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Estado confirma transmissão comunitária de variante do coronavírus

Casos foram registrados em Joinville e Camboriú
Redação
Por Redação Florianópolis, SC, 04/03/2021 - 15:37Atualizado em 04/03/2021 - 15:40
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC), por meio da Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV) confirma a identificação de dois casos de transmissão dentro do estado da variante de atenção P.1. do SARS-CoV2, conhecida como a variante brasileira.

Os casos foram confirmados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/SC) no dia 2 de março que, seguindo o fluxo da vigilância genômica nacional, encaminhou as amostras para o Laboratório de Referência Nacional para Santa Catarina - a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) do Rio de Janeiro - que realizou o sequenciamento genético das amostras, identificando a variante P.1 em dois pacientes, residentes nos municípios de Joinville e Camboriú.

De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), as investigações conduzidas pelas equipes de vigilância em saúde das Secretarias Municipais de Joinville e de Camboriú apontam que os dois casos - todos do sexo masculino com idades de 39 e 68 anos - não tinham registro de viagens para outras áreas do país com transmissão comunitária reconhecida da variante P.1 nos últimos 30 dias, o que caracteriza a transmissão comunitária dentro do estado.

Variante P.1 sequenciada pela UFSC

A equipe da Força Tarefa Covid-19 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) comunicou à Secretaria de Estado da Saúde (SES/SC) que realizou sequenciamento genômico de três amostras oriundas do laboratório do Hospital Universitário da UFSC. Estas amostras foram recebidas no dia 22 de fevereiro, e os resultados do sequenciamento foram comunicados no dia 01 de março para a SES/SC e para a Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis.

A SMS/Florianópolis realizou investigação epidemiológica que confirmou que os casos não tiveram histórico de viagem para outras regiões nos últimos 30 dias, o que pode caracterizar como sendo casos autóctones.
As amostras foram encaminhadas para o Lacen/SC, que as enviou para a Fiocruz do Rio de Janeiro para realizar o sequenciamento genômico, que além de validar a técnica realizada pelo laboratório da UFSC, poderá confirmar a identificação de mais três casos autóctones da variante P.1 do vírus SARS-CoV-2 no estado de Santa Catarina.

Números em Santa Catarina

Até o momento foram enviadas ao Laboratório de Referência Nacional 264 amostras, sendo 222 de monitoramento genômico e 42 de casos suspeitos de infecção por novas variantes de atenção. Com este monitoramento foram sequenciadas 129 amostras de Santa Catarina, sendo identificadas 10 linhagens distintas, a saber: B.1 (outros), B.1.1.1, B.1.1.119, B.1.1.143, B.1.1.28, B.1.1.33, B.1.1.38, B.6, P.1, P.2. Das linhagens/variantes identificadas, foi encontrada apenas um VOC, a P.1, em 8 casos importados e dois casos autóctones até o dia 04 de março de 2021.

Sobre a Rede de Vigilância Genômica em Santa Catarina

O Governo do Estado de Santa Catarina informa que realiza, por meio do Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN-SC) e em parceria com o Ministério da Saúde (MS), a Vigilância Genômica do SARS-CoV-2, que assim como os outros vírus circulantes, sofre mutações esperadas. Com o intuito de monitorar as variantes que circulam em nosso estado, bem como o possível impacto na epidemiologia da Covid-19.

Com a finalidade de avaliar a caracterização genômica viral do SARS-CoV-2, é realizada a seleção de amostras de pacientes com confirmação da infecção pelo LACEN/SC. A triagem amostral é realizada em conjunto com a área técnica responsável pela vigilância da Covid-19 na Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC), para posterior encaminhamento do material tecnicamente viável para os laboratórios de referência em sequenciamento genômico. Para Santa Catarina, o Ministério da Saúde estabeleceu como referência a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ/RJ).

As amostras enviadas para monitoramento genômico seguem alguns critérios específicos: amostras que apresentaram RTqPCR positivo com carga viral alta, pacientes que evoluíram para óbito, amostras de pacientes com sintomas graves, amostras de pacientes com sintomas leves, amostras de pacientes de área de fronteira com outros países.

A seleção é realizada observando a distribuição geográfica, de maneira abrangente, para a vigilância genômica de todo o estado de SC. Além do monitoramento de rotina, são enviadas para Laboratórios de Referência, amostras de casos suspeitos de reinfecção, amostras com resultado inconclusivo, amostras de interesse epidemiológico, como as de pacientes provenientes de locais com circulação comunitária de variantes de atenção (VOC, do inglês, variant of concern) e seus contatos, amostras de pacientes com manifestações atípicas da doença ou em agregados de casos com alta taxa de transmissão.

É importante destacar que o sequenciamento genético não é um método de diagnóstico e não é realizado para a rotina da confirmação laboratorial de casos suspeitos da Covid-19, tampouco é indicado para ser feito para 100% dos casos positivos, contudo a análise do seu resultado permite quantificar e qualificar a diversidade genética viral circulante.

Para a saúde pública, o sequenciamento genético do vírus SARS-CoV-2, aliado a outros estudos, possibilita sugerir se as mutações identificadas podem influenciar potencialmente na patogenicidade, transmissibilidade, além de direcionar medidas terapêuticas, diagnósticas ou ainda contribuir no entendimento da resposta vacinal. Sendo assim, todas essas informações contribuem para as ações de resposta da pandemia.