Uma reunião na tarde desta terça-feira (9) pode definir o futuro da pesca da tainha em Santa Catarina e confirmar a prorrogação da atividade na modalidade de arrasto de praia. O encontro reúne Governo do Estado, Governo Federal e pescadores após o anúncio do encerramento da safra no último domingo (7). Enquanto Santa Catarina tenta reverter a decisão, o Ministério da Pesca defende a medida como forma de preservar a espécie e garantir as próximas safras.
Em entrevista à Rádio Som Maior, o secretário executivo da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina, Fabiano Müller Silva, afirmou que o Estado está mobilizado desde o anúncio do fechamento. Segundo ele, o governador Jorginho Mello autorizou, a avaliação de medidas judiciais caso não haja uma solução construída junto ao governo federal.
"A safra já está sendo boa, mas pode ser ainda melhor. Temos relatos de pescadores do Sul do Estado apontando um grande volume de cardumes subindo a costa catarinense", destacou.
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Segundo o secretário, a pesca de arrasto de praia envolve cerca de 400 canoas em Santa Catarina e garante renda direta para aproximadamente duas mil famílias. O setor defende que a atividade, tradicional há gerações no litoral catarinense, não deveria estar sujeita ao sistema de cotas.
Medida não representa o fim da pesca
Por outro lado, o superintendente federal da Pesca e Aquicultura em Santa Catarina, Jean Ricardo Antunes, ressaltou que a medida não representa o fim da pesca da tainha no estado, mas apenas da modalidade de arrasto de praia após o atingimento de 90% da cota estabelecida para a safra.
Ouça a entrevista com o secretário de Estado e o superintendente federal da pesca, Fabiano Müller e Jean Ricardo Antunes:
Jean destacou que a cota deste ano foi ampliada em 20% em relação a 2025 e que a grande quantidade de tainhas observada no litoral catarinense é resultado das políticas de gestão e fiscalização adotadas nos últimos anos. "Quando se fala em proibição da pesca da tainha, é importante esclarecer que as demais modalidades continuam autorizadas. As cotas têm como objetivo proteger a espécie e garantir as próximas safras e as futuras gerações", afirmou.
Alteração depende de critérios técnicos
O representante do Ministério da Pesca também destacou que o governo federal recebeu um pedido formal da Associação dos Pescadores de Arrasto de Praia de Santa Catarina para reavaliar a medida. Segundo ele, existe sensibilidade por parte do ministério para ouvir os pescadores, mas qualquer alteração dependerá de critérios técnicos e científicos.
A pesca por arrasto de praia foi encerrada após atingir 90% da cota de 1.332 toneladas estabelecida para Santa Catarina. Até o fechamento da modalidade, haviam sido registradas 1.212 toneladas capturadas.
Agora, a expectativa do setor pesqueiro está voltada para as discussões do Grupo de Trabalho da Tainha, que deverá avaliar possíveis ajustes nas regras da safra sem comprometer o limite global de captura definido para este ano.
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