, antes de ser devolvida à Unesc / Foto: Guilherme Hahn / A Tribuna

Uma peça em exposição na Casa da Cultura foi alvo de críticas durante a sessão da Câmara de Vereadores de Criciúma, na noite desta segunda-feira. O assunto foi levantado pelo vereador Pastor Jair Alexandre (PSC), que falou em nome da Comissão de Educação, e foi seguido por outros parlamentares.

De acordo com Pastor Jair o assunto chegou até ele através de um pai que esteve, no sábado de manhã, na Casa da Cultura, acompanhado pelo filho e que desaprovou a peça “com cunho pornográfico”, como descreveu ao parlamentar, e que estava exposta ao acesso de todos sem classificação por idade.

Os vereadores foram até o local nesta segunda e a peça em questão já estava em uma sala separada e com classificação de idade. Jair Alexandre lembrou de leis aprovadas no Legislativo e que vão ao desencontro ao tipo de exposição em questão. Chegou a sugerir que os vereadores fizessem um “pente-fino” na biblioteca municipal para avaliar qual o tipo de conteúdo estava ao acesso de menores de 18 anos.

Os vereadores Aldinei Potelecki (PRB) e Camila do Nascimento (PSD) ponderaram que a discussão não deveria ser sobre o que é ou não considerado arte, mas na classificação de idade para cada tipo de exposição.

O assunto deve voltar à pauta na sessão de hoje.

Peça foi devolvida aos autores

O presidente da Fundação Cultural de Criciúma, Serginho Zappelline, explicou que na sexta-feira alunos do último ano de licenciatura em Artes Visuais da Unesc realizaram uma exposição no local. “Essa exposição foi depois do horário, com um vernissage. Daí eles puseram essa obra. Não vimos, fomos embora. Essa exposição começou às 20h e foi até 23h. No outro dia de manhã, professores chegaram para dar aula, entrou um aluno e o pai desse aluno viu. Já ligaram para a administração da FCC para que tirassem e foi colocado em uma sala separada e fechada”, relatou.

A obra é uma estatueta com o corpo humano e um pênis no local da cabeça e foi denominada pelo artista de “Gozo”. Para Serginho, esse tipo de exposição ocorre em outros locais, com classificação de idade. “Estive na Bienal e tem diversas peças acima de 14 e acima de 18 anos. Tomando esse mesmo modelo, a peça não estava mais na exposição e colocamos naquela sala”, ponderou. “Não podemos censurar. Há um conceito da exposição, mas essa peça apareceu na sexta depois do horário. Toda exposição tem conversa dos artistas com os convidados da vernissage. Sempre abrimos espaço e não questionamos o tema. Nesse caso houve um pouco de excesso do arista e excesso também dos vereadores que fizeram muita confusão de algo que já tínhamos liberado. Temos um espaço público no qual o artista se sente à vontade para fazer o que quer, mas não pode expor qualquer coisa que possa ofender as pessoas. Mas devemos levar em conta que desde a Renascença há pênis para todo o lado, e gente pelada para todo o lado, mas basta ver o que aconteceu em Porto Alegre, no Santander Cultural, e agora essa mesma exposição foi colocada no Rio de Janeiro sem problema algum”, lembrou o presidente da Fundação Cultural.

Ainda na noite desta segunda a peça foi encaminhada para a Universidade por determinação do prefeito Clésio Salvaro.