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* as opiniões expressas neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do 4oito
Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 08/10/2021 - 20:08Atualizado em 08/10/2021 - 20:28
Poses para a eternidade: momentos que não voltam nunca mais

Em tempos de selfies, redes sociais e bluetooth, tudo é registrado muito rápido. Porém, na mesma intensidade em que clicamos, descartamos também muito fácil. Lixeira, excluir imagens, apagar arquivos. Memória cheia precisa de espaço e lá se vão fotografias que talvez, um dia, teriam um significado gigantesco para serem dispensadas.

Quando a vida vai bem, família com saúde e todos ao redor da mesa, a gente nem dá bola pra isso. Muito pelo contrário. Se irrita com aquela tia que quer registrar tudo. Tudo de tudo. Tintim por tintim. Ou com o tio da câmera profissional, que nem profissional é, mas sempre chega com seu equipamento de última geração e sorriso de orelha a orelha, filmando a avó anfitriã, o sobrinho espoleta e a madrinha atarefada.

E de repente você pisca e a morte bate na sua porta. Assim, sem avisar. É quando começa a rodar na cabeça o famoso filme da vida. “Qual foi a última vez que eu a abracei? Que eu disse que a amava? Que dia era aquele em que fomos juntas ao shopping e nos divertimos tomando sorvete? E o nosso último almoço juntas? Quando foi sua última ligação pra mim? Tiramos fotos aquele dia?”. Fotos! Aquelas fotos que você reclamava tanto em tirar foram o que restaram, materialmente falando, para lembrar todos os momentos felizes que vocês viveram juntas.

Minha mãe adorava selfies. Adorava, não. Minha mãe amava selfies. Bastava passar um batom e se sentir bonitinha para começar a chuva de poses e cliques. Em datas especiais, como Natais e aniversários, eram horas e horas dedicadas aos registros. Obrigada, mãe! Hoje é o seu perfil no Instagram que me permite matar um bocado de saudade ao ficar passeando em seus posts, admirando seu sorriso e suas mensagens deixadas ali, na internet, em forma de fotografias inúmeras vezes julgadas por mim: “Tá, mãe, chega de foto!”.

Poucas coisas me fazem tão feliz do que receber uma fotografia dela (impressa, digital, não importa). Já se passaram seis anos de sua morte. Ou seja, já são seis anos sem nenhuma foto nova em meu álbum ou rolo de câmera. Esse distanciamento visual é meio perturbador. Você não consegue mais renovar seu estoque de imagens. O tempo vai correndo e todas as suas homenagens dedicadas a ela, por exemplo, serão feitas com as fotografias que ficaram.

Felicidade é sair em busca dos cliques feitos ao seu lado. No computador, em CDs antigos, em marcações nas redes sociais, naquela câmera fotográfica digital antiga perdida em algum canto. É ir pra casa do pai e passar um tempão revirando as caixas de fotos e abrindo álbuns nostálgicos, com ela grávida de mim, comigo pequeninha em seu colo, com a família toda juntinha, como nunca mais conseguiremos estar. É vê-la me espiando todos os dias, na porta da geladeira, naquela imagem de semblante sereno, sorrindo com os olhos. É assistir a vídeos de encontros familiares, ouvindo sua voz e admirando toda sua graça em frente à câmera. É abrir seu álbum de formatura e lembrar de como ela lutou para chegar naquele dia, vestir aquela beca e posar para aquelas fotos. É folhear os meus álbuns de juventude e nele encontrar momentos tão simples em sua companhia, como uma foto na cozinha ou no sofá, mas tão valiosos, que enchem meu coração de alegria e saudade.

Mas felicidade maior ainda é ter quem a gente ama por perto. Valorize a tia que vive soltando o flash na sua cara. Valorize o tio equipadão que mobiliza a família de um lado para o outro para captar os melhores ângulos e a melhor iluminação. Valorize as selfies bobas de sua mãe. Um dia, ela não estará mais aqui e você vai vibrar toda vez que encontrar retratos como esses que eu tenho aos montes da minha.

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 24/09/2021 - 21:31Atualizado em 24/09/2021 - 22:08
Mantra pra vida: que percamos o foco, mas nunca o objetivo

Segundo o dicionário, foco é um substantivo masculino que significa a nitidez de uma imagem, a visão de um objetivo bem definido, o centro e o ponto de convergência. Já a expressão “fora de foco” indica que a imagem está embaçada, que saiu da zona de nitidez de uma lente. No sentido figurado é aquilo que está fora de prioridade. E prioridade é algo que passamos a valorizar muito na vida adulta, já que, quando mais novos, vale tudo. Estamos iniciando a caminhada e o “tanto faz” ou “tanto fez” faz parte do jogo.

Com o passar dos anos, a rebeldia da juventude perde força e espaço e nos vemos envoltos em responsabilidades e deveres até então desconhecidos. As contas para pagar, o concurso para passar, o filho para criar, a saúde para melhorar, a decisão para tomar, o sonho para realizar. Nada disso é possível sem que tenhamos foco. Objetivo. Prioridade. Paciência. Persistência. 

Steve Jobs já dizia que foco é dizer não. E por que é tão difícil dizê-lo? Porque somos imediatistas. Impacientes. Queremos tudo para agora, para já. A prazerosa (e mentirosa) recompensa imediata. O mau hábito nos proporciona isso. Achamos ruim pagar 250 reais num pote de suplemento, que trará benefícios saudáveis futuramente, mas não reclamamos de desembolsar o mesmo por três garrafas de vinho na mesma noite, que entregará um prazer instantâneo, disfarçado de felicidade. Achamos chato desconectar do celular e enfiar a cara nos livros para estudar para aquele concurso tão almejado, que mudará nossas vidas, mas não classificamos entediante passar horas largados no sofá e no Instagram espiando a vida alheia, que não nos diz respeito e não nos agrega nada.

Todo mundo conhece alguém que inicia alguma atividade e nunca conclui. Sempre desiste no meio do caminho. O curso de inglês. A aula de violão. A matrícula na academia. Os procrastinadores de plantão. A turma do “segunda-feira eu começo”.

E todos nós também conhecemos pessoas vitoriosas, que se propõem a realizar algo e assim o fazem com maestria. O atleta que abdica da própria vida social para conquistar seu objetivo e voltar de um campeonato trazendo a medalha. A amiga que passou a recusar convites para sair na balada e hoje é feliz pessoal, profissional e financeiramente, pois conseguiu uma vaga naquela lista seleta de aprovados. O tiozinho do bairro que economizou na cerveja e muitas vezes faltou ao churrasco da vizinhança para realizar o sonho da casa própria.

Mas nenhum de nós conhece alguém que venceu na vida sem esforço. Por trás de todo campeão existiu uma meta traçada que, dia após dia, passo a passo, foi lapidada até ser alcançada. Seria mais fácil e agradável não precisarmos de tanto empenho e dedicação? Seria, mas não é. Nem tudo é como a gente quer. Só colhe os louros da vitória quem se submete aos processos de plantação e cultivo. E nem sempre eles são gentis. Falei bonito, né?! 

Beijo e até sexta que vem!
 

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 17/09/2021 - 20:33Atualizado em 17/09/2021 - 20:47
Iris Apfel: vida longa aos que sabem viver 

Ícone da moda, Iris Apfel, a badalada designer de interiores que possui dois milhões de seguidores na sua cola, completou recentemente 100 anos e teve sua foto de aniversário viralizada nas redes sociais. Nela, a “vovózinha” que faz sucesso na internet aparece plena, em um vestidão de poá preto e branco, batom, unhas vermelhas, muitas pulseiras e colares, em meio a balões prateados e três coloridos que revelam o número mágico: 100. Sua legenda explica o por que de tanta magia: “Não é todo dia que você chega aos 100 anos... Que comecem as celebrações!”.

A Iris é a prova viva (vivíssima!) de que a nossa idade é apenas um número. E que tem muito mais a ver com leveza do que com envelhecimento. O mercado da beleza está aí nos oferecendo inúmeros procedimentos estéticos, de antirugas a preenchedores sem fim, mas ninguém vem nos oferecer leveza. Isso não está à venda porque, ao contrário das receitas prontas que prometem 10 anos a menos em frente ao espelho, a leveza vem de dentro. Nós somos os próprios fabricantes dessa fórmula exclusiva que tantos almejam, porém nem todos possuem. E conviver com gente leve é uma delícia!

Gente leve não leva a vida muito a sério porque sabe que daqui não levaremos nada. Topa ser companhia e dividir um uísque do bom em um baile de gala e não reclama em beber uma pinga baratinha com ovo de codorna em conserva no boteco da esquina. Usa a rede social para falar de coisas boas e não para externar suas frustrações na tentativa de chamar a mais tola das atenções. São aquelas pessoas que o sorriso chega antes. É o tipo de gente que é leve justamente porque vê beleza nos detalhes. Independente da quantidade de anos vividos.

Os nossos pais, por exemplo, já tiveram a nossa idade. E é bem comum, quando adolescentes (leia-se “aborrescentes”), fazermos piadas com os mais velhos. Quem nunca torceu o nariz para alguma atitude materna/paterna, que, sob nossos olhos bobinhos, não condiziam com a data de nascimento que eles carregavam no RG?! “Ai, mãe, que vergonha!”.

Tem gente que cresceu e continua assim. Julgando, criticando, apontando o dedo para quem é feliz. Ou melhor: para quem é leve. Gente que prefere o amargor da vida às delícias que a mesma possa oferecer. Que cresceu, mas não evoluiu. Para cada solução, um problema. Sabe gente azeda? Bingo!

Hoje mesmo eu estava assistindo a uma entrevista da Narcisa Tamborindeguy e fui cativada por sua leveza. Coincidentemente, seu melhor amigo, conforme contou, era o cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Porém a beleza da socialite não está na pele esticada e nem nos cabelos bem tratados. Narcisa é bonita porque é divertida, carinhosa e generosa. Uma mulher incrível, com diplomas em Jornalismo e Direito, que de louca não tem nada. Louca é a vida que, segundo ela, é também absurda, porém divina.

Que possamos desfrutar a divindade e leveza das nossas, não importa se aos 20, aos 40, aos 70 ou aos 100.

Um beijo e bom fim de semana!
 

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 10/09/2021 - 20:43Atualizado em 10/09/2021 - 20:55
Samer Agi Do Avesso: amor em frente e verso

Estava pensando em escrever sobre o amor, até cruzar com ninguém menos do que Samer Agi, o juiz de Direito que cativa a internet com suas palavras e conselhos amorosos, possui uma legião já com meio milhão de fãs e, de prontidão e muito educadamente, aceitou o convite do Programa Do Avesso para bater um papo que fugisse das questões jurídicas e falas robustas, nesta sexta-feira.

Ao som de “Monte Castelo”, do Legião, que diz que “o amor é bom, não quer o mal”, entramos no ar às 13 horas de hoje comigo recitando um texto do filho ilustre de Anápolis (GO), muito elogiado pela audiência obviamente pelo fato do escritor criativo traduzir de maneira ímpar e cirúrgica esse sentimento universal.

Portanto, com a permissão do autor, peço licença aos meus leitores para reproduzir, nesta semana, sua mensagem que tocou tantos e muitos e diversos e vários corações:

“Amar é agir. Qualquer coisa diferente disso não é amor. Falar de amor é descrever... Gestos.

Amor é o pai que carrega o filho nas costas a caminho da escola. E, anos mais tarde, amor é o filho que carrega o pai no colo a caminho do hospital.

Amor é a flor entregue sem motivo em plena quarta-feira. E carros, joias e viagens mais tarde, o amor continua sendo a flor entregue sem motivo em plena quarta-feira.

O amor não evita o cansaço. Ele evita a descrença. É muito diferente. Quem passa a noite com o filho no hospital, sai de lá cansado. Mas, ainda assim, sai de lá crendo na cura. O amor é otimista.

O amor não dispensa as lágrimas. E, ao amor, pouco importa se elas provêm de tristeza ou de alegria. Ao amor, interessa apenas que elas sejam honestas. Se não forem honestas, não é amor.

Amor é, depois de ter sido reprovado doze vezes no mesmo concurso, prestar mais um. Por quê? Porque ser juiz não é status. É missão. E missão dada é missão cumprida.

O amor é sacrificante. O maior sinal de amor foi um sacrifício. Um sacrifício feito há uns dois mil anos. Se não há sacrifício, não é amor.

O amor torna tudo pequeno. Tudo superável. O amor é, na maioria dos casos, a única chave da superação.

É por amor que a mulher perdoa o marido pela milésima vez. E é por ter acabado o amor que ela põe fim ao casamento. O divórcio não acaba com o casamento. Ele é apenas a certidão de óbito de um casamento que morreu há tempos.

O amor é um mágico. O amor transforma a ofensa em combustível. Transforma o estudo em prazer. Transforma a provação em estilingue, que vai levar você para muito mais longe.

O amor transforma você em um vencedor. Não pela vaidade de vencer. Mas porque vencer faz parte de toda história de amor.”

Obrigada por isso, querido Samer.

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 03/09/2021 - 19:15
Essa é a Monike: uma amizade gostosa pra caramba!

Oi, Mô!

Me deram a missão de te escrever algumas palavras. Tarefa fácil quando se trata de uma pessoa tão especial como tu.

E eu já começo essa carta me emocionando ao saber que o Xtreme foca também no desenvolvimento da inteligência emocional – temática que nossa Lis já abraçava antes de todo mundo, né?! Linda!

Em tempos tão malucos, ver uma amiga tão querida buscando uma transformação pessoal me inspira. Afinal, de que adianta estarmos nesse mundo, se não for para nos tornarmos pessoas melhores?! Não somente para nossos amores, mas, principalmente, para nós mesmos. Ir deitar todos os dias com a certeza de que entregamos nosso melhor. Saber reconhecer nossos erros e tropeços, com a humildade de, no dia seguinte, levantar, reaprender e tentar de novo. Recuar sem culpas. Perdoar de verdade.

Viver, penso eu, é sobre isso.

Porém evoluir dói. E a grande maioria fecha os olhos porque sabe disso. Prefere fugir, fingir e não sentir. E, vamos combinar, tem coisa pior do que não sentir?! Mais uma vez cito ela, minha mãezinha: “Que bom que estou sentindo, sinal de que estou viva!”.

Não sei em qual momento do treinamento tu estais recebendo essa cartinha, mas com certeza já sentisse um pouco de todo aquele mix de emoções da vida adulta e eu espero que, ao ler o meu “oizinho”, tu sintas alegria.

Porque alegria é o teu sobrenome. É a tua alegria que contagia e faz mais feliz quem tem o privilégio de conviver contigo. É a tua alegria que nos fez amigas, confidentes e comadres (minha gratidão eterna!). É a tua alegria a responsável por num futuro próximo (mensagem subliminar), ao rever fotos antigas, eu apontar pra ti e dizer pro meu filho: “Foi com ela que eu dividi os momentos mais divertidos da minha vida!”.

“Tu tá chorando???”, disse o Wagner aqui do lado, agora. 

Siiiiiiimmmmmm! Porque tem choro que é pura alegria.

Te amo, meu anão!

Mostre pros xtremers tua habilidade e liderança em nos fazer sorrir.

Com amor,

Pity.
 

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 27/08/2021 - 20:52Atualizado em 27/08/2021 - 21:26
Heriberto Hülse, 2017: aos sete anos, os olhinhos do Vini já brilhavam

O primeiro beijo. Um emprego novo. Uma apresentação em público. Aquela viagem tão esperada. Fala-se muito na expressão “frio na barriga”, mas hoje eu quero canalizar nosso olhar para outra, inclusive bem parecida: o brilho nos olhos. Dizem que a boca fala do que o coração está cheio. O que dizer dos olhos, que mesmo sem falar revelam tanto?!

O Artur veio ao meu encontro sorrindo. Era uma manhã de segunda-feira e, a convite do Colégio Marista, eu participava de uma roda de conversa sobre a minha profissão para os alunos do terceirão. Ele me chamou, falou seu nome e disse ser meu ouvinte – o que já me deixou feliz, visto que os jovens de hoje em dia estão mais na internet do que no rádio. Durante o bate-papo, um rapaz perguntou como eu fazia para selecionar meus entrevistados e eu respondi que qualquer um poderia ir ao programa porque todos nós temos uma história para contar. Além de se apresentar, o Artur veio me dizer que adoraria ser entrevistado, pois sua história era muito legal. Muito mesmo, muito de verdade, ele reforçou. O Artur tinha mais do que uma história. Ele tinha brilho nos olhos.

Um time de catorze amigas, que se conheciam há mais de 50 anos. Praticamente uma vida inteira de amizade. Quatro delas foram à rádio participar de uma entrevista comigo e contar como se deu esse reencontro. A mais tagarela. A mais namoradeira. A mais quietinha. Ficaram uma hora relembrando os momentos inesquecíveis que viveram juntas e que, graças à internet, puderam se reaproximar. Depois de uma festa do pijama em um fim de semana na serra e dos maridos também em sintonia, agora elas se preparam para serem fotografadas em um book que celebrará seus 60 anos. Era notória sua felicidade ao compartilharem aquela união com a audiência. Elas tinham mais do que uma história. Elas tinham brilho nos olhos.

Eu conheci o Vinicius em 2017, no Heriberto Hülse, quando fazia a reportagem no campo com os torcedores do Criciúma. Ele adorava futebol e ia sempre aos jogos com seu pai. Dia desses, sua mãe me chamou para informar que, hoje com 11 anos, ele foi selecionado para jogar no time de base do Internacional, em Porto Alegre. Entrevistei o Vini por telefone e ele me contou desse sonho que estava vivendo, a 280 quilômetros de casa. Falou de Deus de uma maneira tão respeitosa e com uma fé tão bonita que cativou quem estava sintonizado na Som Maior. O Vini tinha mais do que uma história. Ele tinha brilho nos olhos.

Antes de se tornar procurador do Ministério Público, o Bruno foi baixista por seis anos da Fresno, uma banda de rock gaúcha que marcou uma geração por suas letras que falavam de amor. E foi o amor que pautou seu encontro comigo, ontem à tarde. Lezo, como ficou conhecido pelos fãs de seu trabalho musical, falou com carinho dos tempos de shows, da ida para o Direito e do podcast que criou com os amigos para registrar a paixão por futebol americano. Mas da Mari ele falou com amor. A Mari é a “Lindinha”, sua esposa, mãe da Laura, que esteve presente nos momentos em que o Bruno precisou fazer escolhas que mudariam o rumo de sua vida. Toda vez que ele citava a “Lindinha”, seu semblante mudava. O Bruno tinha mais do que uma história. Ele tinha brilho nos olhos.

Esses quatro exemplos que eu trouxe aconteceram essa semana e acontecem todos os dias na vida de pessoas que amam e honram suas histórias. Talvez eles nem saibam, mas foi o brilho nos olhos do Artur, das amigas cinquentenárias, do Vini e do Bruno que me inspiraram a escrever o texto de hoje.

E por aí, o que tem feito o seu olho brilhar?

Um beijo e até semana que vem!
 

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 20/08/2021 - 19:04Atualizado em 20/08/2021 - 20:12
      Sextou: reflexão pro fim de semana 

Esses dias, lavando umas alfaces pro jantar, me peguei naqueles devaneios aleatórios, quando a gente se questiona se está no caminho certo. E minha linha de raciocínio não passou nem perto do segmento profissional ou algo parecido. Eu estava pensando exatamente sobre o ato em si: limpar aquelas folhas verdes - tarefa fácil, que não exige muito de quem o faz, diferente de quem prepara um cardápio mais elaborado. E é aí que pairou a minha dúvida. “Por que que eu não cozinho? Será que vou passar por essa vida sem aprender? Serei uma mãe/avó que não cozinha? Tanta gente cozinha... Ou melhor: tanta gente que nunca cozinhou, aprendeu e hoje mantém uma boa relação com as panelas.” Desliguei a torneira, coloquei as alfaces no prato e fui preparar os meus ovinhos (nada muito hard também). Foi quando, na verdade, eu já tinha a resposta para os meus pontos de interrogação. “Não. Eu não vou cozinhar porque eu não tenho vontade de aprender. Não é algo que me faz falta, não me interesso pelo assunto e ponto.” 

A alface foi só o gatilho pra eu falar no texto de hoje sobre exatamente isso: o não querer fazer o que muitos fazem. Quantas vezes nos pegamos absorvidos pelo efeito manada, assumindo compromissos que destoam dos nossos valores, armando sonhos que na verdade não desejamos e mantendo contato com pessoas que nem bem nos fazem?!

Aos 15, 20 anos, ok. Mas depois de marmanjos, quando a saúde mental ganha uma importância gigante, essas atitudes não reverberam mais. Falta paciência, falta estômago e falta propósito para tudo isso.

Aquele barzinho chato, com personagens que não agregam nada. Aquela reunião com um cliente que não tem nada a ver com o nosso negócio. Aquele relacionamento afetivo que de afetivo não tem nada. Por que nos sabotamos? Por que ainda temos dificuldade em dizer não? Por que insistimos permanecer em situações que não nos pertencem mais? Deixarão de nos amar? Nos darão menos valor? Tranquilo. Isso diz mais sobre eles do que sobre nós.

Portanto, frequente a igreja “x”, vá ao restaurante “y”, construa sua casa no condomínio “z”, use seu sapato de salto chique, assuma seus cabelos brancos, beba aquele vinho de rótulo famoso, encha seu rosto de procedimentos estéticos, matricule- se no Crossfit, jogue seu beach tennis. Mas se isso realmente fizer sentido para você, e não porque fulaninho fez ou ciclaninho deixou de fazer.

Lembra que a gente esperneava quando nossas mães não nos deixavam ir à festa que todo mundo ia?
A resposta era simples, reta e direta: “Você não é todo mundo”. E isso é mágico!

Beijos e até a próxima sexta.

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 13/08/2021 - 18:34Atualizado em 13/08/2021 - 20:30
 Meu primeiro amor: filhinha de papai com muito orgulho                                                                  

 

A data mais festejada e aguardada pelo comércio é o Dia das Mães. É em maio também que as campanhas publicitárias mais tocantes debulham nossos corações. Pudera. Mãe é mãe. E eu sempre brinco que não é nada contra o pai, mas a mãe da gente é a mãe da gente. É dela o posto máximo, é ela quem enxuga as nossas piores lágrimas e divide conosco os melhores sorrisos.

Porém desde que eu me despedi da minha (e lá se vão quase seis anos), eu tenho convivido com o amor de pai. Privilegiada eu, que tenho o meu pertinho, se comparado a tantos outros filhos que não contam mais com a presença dos seus. Muitos nunca nem tiveram esse convívio e outros muitos já os perderam. A propósito, já notaram como, geralmente, quem morre antes é o pai? Ao menos ao meu ver e no meu círculo de amizades a fórmula é essa. Fica sempre a mãe.

E o amor paterno é diferente do materno. Homens são diferentes de mulheres. O lance do racional versus emocional existe de verdade. E foi aí que, em outubro de 2015, eu me vi sozinha, em meio a dois homens: meu pai e meu irmão. E agora? Quem vai me medicar quando eu sinalizar que não estou legal e vir correndo me dar carinho, com a sacolinha da farmácia debaixo do braço? Pais tendem a passar essa tarefa para as mães. Quem vai fofocar comigo de madrugada no WhatsApp? Pais são conhecidos virtualmente por mandarem o dedo do joinha, de ok, para tudo. Quem vai opinar no meu vestido de festa, antes de eu sair de casa? Pais costumam não ver diferenças entre um modelo e outro, mesmo que o primeiro seja curto, rosa e de paetê e o segundo longo, verde e de franjas. Pra quem eu vou contar que estou apaixonada ou conheci um gatinho? Pais vão dizer para não darmos mole, que homens não prestam e todo aquele enredo protetivo.

Imagine você que eu (e penso que muita gente que tem uma história semelhante à minha) tive que fazer tudo isso e mais um monte. Nasce, então, uma nova relação. Não que ela não existisse antes, mas foi a partir daí que ela ganhou força. E que gostoso é o colo de pai! Quer ver de um pai aposentado (risos), que fica feliz em realizar tarefas nunca antes cogitadas. “Não, pai, não é a mesma coisa. São produtos diferentes, compra esse que eu te falei. ” Alguém se identificou?

É ele que vai lá em casa ver de perto por que está vazando água no banheiro, me indica a oficina mais barata pra eu levar meu carro e pontua as diferenças entre os jogos do Nadal e do Federer. É ele também que briga que eu pago juros no cartão de crédito, que me escuta no rádio e que prepara a melhor comida do mundo.

Foi ele que me inspirou a escrever esse texto, depois de uma vivência recente, quando eu saí do centro cirúrgico do hospital, ainda banza da anestesia, e ele estava lá, sentadinho me esperando, pois eu não podia ir embora dirigindo. Entramos no carro, fomos pra sua casa e ele fez almoço para nós. Depois de comer falou para eu deitar na cama dele, escurecendo o quarto, e descansar. Talvez ele nem imagine a importância desses gestos, mas eles foram tão significativos para mim, que resultaram na crônica de hoje. Hoje, coincidentemente, seria o aniversário da minha mãe. E se eu tivesse a oportunidade de dizer algo a ela nesta sexta-feira, eu não titubearia: “Feliz aniversário, mãezinha! Fique tranquila e saiba que o pai também está de parabéns. ”.

Pity Búrigo
Por Pity Búrigo 06/08/2021 - 15:00Atualizado em 13/08/2021 - 19:31
Voltei: bóra bater esse recorde aqui também!

Nem eu acredito que, depois de uns 10 anos, aqui estou, em frente a um laptop, com uma missão que, há tempos, me escapei: voltar com o blog. Me dá preguiça só de pensar. E é exatamente esse sentimento que o avanço da tecnologia, cada vez mais acelerado, vem nos causando: preguiça. E coloco você nesse bonde porque sei que é ela que também te rouba minutos (para não dizer horas) em frente à tela do seu celular, largado no sofá, procrastinando várias atividades que já poderiam ter sido realizadas.

Foi assim comigo. Comecei na internet cedo. Quando eu cheguei era tudo mato (sorry, não podia perder a piada de tiazona). Sou muito ruim com datas, mas pesquisei e vi que o Fotolog foi lançado em 2002. Ou seja: lá se vão quase 20 anos de arrobas, nicknames e “wwws”. Não vou colocar nessa conta os tempos de internet discada & mIRC & Orkut & gravação de CD & escaneamento de fotos & brigas/disputas com meu irmão pelo computador (“Pai, a Priscilla entrou na internet!” – meio da tarde, horário de tarifação altíssima e um castiguinho básico depois de tudo isso).

O Fotolog era nosso Instagram pobrinho, coitadinho, com número limitado de imagens e comentários por dia. Lembro que foi lá que eu comecei a postar alguns cliques de festas que eu promovia na noite e, por curiosidade, os amigos e amigos dos amigos acessavam para conferir quem estava na balada e quem não.

Recebi o convite para escrever no jornal e, devido ao limite de espaço de uma página, abri um blogspot (gratuito) pra postar o que não entrou na folha impressa. Ele cresceu rápido, as visualizações idem, e era hora de profissionalizar tudo aquilo. Nascia o pityburigo.com.br. E “.com.br”, naquela época, era coisa de gente grande. E assim fui gente grande durante muito tempo, o suficiente para escrever uma bela e (thanks!) divertida história na web. Ganhei dinheiro, conheci pessoas e lugares, fui feliz. Mas, como tudo na vida, passou. Pra que blog, se eu tinha o Instagram? Pra que carregar um computador e uma câmera fotográfica pesada na bolsa e passar horas editando e postando, se eu podia registrar com meu telefone e publicar tudo bem rapidinho nas minhas redes sociais? Entendem quando eu falo da preguiça? Me acomodei e por ali fiquei.

Porém quando a Som Maior, na figura do Arthur Lessa, lança o 4oito para ser o portal de notícias da rádio e da cidade, sou chamada novamente para, quem sabe, um resgate. “Volta com o blog, Pity!”. Voltei. Mas não fiquei. Ó, ela, a preguiça, aí de novo!

Exatamente quatro anos depois, leonino insistente que é, o Arthur volta a me desafiar, dessa vez mais mansinho: “Um texto por semana e estamos conversados”. Eu, ariana facinha que sou: “Beleza! Um texto por semana e estamos conversados”.

Esse é o primeiro. Talvez uma apresentação bem resumidinha de quem sou eu na internet. Talvez um “hello” meio perdida e assustada nesse ambiente que não me pertencia mais.

Sempre gostei de escrever. A partir de hoje, aqui nesse cantinho, volto a ter a oportunidade de brincar com as palavras. Afinal, tudo vira texto. Até a preguiça ganhou um pra ela, veja só.

Vamos comigo nessa? Sexta que vem tem mais!

Um beijo e bom fim de semana!

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