Mesmo com a Selic em patamar elevado e opções mais rentáveis disponíveis no mercado, os brasileiros voltaram a depositar mais dinheiro na poupança do que sacar. Em maio, a caderneta registrou captação líquida positiva de R$ 2,6 bilhões, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (9).
Ao longo do mês, foram depositados R$ 368,3 bilhões e retirados R$ 365,7 bilhões. O resultado representa uma mudança em relação a abril, quando as saídas superaram as entradas em R$ 476,4 milhões.
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O saldo total aplicado na poupança chegou a R$ 1,01 trilhão, enquanto os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,1 bilhões.
Busca por segurança supera a rentabilidade
Embora a poupança continue sendo uma das aplicações mais populares do país, seu rendimento segue abaixo de outras alternativas de renda fixa disponíveis no mercado.
No último ano:
- O CDI acumulou rentabilidade de 14,63%;
- A poupança rendeu 7,94%.
Em um horizonte de cinco anos, a diferença é ainda maior:
- CDI: 76%;
- Poupança: 43,76%.
Mesmo assim, o retorno dos recursos para a caderneta é visto como um reflexo do comportamento dos investidores em períodos de incerteza econômica. Em momentos de maior preocupação, muitos acabam priorizando produtos conhecidos e tradicionalmente associados à segurança.
“Quando chega na parte do aperto, do medo, da preocupação, as pessoas correm para aquilo com que têm mais intimidade”, avaliou o consultor de investimentos, Arthur Lessa durante o programa 60 Minutos, da Rádio Som Maior.
Ouça na íntegra a avaliação de Arthur Lessa:
Tranquilidade tem peso na decisão
O movimento sugere que parte dos investidores está disposta a abrir mão de rentabilidade em troca de uma sensação maior de proteção para o patrimônio.
A poupança também tem relevância para o financiamento habitacional no país, já que os recursos depositados ajudam a abastecer linhas de crédito imobiliário.
Apesar do avanço registrado em maio, a caderneta ainda acumula retiradas líquidas de R$ 39,1 bilhões nos cinco primeiros meses de 2025. A preferência por investimentos mais rentáveis, impulsionados pelos juros elevados, continua sendo um dos principais fatores para a saída de recursos ao longo dos últimos anos.
“Muita gente está pagando para se sentir mais segura”, resumiu Lessa ao comentar o comportamento dos investidores diante do cenário de incerteza.
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