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Covid-19: vírus deve ter chegado antes no Brasil, mas não se desenvolveu

Em SC, doença pode ter vindo tanto de países estrangeiros quanto do próprio sudeste do país
Paulo Monteiro
Por Paulo Monteiro Florianópolis - SC, 22/05/2020 - 15:26Atualizado em 22/05/2020 - 15:28
Foto: divulgação
Foto: divulgação

Por mais que o primeiro caso positivo do novo coronavírus só tenha sido confirmado em 26 de fevereiro, é possível que a doença já tivesse passado por aqui - mas sem se desenvolver. De acordo com o virologista e doutor em Ciências Biológicas, Daniel Santos Mansur, o fato já foi comprovado na França e, possivelmente, tenha ocorrido em solo brasileiro também.

“Hoje sabemos que na França esse vírus foi introduzido tão cedo quanto dezembro, logo depois de ter aparecido. Mas acontece que várias introduções da doença não funcionaram, não serviram para começar uma epidemia, e provavelmente aconteceu a mesma coisa no Brasil. Ele deve ter chego várias vezes, possivelmente através de aeroportos, mas sem que a introdução funcionasse. Até que ele encontrou algum hospedeiro suscetível e iniciou-se a pandemia”, colocou.

De acordo com o virologista, enquanto no Brasil o Covid-19 provavelmente veio importado da Europa, China ou Estados Unidos, em Santa Catarina, especificamente, ele pode ter vindo do sudeste do país. “Sabemos que em SC tivemos várias pessoas que vieram do exterior e ficaram doentes, mas não sabemos se foram elas de fato que iniciaram a transmissão. Temos a epidemia começando mais cedo em São Paulo e Rio de Janeiro, e sabemos do fluxo destes estados com Santa Catarina, então apesar das viagens internacionais, o coronavírus pode ter vindo do sudeste para cá”, disse.

Há razão de estados como São Paulo e Rio terem sido focos da doença no Brasil pode se dar a grande concentração de pessoas, as quais estão muitas vezes dispostas nas ruas e em metrôs. Em Santa Catarina, de acordo com o virologista, a falta dessa aglomeração e a suspensão de atividades precoce pode ter ajudado para uma “tranquilidade” em relação aos casos da doença.

“No sul a gente tem uma densidade menor. Até mesmo a capital e outras grandes cidades não possuem metrô, não se tem essa quantidade de circulação de gente - e isso pode ser uma das características principais que nos leva a não ter um surto tão grande”, pontuou.

O transporte público, segundo Daniel, é um dos meios mais propícios para propagação do vírus - e é preciso uma série de cuidados para que sua volta seja restabelecida. A pior coisa para esse vírus é a concentração de gente. O transporte coletivo é um dos centros de transmissão, assim como as escolas. Por isso deve-se ficar atento a lotação e principalmente ao uso de máscaras nesses ambientes”, disse.

Tags: coronavírus