Ir para o Conteúdo da página Ir para o Menu da página
Carregando Dados...

Pioneiros médicos: Laerson Nicoleit

Por Dr. Henrique Packter 10/11/2018 - 06:00Atualizado em 10/11/2018 - 14:23

Os leitores, e o próprio Dr. Laerson Nicoleit, falecido faz muitos anos, vão ter a santa paciência, mas estou interrompendo o relato sobre PIONEIROS MÉDICOS para comentar e tentar restabelecer a verdade sobre alguns fatos acerca da história do casarão da Fundação Cultural de Criciúma. Desde que li na TRIBUNA dessa semana que o prédio da FUNDAÇÃO CULTURAL JORGE ZANATTA está recuperado, restaurado e prestes a ser entregue ao respeitável público, tenho pensado no assunto. (Sábado, 8.12.2007. Baseado em matéria de Ana Paula Cardoso).
COMO SE DESENROLOU ESTA NOVELA? 
Eduardo Pinho Moreira, quando prefeito de Criciúma, criou a Fundação Cultural de Criciúma (FCC) e Henrique Packter foi seu primeiro diretor-presidente (Lei 2829 de 15.3.1993, estatutos aprovados em 19.11.1993).
Estatutos que logo mereceram duas reformas parciais, uma pela constituição do Conselho Deliberativo – CD (diminuição) e outra pelo Turismo (acréscimo), em 2.7 e 12.9.1994. CD tinha 28 membros; 6 entidades não existiam ou não manifestaram interesse em participar (Associações Culturais e Sindicato dos Trabalhadores, entre eles), resultando em amputação do CD, reduzido a 22 membros, entre os quais Adelor Lessa representava a ACI.

1º.3.1994: esgota-se último prazo e 2/3 dos membros do CD não haviam sido indicados pelas respectivas entidades. 16.5.1994: que fazer com relação às 6 associações que se recusavam a indicar representantes apesar de insistentemente cobradas? As 6 entidades foram excluídas, pois claro.

À data da criação da FCC, nosso levantamento revelou que a cidade dispunha de 35 artistas plásticos, 10 grupos corais, 13 entidades étnico-culturais, 7 academias de dança, 1 escola de música, 10 grupos folclóricos, 106 associados da Amucri.

E O CASARÃO?
Um dos imóveis nossos, historicamente mais valioso, com forte apelo econômico e político, teve na sua trajetória preservação quase garantida pelo tombamento. A condição de patrimônio histórico, artístico e cultural foi decretada pela Prefeitura de Criciúma em 1991 e referia-se à sede da FCC, que instalamos no Centro Cultural Jorge Zanatta. O casarão em estilo arquitetônico colonial espanhol, construído em 1944/1945 e localizado na Coronel Pedro Benedet, Centro, foi construído para abrigar o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), quando Criciúma despontava na extração do carvão mineral (1945). Era centro do levantamento geológico e topográfico da região.  Na época, a cidade recebeu o título de Capital Brasileira do Carvão. De acordo com o ex-vereador e autor do requerimento de tombamento, Márcio Arcângelo Zaccaron, era intenção inicial tornar a casa um centro de cultura ou museu do carvão, pelo forte laço histórico do prédio com a cidade. Também anexar auditório para espetáculos, instalar estúdios de rádio e tevê educativas, videoclube e centralizar como sede das entidades culturais. “Fico feliz que o tombamento tenha ocorrido. Pena ter levado tantos anos para o poder público perceber que o casarão poderia ser demolido ou engolido pela modernidade”, diz Zaccaron. 
Parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) acelerou o processo. Durante muito tempo ele esbarrou nos labirintos burocráticos. Em novembro de 2007, a equipe da FCC recebeu o aval do IPHAN, indispensável para a assinatura do decreto de tombamento. O relatório remetido pela chefe do escritório técnico do órgão, Ana Paula Cittadin, ressalta a localização, valor e referências históricas do imóvel, classificando-o como marco simbólico do desenvolvimento da região. Deivid da Silva Pinto, historiador e coordenador do Patrimônio Histórico da FCC, responsável pela documentação que justifica o tombamento, não tem dúvidas sobre a necessidade de preservação deste patrimônio. Seria grande descaso não tombar lugar que foi importante para o carvão, cenário no regime militar e hoje respira cultura, diz o historiador. 
BREVE HISTÓRICO DO CASARÃO DA RUA PEDRO BENEDET
O terreno foi doado à Prefeitura de Criciúma pela família do Cel. Pedro Benedet (prefeitos Cincinato Naspolini e Elias Angeloni). Em 1942 (prefeito Elias Angeloni), o casarão era sede do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), doado em 1944 à municipalidade (Hercílio Amante), em 1953 passa a sediar o Plano Nacional do Carvão, ligado diretamente à Presidência da República (prefeito Paulo Preis). 

Em 1953, sedia o Plano Nacional do Carvão, depois, é do CNP. A doação em Criciúma, para o Estado, ocorreu sem aprovação da edilidade sendo juridicamente nula. 

Em 1976, foi doado à União. Em 1991, é desativado o escritório do CNP. Ministério de Infraestrutura é solicitado a doar o prédio à cidade. Debalde.

Segundo outras fontes, o terreno foi doado pelo coronel Pedro Benedet ao governo de SC para que fosse construída uma escola. (A menos de 300 metros do Lapagesse, 1933, que funcionava onde hoje é a Casa da Cultura?) Tudo aquilo que envolvia a produção carbonífera foi concentrado no prédio, no local havia laboratório para análises minerais e galpões para acondicionamento do material de pesquisa. Também ali foi instalado o primeiro aparelho de Raios-X de SC para exame dos mineiros e o primeiro serviço de água potável encanada da cidade. Sede do DNPM até 1960, quando foi desativado, a Comissão Executiva do Plano de Carvão Nacional assumiu o local, subordinada ao Ministério de Minas e Energia (1962). 
Na década de 70 até o início da década de 90, a casa passou a sediar o Conselho Nacional de Petróleo (CNP), com função de controle e fiscalização de combustíveis e lubrificantes. Em 1991, a edificação foi tombada como Patrimônio Histórico de Criciúma (Prefeito Altair Guidi).

Desativado o CNP, o casarão foi ocupado parcialmente em 1993 pela FCC. Em 1993, na gestão do Prefeito Eduardo Pinho Moreira, pelos esforços do grupo da FCC, na época presidido por Henrique Packter, a casa foi transformada no Centro Cultural Jorge Zanatta e desde então abriga (ou abrigava) a Fundação Cultural de Criciúma (FCC). As instalações comportavam a galeria de arte contemporânea, oficinas de arte e de música, auditório, galpão de arte, além de cozinha, banheiros, garagens e depósitos. Em 7.5.1993, Henrique Packter, diretor-presidente da FCC, conhece o engenheiro LUIZ FELIPE SEARA, diretor do DNPM para SC e filho do ex-prefeito de Criciúma, Carlos Otaviano Seara (1947).

Naquele momento, SC vivia momento único de sua história, tendo os três maiores partidos políticos chefiados por catarinenses: Luiz Henrique da Silveira (PMDB), Jorge Konder Bornhausen (PFL) e Espiridião Amin Helou Fº (o atual PP).
 
A FCC passa a ocupar metade do prédio ocupado pelo órgão do Ministério de Minas e Energia. Divulgada a notícia de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) iria ocupar a totalidade do prédio histórico, o prefeito EDUARDO PINHO MOREIRA, Henrique Packter  (Diretor-Presidente da FCC), Liliane Motta da Silveira (Diretora Superintendente Executiva da FCC), com o inestimável auxílio em Brasília do senador JORGE KONDER BORNHAUSEN (presidente do PFL), do então Deputado Federal LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA (presidente do PMDB nacional), do deputado Espiridião Amin Helou Fº (presidente do PP) e do Ministro do Tribunal de Contas da União, ADHEMAR PALADINI GHISI (da antiga e boa UDN), logrou-se reaver o prédio histórico para Criciúma, em reunião na PGR, 26.4.1994. Ficou acordado que a Prefeitura alojaria a PGR em outro local; local escolhido por representantes credenciados.

Em 5.6.1994, o PGR Chefe em SC, Durval Tadeu Guimarães, comunicou a vinda a Criciúma de Loraines Dal Pont Lodetti (Coodenadora da Administração) e de Tarcísio Agostinho Búrigo da Silva (Coordenador da Área Jurídica). 

Em 28.7.1994, o imóvel para a PGR foi escolhido sendo o aluguel pago pela Prefeitura com aprovação da Câmara Municipal. Em 1996, o Casarão foi cedido pela União ao Município para abrigar a FCC e passou a denominar-se Centro Cultural Jorge Zanatta.
O empresário JORGE ZANATTA, atendendo a apelos de Henrique Packter e do Arquiteto JORGE DA CUNHA CARNEIRO, em sua residência de verão no então balneário Rincão, concordou em restaurar e recuperar inteiramente o velho casarão. Exigiu apenas que seu interlocutor com a FCC fosse Gilberto J de Oliveira, diretor Administrativo-Financeiro da entidade. Este acordo foi sacramentado em setembro de 1994, quando a FCC começa a batalha pela ocupação do resto do prédio. Isto foi obtido após reunião da direção da FCC com o senador JORGE KONDER BORNHAUSEN em Florianópolis a 24.11.1995.  

Justo ressaltar o trabalho nessa FCC de Sayonara Meller, Brigitte Gorini, Adilamar Rocha, Iara M. G. da Silva, Osmar R. Piovesan, Paulo Vieira Aveline, Márcio Arcângelo Zaccaron, Acélio Casagrande, Gundo Steiner, Olide Tibulo, Irma Tasso, Gilberto Oenning, Guilherme Tonon, Roberval Bett, Francisco Pescador, Amarildo dos Passos, Clovis Marcelino, Tyrone e Eliana Mandelli, Itamar Benedet, Iris G. Borges. Em 11.4.1996, a FCC ocupou todo o prédio. 

Da década de 1970 até o início da década de 1990, com a extinção do Plano Nacional do Carvão passou ao CNP (Conselho Nacional do Petróleo, Prefeito Nelson Alexandrino), desativado em 1991. Tinha função de controle e fiscalização de combustíveis e lubrificantes. 
Cedido ao Município de Criciúma em 1996 para instalação do Centro Cultural Jorge Zanatta, esteve em estado de abandono desde 2015, após incêndio. Está sendo aberto e entregue restaurado ao público a partir de 08.11.2018, pelo prefeito Salvaro. Aleluia!

Próxima semana conclui esta notícia sobre o casarão da FCC na Pedro Benedet