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Pioneiros médicos: Otto Frederico Feuerschuette

Por Dr. Henrique Packter 06/04/2019 - 06:00

OTTO FEUERSCHUETTE, nascido em 9.4.1881, contava 49 anos de idade quando eclodiu a Revolução de 30, movimento contrário a seus interesses políticos.
PORTO ALEGRE NA REVOLUÇÃO DE 30
O Theatro São Pedro tem capacidade para 636 espectadores. A plateia conta com 396 lugares, 1° balcão com 110 lugares, 2° balcão com 124 lugares, três lugares para pessoas com necessidades especiais, três lugares para acompanhantes na plateia. A Sala Dinorá de Carvalho, para pequenos recitais, tem 70 assentos. O Teatro disponibiliza o Café São Pedro, aberto em todos os espetáculos. Há espaço para lançamentos e coquetéis no 2° balcão. 
Já o Teatro Municipal Elias Angeloni de Criciúma, maior sala de espetáculos do sul de SC, tem capacidade para 728 pessoas. Localizado no Parque Centenário, Centro Cultural Santos Guglielmi, apresenta na plateia um 1º balcão. O palco é utilizado para finalidades culturais, artísticas e educacionais. Construído nos anos 70 e inaugurado em 1983, o Teatro Elias Angeloni abrange a Biblioteca Pública Municipal Donatila Borba, setor Administrativo do Teatro, palco, amplo hall de entrada, Teatro Arena, Galeria de Arte Octávia Búrigo Gaidzinski e o Arquivo Histórico Municipal Pedro Milanez. Na administração do Prefeito Eduardo Pinho Moreira, início dos anos 90, sendo Diretor-Presidente da Fundação Cultural de Criciúma Henrique Packter, o Teatro Elias Angeloni passou por ampla restauração, graças aos esforços da Diretora do Teatro, Jornalista Brigitte Gorini. 
É palco de eventos como Peças Teatrais, Shows Musicais, Espetáculos de Dança Regionais e Locais, Formaturas, Stand Up Comedy Nacionais e Regionais, Festivais de Corais Nacionais e Internacionais. Entre esses últimos, o Festival Internacional de Corais de Criciúma, com a presença de coros do Brasil e do mundo. Recebe também, concertos, lançamentos de CD, DVD e livros, além de eventos corporativos.

THEATRO SÃO PEDRO 

Surgiu por iniciativa de sociedade acionária de doze cidadãos, que visavam construir um teatro (São Pedro de Alcântara), cujos rendimentos reverteriam para auxílio à Santa Casa de Misericórdia. Manuel Antônio Galvão, presidente da Província, doou em 1833 terreno com 100 x 200 palmos para sua construção na Praça da Matriz, centro da cidade. Iniciadas em 1834, as obras estiveram interrompidas por dez anos, ainda na fase dos alicerces, em função da Revolução Farroupilha (1835 e 1845).
Guerra terminada, para continuidade das obras foi constituída nova sociedade que buscou recursos oficiais, concedidos pelos governos seguintes; em 1850, trabalhos retomados, a pedido da Santa Casa o projeto foi elaborado no RJ. Executado por Phillip von Normann, encarregado de toda a construção, com exceção da decoração final, a cargo de Emil Julius Textor, o projeto previa a construção de edifício gêmeo, o Tribunal de Justiça, demolido após incêndio, em 1950.
Verbas para a construção vieram de programa de loterias estaduais e, finalmente, o prédio em estilo neoclássico foi inaugurado a 27.6.1858. Tinha capacidade para 700 espectadores e decoração em veludo e ouro, quando POA tinha pouco mais de vinte mil habitantes. Em breve a sociedade constituída para sua conservação, a Associação do Teatro, não conseguiria mais fazer frente às despesas, e o imóvel foi desapropriado em 2.4.1861.
Durante mais de cem anos, o Theatro São Pedro exibiu importantes espetáculos em POA. Nele passaram os pianistas Arthur Rubinstein, Friedrich Gulda, Magda Tagliaferro e Claudio Arrau; o maestro Heitor Villa-Lobos, as cantoras Bidu Sayão e Marian Anderson, o grupo francês Les Comediens des Champs-Elisées, a Orquestra de Versalhes. Também os atores Walmor Chagas, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, Paulo Gracindo ...  
Em abril de 1973, o Theatro São Pedro foi interditado por absoluta falta de condições técnicas.
Restauração iniciada em 1975, projeto do Arquiteto Carlos Antônio Mancuso (1930-2010), a direção administrativa dos trabalhos coube a Eva Sopher, então diretora do Instituto Proarte. Ideava integrar o passado com o presente.
Foi reinaugurado em agosto de 1984, com espetáculo de teatro de marionetes O julgamento do cupim, do Grupo Cem Modos, o musical Piaf, com Bibi Ferreira e Orquestra Sinfônica Brasileira regida por Isaac Karabtchevsky.
Nesta nova fase o teatro tem sido administrado pela Fundação Theatro São Pedro, criada em 1982 e desde então dirigida por Eva Sopher, ligada autonomamente à Secretaria de Estado da Cultura do RS. Em 1985 passou a contar com Orquestra de Câmara.
Em 1995 Sopher buscava novo terreno nas imediações, para expandir o complexo Theatro São Pedro. Em 1998, concurso público selecionou projeto dos arquitetos Marco Peres, Dalton Bernardes e Júlio Ramos Collares para construção do Multipalco, obras iniciadas em 2002.
Quando concluído ele contará com dois teatros (italiano e oficina), concha acústica, salas para corpo de baile, orquestra, para entrevistas coletivas e reuniões, para ensaios. Ainda restaurante, praças, cafeteria e bar, quatro lojas e estacionamento.
Na Revolução de 30, o Theatro São Pedro contava 72 anos. Hoje, são 161 anos. 

SEXTA-FEIRA, 3 DE OUTUBRO DE 1930, 17 HORAS

Em 7.9.1930, o movimento revolucionário contra a posse na Presidência da república de Júlio Prestes, ganha impulso. Neste dia, Antônio Carlos passa o governo mineiro a Olegário Maciel, político mais propenso a rebelar-se que ele. Olegário será o único presidente de estado a continuar no cargo após a revolução de 30. 
Sobre o sigilo da conspiração, Getúlio contou à Revista do Globo, (agosto de 1950), que a filha Alzira só soube da revolução 2 dias antes do início: "Em 1930, preparando a Revolução, fui obrigado a fazer um jogo duplo: de dia mantinha a ordem para o governo federal e à noite introduzia conspiradores no Piratini". O comando revolucionário determinou em 25.9.1930 que o movimento iniciaria em 3/10. Início várias vezes adiado, na tarde de 3.10.1930, POA, estoura a Revolução com a tomada do quartel-general da 3ª Região Militar, comandada por Osvaldo Aranha e Flores da Cunha.  

TOMADA DO QUARTEL-GENERAL

A Revolução de 30 foi decidida no RS, com o bem sucedido ataque revolucionário ao QG da 3ª RM, seguido da morte de alguns militares que ali se encontravam e da prisão de seu comandante e do chefe de Estado Maior. 
Os revolucionários de 30 marcaram como objetivos fundamentais para o êxito da Revolução, o ataque seguido de conquista do QG da 3a RM e do Arsenal de Guerra, situado à sua frente. O ataque cursou sem ser detectado pelo Comando da 3a RM. Metralhadoras assestadas na torre da igreja vizinha e altos do Hotel Majestic, ambos com dominância de posição e de fogo sobre QG e Arsenal.
A Revolução de 30, com QG no Grande Hotel, começa às 17:50h de 3.10.1930, por foguete lançado no Morro Menino Deus. O ataque ao QG da 3ª RM, iniciado com 35 homens da Guarda Civil, saídos em coluna de seu quartel, na esquina atrás do atual QG da Brigada Militar, simulou passagem de rotina na porta do QG. Os guardas, armados de revólveres 38, escondidos pelas túnicas, tinham na retaguarda grupo revolucionário liderado por Osvaldo Aranha, Antonio Flores da Flores da Cunha e Barcelos Feio.
Atacado de surpresa, depois do expediente, no QG ocorrem as primeiras baixas da revolução de 30. Militares da guarda e os demais, encontrados no QG, foram mortos em minutos. Ainda hoje a escada de acesso e ferragens do elevador têm sinais de impactos de balas. Comandante da 3ª RM entregou-se após receber carta de Vargas demonstrando a inutilidade de resistência.
General Gil de Almeida, detido em seus aposentos e depois no navio Comandante Ripper com o Coronel João Baptista Mascarenhas de Moraes, comandante em Cruz Alta e outros oficiais. General Cândido Mariano Rondon, preso em Marcelino Ramos pelo General Miguel Costa que comandara a Coluna Miguel Costa/Prestes, considerou-se preso no Grande Hotel.
Com a bem sucedida conquista do QG da 3ª RM e do Arsenal de Guerra e prisão do comandante da 3a RM e seu chefe do Estado – Maior, a revolução alastrou-se sem reação no RS e país. O ataque ao QG foi o episódio mais sangrento. 
A 3ª RM foi extinta por 15 dias, substituída pelo Departamento Pessoal da Guerra, chefia do Ten. Cel. Horácio Souza, sendo restabelecida após a chegada vitoriosa da Revolução no RJ.  

BARCELOS FEIO, ESQUECIDO PERSONAGEM PERIFÉRICO

Agenor Barcelos Feio (São Jerônimo, RS, 9.4.1896; RJ 15.12.1969), sentou praça na Brigada Militar de POA em 1913. Segundo-tenente (dezembro de 1917), foi classificado no Grupo de Metralhadoras. Na revolução gaúcha que confrontou republicanos de Antônio Augusto Borges de Medeiros, eleito pela quinta vez presidente do RS, e federalistas de Joaquim Francisco de Assis Brasil, atuou na guarnição e defesa de POA com o Cel. Afonso Emílio Massot, comandante-geral da Brigada Militar(1923).
Lutou de janeiro a novembro, luta encerrada pelo Pacto de Pedras Altas (24.12.1923), que determinou manutenção de Borges de Medeiros no governo, mas vetou nova reeleição. Primeiro-tenente, integrou o Grupo de Batalhões de Caçadores que combateu em SP e PR, ao lado das forças governistas, os tenentes revoltosos, chefiados pelo general Isidoro Dias Lopes. Em julho de 1924 ocupam a capital paulista. Capitão em abril de 1925, assume a secretaria da Brigada Militar gaúcha, ainda sob comando do Cel. Emílio Massot. 
Em janeiro de 1929 comanda o Corpo de Guardas Civis de POA, no governo estadual de Getúlio Vargas (1928- 1930), e modernizou a corporação. Em outubro de 1930, ao eclodir a revolução que levaria Getúlio ao poder, comandou como capitão, o Corpo de Guardas Civis no assalto e tomada do quartel da 3ª Região Militar (3ª RM) e do Arsenal de Guerra, em POA. Promovido no mesmo mês a major e, dois dias depois, a tenente-coronel comissionado, organizou e comandou o 1º Batalhão de Infantaria da Reserva que seguiu a Itararé (SP), para a Batalha que não houve. 
Após a renúncia em 24/10 de Washington Luís, Itararé depõe armas. De volta ao RS, foi prefeito de Santana do Livramento, Comandante do 3º Batalhão Policial Militar em POA (janeiro de 1933 a dezembro de 1935). Depois, assumiu o comando do 4º Batalhão Policial Militar, dele destituído em dezembro de 1936 a pedido do governador José Antônio Flores da Cunha. Também a pedido do governador, solicitou reforma em fevereiro de 1937. 

FLORES DA CUNHA X GETÚLIO VARGAS

Agravam-se os desentendimentos entre Flores da Cunha e Getúlio Vargas. Agenor Feio informava Getúlio dos movimentos de Flores. A crise culmina em outubro de 1937, quando Vargas solicita a Brigada Militar como força auxiliar do Exército e reincorpora o general Canabarro Cunha às forças federais. A brigada, comandada por Orestes Carneiro da Fontoura, acata a ordem presidencial e Flores renuncia em 17/10, exilando-se no Uruguai. O general Manuel de Cerqueira Daltro Fº, nomeado interventor, desarma a Brigada. 
Em novembro de 1937 — quando Vargas decreta o Estado Novo — o coronel Agenor Feio assume o comando da Brigada Militar. Atualizou regulamentos, promoveu reformas e propôs reorganização da Justiça Militar gaúcha. Demitiu-se em dezembro de 1938. No relatório ao governo, criticou a gestão de Flores da Cunha, acusando-o de ter prejudicado a brigada quanto ao aparelhamento material, à disciplina e à instrução. Transfere-se ao RJ convidado pelo interventor Ernani Amaral Peixoto (1942). Nomeado secretário de Justiça e Segurança Pública, após o desmembramento dessa secretaria (em secretarias de Justiça e de Segurança Pública, 1944), dirige a segunda, outubro de 1945. Deposto Vargas (29.10.45), com a nomeação de novo interventor, deixa suas funções. 

BARCELLOS FEIO PÓS ESTADO NOVO

Em março de 1946 empossado pelo presidente, general Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) membro do Conselho Administrativo do Estado do RJ. Assumiu mandato em fevereiro 1948 como deputado estadual pelo PSD. Em outubro de 1950 reelegeu-se deputado estadual, mas não exerceu o mandato, novamente nomeado secretário de Segurança Pública por Ernani Amaral Peixoto, governador do estado.

TENÓRIO CAVALCANTI, O HOMEM DA CAPA PRETA

Assumindo o cargo (janeiro,1951) enfrenta o deputado federal advogado Tenório Cavalcanti, da UDN, opositor de Amaral Peixoto. Tenório (o Homem da Capa Preta), dizem, carregaria por baixo da capa a metralhadora Lurdinha. No cinema seu papel foi interpretado por José Wlker. Tenório era amigo pessoal de meu chefe no Hospital dos Servidores (IPASE, RJ), Aderbal de Albuquerque Alves. Ambos eram alagoanos e, certa ocasião, na ausência de Aderbal, tive ocasião de atendê-lo, no Hospital. 
Agradeceu-me, tempos depois, publicando em seu jornal O DIA, e na primeira página, minha aprovação em concurso público para o serviço de Oftalmologia do IPASE. (Médico Catarinense Aprovado em Primeiro Lugar no Concurso do IPASE). Tenório nasceu em 27.9.1906, Palmeira dos Índios, nas Alagoas e faleceu em Duque de Caxias, RJ, a 5.5.1987. Conheci-o em 1971.
Confrontos entre Barcelos Feio e Tenório Cavalcanti pioram na década de 1950, marcada por vários e violentos choques armados. Ficou célebre o cerco da polícia à casa fortificada de Tenório, conhecida como fortaleza (1953). O deputado UDENISTA fora responsabilizado pelo assassinato do delegado de polícia de Duque de Caxias (RJ), Albino Martins Imparato. Ameaçado de prisão pelo secretário de Segurança, a invasão da fortaleza de Tenório não aconteceu porque políticos udenistas fizeram, em seu interior, vigília de solidariedade. 
Inquérito instaurando para esclarecer quem matara Imparato, nada apurou.

ÚLTIMOS TEMPOS 

Deputado federal pelo PSD, RJ, outubro de 1954, Agenor Feio foi nomeado em dezembro, ministro do Tribunal de Contas do estado. Assumiu o mandato de deputado em fevereiro de 1955 cumprindo-o até janeiro de 1959. Diretor da Caixa Econômica Federal, governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), exerceu o cargo até 1964. 

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA OTTO FEUERSCHUETTE