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Gaeco explica os procedimentos tomados pela “Operação Polo Norte” (ATUALIZADA)

Operação apreendeu três pessoas e uma não foi encontrada. Elas são acusadas de sonegação de impostos, superando os R$ 50 milhões
Erik Behenck
Por Erik Behenck Criciúma - SC, 15/02/2018 - 17:52Atualizado em 15/02/2018 - 18:52

Após a deflagração da “Operação Polo Norte”, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) realizou coletiva na tarde desta quinta-feira (15), explicando a operação. A Operação desarticulou um grupo de empresários que sonegava impostos, liderados pelo dono da Sorvetes Eskimó, superando os R$ 50 milhões. A Operação começou em meados de 2017 e hoje foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão e também o deferimento de quatro prisões temporárias.

“É importante que a população saiba que também combatemos a grande criminalidade, não apenas o que se costuma chamar de ladrão de galinha, tendo em vista a gravidade dos crimes de sonegação fiscal, que tanto prejuízo trazem ao conjunto da população. São desses recursos que saem o recurso para a saúde, o recurso para a educação e que as empresas se devem dar conta de que isso deve realmente ser pago. A cultura brasileira deve mudar e os impostos devem ser pagos por todos”, afirmou a promotora, Vera Bedinoto.

A empresa é de Içara, do ramo de sorvetes. Nesta quinta-feira, três pessoas foram apreendidas temporariamente e uma ainda não foi localizada, sendo o líder do esquema, elas ficaram na prisão por cinco dias. Os mandados, expedidos pelo Juízo da 2ª Vara de Içara, atenderam pedido da 6ª Promotoria de Justiça de Criciúma, com atuação regional na área de combate aos crimes tributários.

“É uma empresa sediada em Içara e que fracionava o grupo econômico em diversas empresas, em nome de interpostas pessoas e assim se mantinha de forma irregular, no regime do simples nacional pagando impostos mínimos. A averiguação trouxe a lume de que existe apenas um único dono, com relação a essas empresas. Havia a pratica reiterada do subfaturamento e também da venda de produtos sem notas fiscais. Então tudo isso nós já estamos apurando e nós tivemos então um grande resultado no dia de hoje”, garantiu.

Por todo o Brasil

A Operação iniciada na empresa de Içara se estende para diversos estado do Brasil. De acordo com o delegado Airton Ferreira, diretor do Gaeco, as empresas compravam produtos subfaturados, e provavelmente vendiam de forma irregular. Ele aconselhou aos empresários que estão nessa situação a se regularizarem, ou poderão ser incriminados.

“Em tese, transfere a sonegação fiscal para outras duas cadeias. Ou seja, a distribuição e a venda final ao consumidor. Então nós temos várias distribuidoras alvo de investigação nos próximos dias em Santa Catarina, no Rio de Janeiro, São Paulo e também no estado de Goiás e cerca de 600 franquias que acabaram recebendo esses produtos subfaturados e a indicio de que certamente eles também venderam de forma subfaturada. Então essas pessoas, esses empresários distribuídos pelo país vão ser procurados e a gente orienta que eles, em especial esses de Santa Catarina, possam procurar a Receita Estadual da Fazenda para regularizar a situação”, afirmou.

A Operação continua

Ainda levará alguns meses para saber o valor exato das sonegações fiscais. De acordo com o Promotor de Justiça do Gaeco, Gustavo Wiggers, além das apreensões, foram coletadas provas para comprovar o esquema. Computadores e programas fiscais serão analisados antes de chegar a uma conclusão. O dono da Eskimó e líder do esquema, não foi localizado, mas seus advogados já entraram em contato para a apresentação, Wiggers afirmou que ele será preso assim que apresentado.

“A prisão serve para auxiliar nossas investigações, para evitar que essas pessoas tenham acesso a testemunhas e provas e que possam fornecer as informações que necessitamos para entender todo esse fato”, afirmou.

Entre os quatro mandados de prisão, três foram cumpridos. O promotor esclareceu qual a função de cada um deles no esquema que movimentou milhões.

“Foram presos um distribuidor na cidade de Blumenau, que havia muitas provas contra ele e um representante comercial da empresa que atuava na captação de novos franquiados e também um servidor ligado a área financeira da empresa, que tinha bastante conhecimento da atuação”, contou Wiggers.