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De padre a professor: conheça a história de Jorge Daros

Jorge contou, no Nomes & Marcas, as tantas histórias que marcaram os seus 78 anos
Paulo Monteiro
Por Paulo Monteiro Criciúma, SC, 23/11/2019 - 15:19
Fotos: Arthur Lessa
Fotos: Arthur Lessa

Ele é tido por Adelor Lessa como a consciência crítica de Criciúma, um observador nato que está sempre atento ao desempenho de sua cidade. Professor, historiador e ex-padre, Jorge Daros foi o convidado deste final de semana do programa Nomes & Marcas, onde contou um pouco da sua história que é marcada, sobretudo, por um enorme amor pela cidade criciumense.

Nascido em Criciúma e filho de católicos praticantes, Jorge sempre foi uma pessoa dedicada e apaixonada pelos estudos. “Li todos os livros da pequena biblioteca que tinha em minha escola”, confessou. Aos 12 anos de idade, o professor saiu de Criciúma para estudar em um seminário em São Ludgero, incentivado por um padre que, segundo Jorge, despertou a sua vocação seminarista.

Foram mais de 10 anos como seminarista entre as cidades de São Ludgero, Tubarão e Curitiba, 12 anos como padre e quatro anos como vigário de Morro da Fumaça- uma vida muito boa, porém com suas ressalvas, segundo Jorge. 

“A vida de padre é a melhor que tem, é muito bacana, porém preciso ter vocação, gosto e estar desprendido de tudo. Eu tinha a vocação e me dediquei totalmente aquilo que decidia fazer, porém um sentimento de solidão sempre me acompanhava, isso a partir de 3 anos como padre. Daí em diante, passei noves anos com um sofrimento interior muito grande que pensei que iria superar, mas chegou um certo ponto que isso estourou e eu resolvi sair”, comentou o professor, que abandonou o cargo aos 39 anos.

Deixar de ser padre foi uma decisão que aborreceu o pai de Jorge, mas não a si mesmo. “Eu nunca me arrependi de ter saído, foi a melhor coisa que eu fiz”, afirmou. Após a decisão, novas oportunidades se abriram para o criciumense, que saiu da cidade para estudar filosofia e acabou, até mesmo, casando.

“Eu já conhecia a minha esposa a bastante tempo, mas não passava de amizade. Ia muito visitar meus parentes na serra de urubici, onde ela morava, e casamos um ano e meio depois de eu ter deixado de ser padre. Casamos na igreja de Urubici com testemunha e tudo”, relembrou.

Enquanto professor, Jorge deu aulas de psicologia, filosofia e sociologia, trabalhou no Colégio Michel e se aposentou na Unesc, em 2007, tendo como mérito a criação do serviço de apoio e orientação ao estudante na universidade.

Aos 78 anos, Jorge Daros relembra nomes marcantes que contribuíram para fazer de Criciúma um lugar melhor - como o Padre Estanislau, Domício Freitas, Ruy Hulse, Paulo Praes e Altair Guidi - e comenta sobre suas principais lembranças da cidade que tanto ama. “As minhas melhores memórias sempre foram ver Criciúma desenvolvida. Quando eu estudava fora da cidade, voltava para Criciúma e sempre tinham coisas novas e construções diferentes. O crescimento econômico, social e físico de nossa cidade é extraordinário”, concluiu Daros.