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Covid-19: A falta do medicamento que preocupa pacientes

Entubados precisam de um neuro bloqueador que está em falta. Hospitais precisam pedir o Atracúrio emprestado
Marciano Bortolin
Por Marciano Bortolin Içara, SC, 17/06/2020 - 17:41Atualizado em 17/06/2020 - 18:25
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Internado no Hospital São Donato (HSD) de Içara desde o dia 27 de maio, Flávio de Luca, de 65 anos, testou positivo para o novo coronavírus (Covid-19), precisando ser entubado na sequência. O filho dele, Lucas de Luca, diz que o quadro é grave. Flávio precisa ficar pronado, ou seja, de barriga para baixo, para que o pulmão consiga respirar melhor com ajuda do aparelho.

“Porém para que ele fique pronado, é necessário um remédio neuro bloqueador, para que ele não lute contra o respirador. Esse medicamento está em falta nacional e acabou ontem (terça-feira) no Hospital São Donato. Tentaram uma transferência de hospital para Araranguá, o único da região que o aceitou como paciente, mas o Samu não quis correr o risco, pois o meu pai não estava estável o suficiente e poderia não sobreviver a esta transferência”, revela.

O medicamento em questão é o Atracúrio, utilizado como bloqueador neuromuscular. Em cirurgias utiliza-se como complemento de anestesia e facilitador da intubação endotraqueal, pois promove o relaxamento muscular durante atos cirúrgicos ou ventilação mecânica. 

HMISC emprestou

Lucas fala também que alguns hospitais possuem o medicamento, mas se recusam a emprestar ou vender com medo que falte para eles também, já que o remédio está em falta nacional. “Procuramos a Secretaria da Saúde hoje (quarta-feira) e conseguimos uma quantidade emprestada do Hospital Santa Catarina de Criciúma (HMISC), mas ainda é pouco. Conseguimos também um pouco em Florianópolis, mas precisamos garantir que ele tenha uma chance de lutar pela própria vida e não que ele fique refém de se há ou não medicamento o suficiente para ajudá-lo”, salienta.

Ele relata ainda que existem medicamentos similares, mas está difícil conseguir uma quantia que garanta que Flávio tenha tempo suficiente para se recuperar. “Está sendo uma luta, mas estamos atrás de todos os contatos possíveis”, conclui.

A assessoria de comunicação do HSD confirma a falta no mercado e que o medicamento que a unidade hospitalar tem atualmente foi conseguido com outros hospitais e está sendo utilizado no paciente de Covid-19 que exige o tratamento com o remédio. Os demais pacientes, que não são positivos para coronavírus, estão utilizando sedativos.

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