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De jogador de futsal a bancário: Deputado Julio Garcia conta causos de sua vida

Político foi atleta de destaque e chegou a ser campeão estadual dentro das quadras
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 03/03/2019 - 15:05
(fotos: Arthur Lessa)
(fotos: Arthur Lessa)

Com cinco mandatos de deputado no currículo, ele certamente é um dos políticos mais experientes do estado, até mesmo por isso foi eleito três vezes presidente de Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Natural de Florianópolis, passou por Tubarão e Porto Alegre, até firmar residência em Criciúma. Julio Garcia foi o entrevistado deste fim de semana do Nomes & Marcas.

“Eu acho que o respeito as pessoas e aos adversários faz parte da vida da gente e a política tem muito disso. Se você é leal na política você é leal na sua vida também, então eu acho que isso é fundamental. As pessoas dizem que sou leal, que sou articulado, mas há um certo exagero nisso. Eu gosto de afirmar o respeito pelas pessoas e o respeito que ganho de volta”, comentou.

Julio Garcia acabou se tornando político por causa do futsal, era jogador amador de destaque e foi trabalhar no antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) para jogar na equipe da empresa. Por lá conheceu Jorge Bornhausen, quem o levou à política. Antes teve a trajetória no Besc: “Em oito anos eu fui de office-boy a diretor”, revelou.

Julio Garcia jogador de futsal

Jogador desde garoto, com 17 anos Julio Garcia já atuava entre os adultos. Naquela época a modalidade era conhecida como futebol de salão e ainda não era profissional. Gostava de jogar na linha, mas acabou parando no gol. “Logo no início do campeonato faltou um goleiro, eu acho que não jogava muito bem na linha e me pediram para substituir o goleiro, fui muito bem e a partir dali virei goleiro”, contou.

Quando jogador, atuava em um time formado por amigos. A equipe chegou longe e venceu o Campeonato Catarinense. Então, Garcia foi convocado à Seleção do Estado, para uma disputa nacional. “Fui vice-campeão brasileiro de futebol de salão, perdemos para o Ceará, que tinha um time espetacular. Era muito amador naquela época. Futebol de salão depois se tornou profissional, mas não peguei essa época”, lembrou.

Do futsal para o banco

O sucesso no esporte deu outro rumo a vida de Julio Garcia. “Eu entrei no Besc para jogar no time de futebol de salão. Me dei bem na profissão, eu tinha formação de técnico em contabilidade e fui exercer a função logo no segundo ano de banco, aí fui para Porto Alegre”, revelou o político.

No banco ele queria se tornar gerente e vir para alguma agência do Sul, a proposta veio, mas era para ir a Xanxerê, onde ficou por dois anos. Em 1980 conseguiu transferência para a unidade do Besc em Tubarão, ficando até 1983, quando assumiu a diretoria de crédito geral e câmbio do banco do estado.

Na nova função passou a ter contato com Jorge Bornhausen e Esperidião Amin. Segundo ele, Bornhausen colocava questões de política no banco, instigando os bancários a entrar no ramo. “Todos que trabalhávamos no banco éramos muito estimulados a concorrer em eleição. Eu acabei entrando e me dei bem na política”.

O início na política

Nenhum familiar de Julio Garcia era envolvido com política. Em 1985 foi um dos fundadores do Partido da Frente Liberal (PFL) e no ano seguinte disputou a sua primeira eleição para deputado estadual. “Se eu conhecesse o que era uma campanha naquela época jamais teria aceitado”. Hoje ele mudou de ideia e pensa que ser político é o seu destino.

Foi eleito novamente em 1991, em 1999 e 2003. Depois se afastou e foi para o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC), retornando em 2018. “Se eu tivesse que escolher hoje novamente eu escolheria, tanto é que eu voltei. Quando eu decidi voltar, tive a certeza absoluta que era isso que eu faria em qualquer momento da minha vida”.

Mesmo afastado, assim que retornou a Alesc foi eleito presidente por aclamação. “O que eu me orgulho dessa eleição é que todas as conversas que eu tive foram republicanas e 100% publicáveis. Se a nossa Assembleia não é a melhor, mas pelo menos faz com dignidade e com seriedade”, garantiu. Disse ainda que viajou antes da eleição e não precisou de muita articulação.

E a velha política?

“Eu acho que o que houve de errado no Brasil foi generalizar. Temos políticos sérios, a história de Santa Catarina é recheada de políticos sérios. Santa Catarina não é o estado que é por suas belezas naturais, é porque teve líderes políticos que construíram melhor, como Jorge Lacerda, Antônio Carlos Konder Reis, Jorge Bornhausen, Esperidião Amin, e eles eram políticos”, citou.

Aos 68 anos, o deputado ainda não enxerga a velhice. “Eu vi na campanha que ser jovem é ter a capacidade de sonhar, se isso é verdadeiro eu tenho 18 anos. Quero construir uma sociedade melhor, tenho muito tempo pela frente. Quero construir uma sociedade melhor e dar a minha contribuição”, comentou Julio.

A vida em Criciúma

“Eu praticamente morei 10 anos em Criciúma. Vim para cá com a missão de organizar o partido e isso me deu uma relação muito grande. Quando fui para o Tribunal de Contas que me afastei, mas tenho uma relação muito grande com Criciúma. É uma cidade que eu gosto, tenho meu apartamento aqui, meu domicilio eleitoral é aqui e isso me deixa muito feliz”.
Quais as melhores lembranças da política?

“São tantas, eu tive uma melhor do que a outra. Eu tive duas derrotas, perdi duas eleições. Eu disputei sete e perdi duas. Essas duas derrotas me trazem boas lembranças, que foi onde eu aprendi. Quando a gente acha que virou o rei da cocada preta, que sabe tudo, aí a gente vem e toma uma derrota, aprende para caramba, a humildade passa pelo corpo da gente e ajuda a construir o futuro”, afirmou.

Para ele o momento mais importante de sua carreira foi a Lei Julio Garcia, que criou o Fundo de Desenvolvimento Social (Fundosocial), possibilitando uma nova realidade para as Apaes do estado. “Esse movimento carecia de apoio. Eu pensava em ajudar, com determinados recursos pequenos, pontualmente, como se estivesse com problema num telhado. Comecei a achar muito pouco e então fui pesquisar e criei essa Lei”, concluiu.