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Murialdo: "liberar pode jogar por terra o trabalho realizado"

Prefeito de Içara mantém posicionamento do governo do estado e critica postura de Bolsonaro no combate ao Covid-19
Heitor Araujo
Por Heitor Araujo Içara - SC, 26/03/2020 - 10:52Atualizado em 26/03/2020 - 10:58
Foto: Arquivo / Reprodução
Foto: Arquivo / Reprodução

O prefeito de Içara, Murialdo Gastaldón (MDB), criticou o desencontro de informações entre os órgãos públicos e a postura do presidente Jair Bolsonaro no combate ao coronavírus. O posicionamento da prefeitura de Içara, neste momento, é seguir o decreto estadual, que suspende os serviços não essenciais até a semana que vem, ao contrário do que especulou Bolsonaro em pronunciamento na terça-feira, pedindo que o país "retorne à normalidade".

"Não está na hora (de diminuir o isolamento). Está muito ruim os desencontros das autoridades públicas. O presidente dá uma orientação e o governador outra. A orientação do presidente eu não sei inspirada em quem, não sei quem o orienta. O governador do estado eu sei que é um grupo de infectologistas. Entre orientações de médicos e pesquisadores, ficaremos com o que determina o governador", disse Murialdo em entrevista ao programa Agora, da Rádio Som Maior, nesta quinta-feira.

A avaliação de Murialdo é de que o retorno "à normalidade" poderia ruir o que foi construído na região. Em Içara, até o momento, há apenas uma confirmação do Covid-19. 

"Isso (retornar as atividades) pode jogar por terra todo o trabalho realizado. A orientação do governador é de que as pessoas permaneçam em casa até terça-feira, com base no que médicos, cientistas, pesquisadores e universidades informam. Se buscam medidas para que a economia continue funcionando, não se pode liberar geral", afirmou o prefeito, que acrescentou que, se não for mantida a política atual, Santa Catarina pode igualar-se a São Paulo.

O prefeito foi contundente na crítica ao posicionamento de Jair Bolsonaro. "A irresponsabilidade é impressionante no tratamento desse assunto na esfera federal. No é hora de fazer política, proselitismo e disputa ideológica. É questão de saúde pública", declarou.

"O enfrentamento precisa ser cooperativo. Entre governo do estado, secretarias de saúde, hospitais e participação da sociedade. É isso que nos dá condição de nos blindar desse problema. Tem consequência na economia, educação e sociais. As pessoas dessas outras áreas têm que nos apontar, em um debate sério, de que maneira faremos essa convivência para superar o momento que atravessamos", concluiu. 

Tags: coronavírus