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Estudos preliminares dão alento sobre eficácia da cloroquina

No entanto, resultados ainda são insuficientes para comprovar a medicação no combate à Covid-19; Unesc participa de estudo nacional que vai testar 1 mil pacientes
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Criciúma - SC, 01/04/2020 - 09:50Atualizado em 01/04/2020 - 09:53
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em Criciúma, dois pacientes receberam alta após o uso da hidroxicloroquina, enquanto um não resistiu e acabou falecendo. As duas pessoas liberadas pela Unimed haviam testado positivo para a Covid-19, enquanto o empresário morto na madrugada desta quarta-feira, 1º, apresentava os principais sintomas, apesar de ainda não ter a confirmação laboratorial do coronavírus. Parte dos esforços da medicina no combate à pandemia está em provar que a cloroquina é efetiva contra o vírus. Para o pneumologista Renato Matos, alguns sinais já são positivos. 

O médico cita um estudo realizado com 60 pacientes - 30 com o uso da cloroquina e 30 do grupo controle, aqueles que não recebem as doses do remédio - cujo ndicativo é de que as pessoas que usaram a medicação tiveram quadros melhores do que as que não tomaram. No entanto, ainda é muito preliminar para afirmar a eficácia do remédio.

"Esse trabalho pequeno foi positivo. As pessoas que usaram a cloroquina na fase inicial tiveram uma evolução melhor, tiveram alta mais rápido. É o primeiro trabalho feito de forma controlada com humanos. Mas ainda há muitas dúvidas. Qual é a dose correta a ser usada para o coronavírus? Por quantos dias? Qual o momento de começar a usar? Torcemos muito para que ela se comprove como uma medicação eficaz".

O médico Felipe Dal Pizzol, coordenador da UTI do Hospital São José e professor da Unesc, participa de um movimento nacional para testar a efetividade da cloroquina no combate à Covid-19. O grupo testará mais de 1 mil pacientes e deve determinar a eficácia da cloroquina, azitromicina para pacientes de moderado a grave, e a eficácia de dexametasona corticoide para doenças com infecção muito grave.

"É importante definir com mais clareza a efetividade desse medicamento. O ministério liberou o uso para pacientes graves, mas mesmo para esses pacientes a evidência de que funcione é muito fraca. Os poucos estudos foram feitos com muito poucos pacientes", aponta Felipe. 

Segundo o médico, a hidroxicloroquina pode atuar em duas frentes contra o vírus. "A cloroquina tem alguns estudos em célula que mostram que ela pode diminuir a duplicação viral. Dentro da célula ela pode diminuir o quanto o vírus se espalha, além do efeito anti-inflamatório. Ela parece ter um efeito direto sobre o vírus e outra na inflamação secundária ao vírus", explica.

Para o pneumologista Renato Matos, seria importante a comprovação da eficácia da cloroquina no combate à Covid-19. Segundo o médico, é uma medicação barata e de fácil acesso. No entanto, ele reforça que todos os estudos feitos até agora são insuficientes. 

"Vamos fazer relação com a pesquisa eleitoral. Vamos supor que aqui em Santa Catarina precisamos indicar uma pessoa para ser governador. Essa pesquisa não é feita em uma única cidade, tem que ser feita em diversas regiões, com classes sociais diferentes, uma busca de amostra mais independente possível. Se fossemos fazer estudo buscando candidato para um partido e fizéssemos uma pesquisa com 30 pessoas que não foram selecionadas ao caso, pode ser aqui do centro de Criciúma, essa pesquisa seria sem fundamentação. Os trabalhos que são feitos (sobre a cloroquina) são parecidos", apontou. 

A expectativa é de que o estudo feito pela Coalizão Brasil, que reúne os principais hospitais do país e tem a participação da saúde de Criciúma, saia o mais rápido possível. "A nossa ideia é de que o estudo seja muito rápido, pela urgência da situação. Centros de São Paulo já incluíram pacientes, a nossa perspectiva é de que em 30 ou 45 dias a gente consiga incluir todos os pacientes nesse estudo. Esperamos muito em breve ter uma resposta".

Contra indicação

A cloroquina tem efeitos colaterais. Nos Estados Unidos, um homem morreu ao se automedicar. A determinação do Ministério da Saúde é de que o remédio seja ministrado apenas nos hospitais, conforme noticiado pela Agência Brasil no dia 28 de março. 

"O ministério, no entanto, alerta para o risco do uso desses medicamentos, que não devem ser administrados fora dos hospitais. Segundo a nota, dentre os efeitos colaterais, estão lesões na retina, prejudicando a visão, e distúrbios cardiovasculares", diz a publicação. 

Tags: coronavírus