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Covid-19: “A sensação é que estamos voltando no tempo”

Essa é a impressão da criciumense Vanessa Lapolli, que vive na Itália. País sofre com a segunda onda da pandemia
Marciano Bortolin
Por Marciano Bortolin Criciúma, SC, 21/10/2020 - 10:02Atualizado em 21/10/2020 - 10:53
Reprodução
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A Itália foi um dos países mais afetados e entre os que mais sofreu com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O alívio - mas ainda com a tristeza pelo que o país passou – veio meses depois com a diminuição dos casos novos. Porém, este alívio passou a dar lugar novamente ao temor, com o crescimento dos pacientes positivados e a iminente chamada segunda onda. 

Criciumense, mas que mora na Itália, Vanessa Lapolli relatou a tensão vivida no país do Velho Mundo. “Os italianos estão com bastante medo, receio, isso é bem visível. Conversando com amigos, conhecidos e colegas de trabalho eu percebo bastante isso. A Itália acabou sendo o epicentro, mas conseguiu administrar muito bem no começo a situação e agora as pessoas estão conseguindo entender que é sério e estão respeitando as regras de distância, estão usando a máscara. Tem um certo medo, porque a sensação é que estamos voltando no tempo”, comentou em entrevista ao jornalista Adelor Lessa, da Rádio Som Maior.

Ela contou que o presidente italiano fez um novo decreto com restrições na busca por conter o avanço do vírus. “Nesta quinta-feira sai um novo que estão dizendo que vamos viver um novo mini lockdown. Das 23h atá as 5h, não poderemos sair de casa, exceto com certificação que é a trabalho ou saúde. Restaurantes fecharão às 23h. A situação dos restaurantes e bares será critica novamente. Nos preocupamos com o turismo porque perto do Natal muitas pessoas iam para a Itália também. A restrição será em toda a Itália, mas cada governador tem a liberdade de aumentar as restrições”, falou.

Do setor de eventos, Vanessa disse que este é um ramo que tem sofrido, assim como no Brasil. “Para quem organiza eventos, a situação não foi fácil, porque tendo que trabalho praticamente só com eventos online, a gente viveu uma situação diferente. Eu vi que as pessoas deram a volta por cima. A gente conseguiu manter o cotidiano do nosso trabalho. O governo ajudou muito os pequenos e médio empresário, deram algumas facilitações aos empresários, alguns empréstimos”, citou.

Dos tempos em que Vanessa podia interagir com o seu violão e as crianças

Ela lembrou que os eventos haviam sido liberados em partes. “Por exemplo, a Semana da Moda que os desfiles foram fechados com certo número de pessoas, os eventos esportivos com poucas pessoas. Está sendo difícil porque é muito diferente fazer o evento presencial e depois se deparar com a obrigação de fazer eventos online. Estava havendo uma mínima possibilidade acontecer shows, mas agora com os novos decretos não achamos que isso possa acontecer”, destacou.

Sem visualizar o futuro

Com essa sensação de voltar ao passado, fica mais complicado visualizar o futuro. “A realidade é que não se consegue visualizar o futuro ainda. Não conseguimos ter esta visão. As autoridades sanitárias estão lançando um alarme dizendo que não estão conseguindo rastrear as pessoas contaminadas pela Covid-19, então eles não têm a capacidade de colocar estas pessoas em isolamento e isso já assusta. Estão pedindo para que as pessoas com o mínimo de sintomas e que tiveram contado com quem foi contagiada se auto isolar”, falou.

Vanessa visitando o professor Geraldo Góes, em Criciúma

Preocupação dos italianos é maior que a dos brasileiros

Vanessa lamenta a pouca importância dada pelos brasileiros à pandemia. “Vejo uma grande diferença. Vejo que aqui as pessoas não estão dando uma importância para o vírus. Na Itália as pessoas se preocupam um pouco mais e isso de certa forma me deixa triste porque há uma certa indiferença ao coronavírus no Brasil. Não estou falando só de Criciúma, em São paulo, Florianópolis e vi isso nestas cidades também”, finalizou.

Confira a entrevista na íntegra:

Tags: coronavírus