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Por Dr. Henrique Packter 15/12/2018 - 06:00

Essa sexta-feira, 14 de dezembro de 2018, é dia destinado a ser cultuado na história citadina porque é nesta data que a municipalidade entrega à população, restaurado e em estado de novo, o Centro Cultural Jorge Zanatta. Nos últimos tempos, muito se escreveu a respeito deste prédio, parte indissolúvel de nossa história. O jornalista DENIS LUCIANO realiza na TRIBUNA obra de fôlego, destinada a ser incorporada aos nossos documentos mais preciosos e que vem narrando em detalhes a saga do Centro Cultural Jorge Zanatta desde os seus primórdios. De parabéns estão a edilidade criciumense, a iniciativa privada representada pela família Jorge Zanatta e o executivo municipal na pessoa do Prefeito Clésio Salvaro. O Prefeito, em duas oportunidades, na restauração do imóvel e na firmeza com que tem defendido a destinação do casarão para a Cultura Criciumense, posicionou-se ao lado dos superiores interesses de nossa população.

A Casa retorna às nossas mãos, como endereço maior da Cultura de nossa gente.   

A FCC E O CASARÃO

Em 1993, como hoje, a sociedade Criciumense, mobilizada desde a primeira hora, entendeu a importância de trazer o Casarão da Pedro Benedet de volta à sua utilização para atividades culturais do município. Dentro da própria Fundação, já em 1993, esse movimento assumiu característica de prioridade. É de justiça destacar o trabalho de Liliane Motta da Silveira, empresária na área de comunicações e minha substituta eventual, além de Sayonara Meller, Diretora de Ação Cultural, Gilberto João de Oliveira, diretor Administrativo e Financeiro; Brigite Gorini, Diretora do Teatro; Adilamar Rocha, Carlos Lacombe, Osmar Piovesan, assessoria contábil; Paulo Vieira Aveline, assessor jurídico; maestro Tyrone Mandelli, Maria de Lourdes Benedet e Yara Gaidzinski. Também Júlio Lopes, Márcio Arcângelo Zaccaron, Acélio Casagrande e Nei Manique Barreto.

Também José Augusto Hülse representante da SULCATUR, Mário Belolli, na comemoração de datas históricas, Branca Tonon, Gundo Steiner, Gilberto Oenning, Amarildo dos Passos, Clóvis Marcelino, Olide Tibulo, Irma Tasso, Eliana Mandelli (Coral da FCC), Isis G. Borges, Grupo Maximiliano Gaidzinski (Espaço Cultural da Praça Nereu Ramos), 16 exposições em 1995. A FCC substituiu o busto em cimento de Marcus Rovaris por outro em bronze (4.11.1995) com colocação de nova placa alusiva à substituição. Comemoramos o 30º aniversário de fundação da Associação Coral de Criciúma com entrega de placa da FCC. Comemoramos os Setenta Anos de Emancipação Política e Administrativa do Município em 4.11.1995 com a presença de seu primeiro magistrado e que discursou, o Dr. Euclides Cerqueira Cintra.

Tínhamos 300 alunos matriculados em nossas Oficinas com cursos de música, dança, artes plásticas, teatro e canto coral.

O TEATRO DA CIDADE

O Teatro Elias Angeloni tem 739 lugares e é de 30.1.1983, criado pelo Prefeito Altair Guidi. Foi totalmente recuperado pela jornalista Brigite Gorini, sua diretora em nossa administração. Espetáculo de estreia do teatro foi com o ator Paulo Gracindo em atuação consagradora. São 35 anos de relevantes trabalhos à cultura de nossa região.

A BIBLIOTECA PÚBLICA

A Biblioteca Municipal Donatila Teixeira Borba, sua primeira diretora, é de 2.12.1944, criada com acervo do Clube Recreativo Mampituba. A FCC comemorou o cinquentenário de fundação de nossa biblioteca que contava cerca de 16 mil títulos à época. Criamos um trabalho de extensão comunitária, as Bibliotecas Itinerantes, que percorriam nossos bairros de quintas a sábados. Eram dois reboques equipados com sistema de TV, vídeo e acervo de cerca de mil volumes cada um. Desenvolviam atividades recreativas, teatro de fantoches, desenho e pintura. Uma vez por mês o atendimento estendia-se às pediatrias dos hospitais da cidade com espetáculos especialmente dedicados às crianças hospitalizadas. A imprensa tem noticiado a intenção do Prefeito Clésio Salvaro de transferir a Biblioteca Municipal para o Centro Cultural Jorge Zanatta. Se for possível eliminar os ruídos que a localização e a utilização do Casarão propiciam, a ideia é excelente para um órgão municipal que tanto peregrinou por nossa cidade.

UM PROJETO PARA O MUNDO

A 3.11.1994, a FCC desenvolveu o Projeto Eclipse, a cargo de Adilamar Rocha. O notável trabalho desta nossa funcionária obteve reconhecimento internacional. Quatro minutos e três segundos foi a duração do fenômeno em nosso município, a maior duração do mundo habitado por humanos. O professor Luiz Carlos da Silveira, da UNESC, Departamento de Engenharia Agrimensura, elaborou um manual Fundamentos de Astronomia, eclipse de 3.11.1994, além de protagonizar a criação de elementos para proteção dos olhos na observação do espetáculo estelar.  Durante os meses que antecederam o eclipse solar total, panfletos foram distribuídos para esclarecer a população a respeito dos cuidados a serem tomados para observação do fenômeno, entrevistas em rádio, jornal e TV. Astrônomos do mundo inteiro correram para Criciúma a fim de documentar o eclipse. Como resultado, nenhum caso de lesão ocular foi registrado, fato virgem na história dos eclipses totais de sol. A divulgação e distribuição do material começou seis meses antes, nos eventos Ação Global e Ação Municipal. Guiomar Back, esposa do pediatra Solon Back, foi grande colaboradora para o êxito desse projeto. O próximo eclipse total do sol visível no Brasil será no nordeste em 2.8.2046. 

A QUERMESSE DE TRADIÇÃO E CULTURA

A partir de uma ideia de Ademar Costa, saudoso amigo e esposo da legendária colunista Beverly Godoi Costa, foi criada a Festa da Primavera. Ela foi origem da nossa Quermesse que se desenvolvia na Praça Nereu Ramos, tornada pequena, porque a festa assumiu proporções inesperadas. Já na nossa época tivemos de transferi-la para o espaço do nosso Parque Centenário.

O evento exibia a música, a dança e a cultura dos grupos étnicos que construíram nossa cidade, além da sua culinária.

Ainda penso que o grande mérito da Quermesse foi mostrar que, mesmo com a barreira da língua e da diversidade cultural, conseguiram os primitivos habitantes da região integrar-se sem serem assimilados culturalmente. Absorveram e se beneficiaram do conhecimento trazido por outras culturas e potencializaram essa experiência, favorecendo sua própria cultura. Cada um dos primitivos habitantes da região teve de superar obstáculos inenarráveis para dividir sua solidariedade e buscar caminhos comuns com outras culturas que redundaram no atual modelo brasileiro praticado em nossa região.

O CASARÃO

No momento em que se restaura e resgata esse precioso imóvel, é de inteira justeza e justiça revelar, mais uma vez, os nomes das pessoas que construíram a Fundação Cultural de Criciúma, FCC, em boa hora criada pelo Prefeito Eduardo Pinho Moreira.

A FCC foi criada pela Lei 2.829 de 15.3.1993 e teve seu estatuto aprovado pela edilidade em 19.11.1993. O Conselho Deliberativo, representando todos os segmentos de nossa sociedade, compunha-se de 28 membros, representando o mesmo número de entidades. Como cinco delas não manifestaram interesse em participar, decidiu-se que 23 representantes já estava de bom tamanho.

Nos anos 30 vem a doação do imóvel da família do coronel para a municipalidade construir uma escola. Em 1944 é a doação para o governo do Estado. Doada em 1976 para a União. Em 1942 era sede do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A 7 de maio de 1993, após contatos com Luiz Felipe Seara, diretor do DNPM para SC, a FCC passou a ocupar metade do Casarão. Oficialmente, isto ocorre desde 26.4.1994, após reunião na Procuradoria-Geral da República em Brasília, presentes Luiz Henrique da Silveira, então deputado federal e presidente do PMDB nacional, Eduardo Pinho Moreira, Liliane Motta da Silveira, Henrique Packter e a decisiva participação do Presidente do Tribunal de Contas da União, o Ministro Adhemar Paladini Ghisi. Ficou definido que o Casarão seria ocupado em todas as suas dependências pela FCC. Toda a questão foi sacramentada em 24.11.1995, quando a FCC e o senador Jorge Konder Bornhausen estiveram reunidos na Assembleia Legislativa em Florianópolis, obtendo seu apoio para a ocupação definitiva do imóvel.

Nunca será demais ressaltar que a restauração do Casarão deve-se a Jorge Zanatta, empresário e cidadão íntegro, exemplo em nossa comunidade. Ele compreendeu o alcance de atitudes de cidadania como a doação de haveres em benefício da população.

PROJETO MEMÓRIA CULTURAL MUSEU AUGUSTO CASAGRANDE

Doado pela família Joacy Casagrande Paulo em 19.5.1978 à Prefeitura de Criciúma, cuja restauração começou naquele ano mesmo. O Museu foi inaugurado em 9.1.1980, durante a comemoração e festejos do Centenário de Criciúma, na administração de Altair Guidi - Mário Sônego. Durante nossa administração, o Museu, que estava sob direção de Iara Gaidzinski, foi totalmente restaurado e recuperado.

Em 1976, professores do Departamento de Estudos Sociais da FUCRI incentivaram alunos a recolher ferramentas, instrumentos agrícolas, objetos antigos, fotos, cartas, roupas e móveis, além de utensílios domésticos. 264 peças foram coletadas em gincana realizada pelo Colégio Madre Teresa Michel. O acervo foi catalogado e entregue à FUCRI. Outros 252 objetos foram obtidos mais tarde e incorporados aos primeiros.

Em 1994, a FCC colocou o Museu à disposição dos alunos dos Cursos de Geografia e História da UNISUL, mediante convênio formalizado com aquela instituição.

PROJETO MEMORIAL DA CIDADE DR. DINO GORINI

Projetado pelo arquiteto Manoel Coelho e inaugurado a 6.1.1981 no Parque Centenário. É marco das cinco etnias formadoras do município. Italianos do Treviso, Beluno e de Bérgamo chegados em 6.1.1880. Poloneses em 19.10.1890, Alemães final de 1890, Negros em 1905 para trabalhar na Estrada de Ferro e na extração de carvão mineral e Portugueses representados pela minoria açoriana. No Memorial, as colunas que representam as etnias medem 33,70 m, 25 m, 17 m e 14 m. No subsolo há uma sala de 502 metros que recuperamos, invadida pelas águas que se achava. Painéis em cerâmica homenageiam os grupos étnicos que consolidaram nossa cidade com motivos típicos tendo ao lado o nome das primeiras famílias de imigrantes. A obra é dos falecidos artistas plásticos Jussara Guimarães e Gilberto Pegoraro. Por ocasião da entrega do Memorial estava presente à cerimônia a família do Dr. Dino Gorini, falecido em 21.7.1988, tendo à frente Dona Augusta Trento Gorini, viúva do saudoso e benquisto médico.

Próxima semana conclui LAERSON NICOLEIT

Por Dr. Henrique Packter 08/12/2018 - 06:00

O Hospital Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira & Acélio Casagrande

Contam-me da cerimônia que marcou a entrega à população da nova ala do HMISC. Apesar de inaugurada, ela só entrará em funcionamento em 17 de dezembro. Com mais de 4 mil metros quadrados, o local vai passar por um período de higienização e teste, além de capacitação dos profissionais. 

São novos leitos e a obra também contemplará seis leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal no antigo prédio, instalação de torre de vídeo para cirurgias ginecológicas e pediátricas.   Também o Banco de Olhos funcionará no local. O Governador Eduardo Pinho Moreira discursou, exaltando merecidamente o trabalho do Secretário Estadual da Saúde, Acélio Casagrande. Grande responsável pela obra é a pessoa que, lá atrás, deu início a tudo, mandando adquirir o prédio que pertencia a Santos Guglielmi. No auge de sua fala, Moreira teria reivindicado a descoberta dos talentos de Acélio para o mundo político. Mutatis mutandi a mesma coisa que Waldemar de Brito com relação a Pelé.

Na fala governamental, Eduardo Pinho Moreira teria referido como escolhera Acélio Casagrande para a Secretaria Municipal de Saúde, quando Prefeito de Criciúma em 1994.

POLÍTICA NO ATACADO

Bom, nesse assunto tenho alguma coisa a dizer se, para tanto, me derem licença. Isso, correndo o risco de suceder-me o que sucedeu com Brizola, candidato a governador do RS lá por 1958.

Teria havido um namorico comunista com o PTB no pleito de 1958 no RS, não bem correspondido por Brizola? Na verdade, o PCB emitiu manifestação de apoio ao partido trabalhista. Entrevistado logo depois, Brizola disse que não aceitava o apoio. A resposta veio noutra entrevista de Luiz Carlos Prestes, secretário-geral do PCB, celebrizado como Cavaleiro da Esperança. “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele”, vociferou Prestes.

POLÍTICA NO VAREJO EM CRICIÚMA

Quando a chapa do PMDB para Prefeito e Vice da cidade foi proclamada em 1992, havia um certo enfrentamento entre os dois grandes hospitais da cidade. Isto é coisa natural em se tratando de grupos que buscam a hegemonia no atendimento médico. A engenharia política do PMDB posta a serviço de governar a cidade, contemplava dois médicos do Hospital São João Batista: Eduardo Moreira (PMDB, para prefeito) e Anderlei Antonelli (PSDB, para vice). Aos médicos do Hospital São José parecia algo inaceitável.

Eduardo conversa separadamente com os médicos de ambos os hospitais. Ao término das conversações promete a Secretaria da Saúde para Luiz Augusto Borba, o Guto Borba, médico do Corpo Clínico do Hospital São José. E assim, foi. Ocorre que as coisas passam a não andar como deveriam andar e Guto Borba pede as contas. Criava-se grande impasse, porque nenhum outro médico do São José queria aceitar o cargo, em substituição a Guto.

Reúnem-se na Prefeitura todos os Secretários do governo municipal, prefeito e vice, os presidentes das duas Fundações (Cultura e de Esportes). Na condição de Diretor-Presidente da Fundação Cultural, também compareci à reunião.

Que fazer?  A quem entregar a gerência dos negócios da Saúde Municipal?

Todas as alternativas foram consideradas, enquanto célere o tempo corria naquela manhã de sexta-feira. Meus pacientes-impacientes aguardavam no consultório do Centro Médico São José da rua João Cechinel. 

À reunião também compareceu Acélio Casagrande, fiel escudeiro de Eduardo Moreira. Ansioso para retornar ao meu consultório disse a Eduardo que o Secretário não precisava ser Médico, Odontólogo, Farmacêutico ou Bioquímiico. Nem sequer precisava ser pessoa da área da saúde. Lembrei que o melhor Secretário da Saúde que o Rio Grande jamais tivera em sua história foi um radialista de Passo Fundo, pinçado por Brizola. Este obscuro personagem erradicou a tuberculose no Estado e construiu Postos de Saúde por todo o Rio Grande. Seu nome? José Lamaison Porto.

Acélio Casagrande era muito jovem, contava 33 anos, idade plena de rica simbologia e talvez nem integrasse o perfil ambicionado para o cargo. Mas, estava ali e preenchia outros importantes requisitos: era trabalhador, homem do partido e de fidelidade inconteste a Eduardo Moreira. Falei qualquer coisa, ressaltando que se tratava de buscar uma solução de emergência, algo como aquela velha história de acomodar melancias no caminhão que se desloca. 

Disse a Eduardo que, para mim, o jovem Acélio Casagrande era sua melhor opção e escafedi-me.  Acélio, por muito tempo, chamou-me de padrinho. 

LAERSON NICOLEIT

Fico com a impressão de que já escrevi sobre este assunto, mas, ele é de tal forma apaixonante que volto a ele, esperando que ninguém perceba. 

NICOLEIT nasceu a 29.11.1940 (Tubarão) e faleceu aos 57 anos em 7.6.1997 (Fumaça) e Claudino Biff faleceu aos 66 anos na Fumaça (19.08.1932, 28.10.1998). Mais contemporâneos impossível. O médico foi professor do Colégio Pio XII, para todas as séries, Florianópolis 1969. Médico pioneiro Morro da Fumaça, Diretor do Posto de Saúde, Secretário da Saúde do município fumacense. Pioneiro também em Treze de Maio, SC, 1971. Médico pioneiro Posto de Saúde e Secretaria da Saúde, Treze de Maio, SC, 1971. Médico efetivo e Diretor-Clínico Hospital Frei Rogério, Anita Garibaldi/SC, 1971. Membro Comissão de Desenvolvimento Municipal de Anita Garibaldi, 1971. Professor Curso Técnico do Colégio de Anita Garibaldi, 1971. Médico Credenciado do INAMPS, 1971, Anita Garibaldi, SC. Militar da Ativa (Exército), 20.06.69 a 04.06.71, prestação de serviços em Florianópolis (duas vezes); Porto Alegre; Blumenau; Curitiba e RJ. Em LAERSON NICOLEIT chega a Morro da Fumaça (1972) para iniciar prestação de trabalhos médicos na localidade, até sua morte em 1977.

Presidente Comissão Municipal do MOBRAL, Morro Da Fumaça, SC, 1972. Médico Pioneiro, fundador, construtor, organizador, Diretor-Presidente Hospital de Caridade São Roque, Morro da Fumaça. Médico Pioneiro e organizador do Hospital de Luiz Alves, SC. 

Convidado Especial do Governador de SC, Jorge Konder Bornhausen, participa da Comissão de Estudos da Situação dos Hospitais em SC.  Vice-presidente Associação Catarinense de Medicina, Regional Zona Carbonífera. Secretário Municipal de Saúde, Morro da Fumaça, SC, 1996 a 1997, convite do prefeito e particular amigo Claudionor de Vasconcelos. Era o ano de seu falecimento.

Em 1973 existiam apenas cinco, talvez seis olarias na região. Desde essa data, a atividade cerâmica torna o município conhecido. O RS compra tijolos na Fumaça (Pe. Claudino Biff). Em 1985 NICOLEIT retorna aos bancos da faculdade. Durante 5 anos frequenta a UNISUL, formando-se em Direito, na primeira turma deste curso. Torna-se professor na mesma Universidade, onde também foi nome de turma.

Escritor e poeta, publicou artigos em jornais e revistas. Escreveu livros de poesia: DIÁFANOS e POEMAS DE UM SONHADOR.

O primeiro médico a se instalar e residir no município foi Laerson Nicoleit. O primeiro prefeito, nomeado pelo governador Celso Ramos, foi Auzílio Frasson (1962/1963). O primeiro prefeito eleito nas urnas foi o cartorário Jorge Silva (PSD, 1963/1969, bisando em 1977/1983). O primeiro pároco foi o Padre austríaco Francisco Koerner. A comunidade religiosa era até então atendida pelo Cônego João Dominoni, que, já doente, pediu seu afastamento. O primeiro presidente da Câmara de Vereadores foi Fernando Zanatta, que hoje tem na cidade busto e praça em sua homenagem. Uma curiosidade: Miguel Medeiros Esmeraldino foi um dos vereadores eleitos na primeira legislatura. Depois residiria em Criciúma, trabalhando no Grupo Freitas e se elegendo/reelegendo vereador desta vez por Criciúma.

(Fontes: Morro da Fumaça, Passado e Presente", Ide Maria Salvan Maccari e Imigração Italiana, Mons. Agenor Neves Marques, Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia, Padre Claudino Biff. Crônicas da Diocese de Tubarão, Padre Claudino Biff).

PADRE CLAUDINO BIFF

Padre, escritor, poeta e historiador, faleceu relativamente cedo, vítima de parada cardíaca. Velado na Igreja Matriz São Roque, foi sepultado no Cemitério Municipal da cidade. O padre submetera-se a duas cirurgias de ponte de safena, possuía um marca-passo e nos últimos meses realizara angioplastia e cateterismo em Florianópolis. 

Claudino é filho do Intendente Leandro Simon Bif e Idalina Macari, neto de Bortolo Bif e Hermenegilda Simon Bif, de Agostino Maccari e de Teresa Citadin Maccari. Ordenado em 08.12.1958 aos 26 anos, rezou sua primeira missa na então nova igreja de Morro da Fumaça (14.12.1958). Era irmão do ex-prefeito e ex-presidente da Cooperativa de Eletrificação Rural, Paulino Bif. Deixou duas irmãs: Olga Bif Pelegrin e Selma Bif (religiosa, Irmã Anselma), da Paróquia de Tavares, RS, além da mãe, Idalina Bif, 89 anos. 

Claudino residia em Tubarão. Bacharel em Filosofia, Teologia e Sociologia, escritor e historiador, escreveu vários livros, sendo que a primeira obra (publicada em 93), contava com bom humor a história de Morro da Fumaça, sob o título, Morro da Fumaça e Sua Divina E Humana Comédia. Este livro é indispensável para entender a cidade e seus primeiros habitantes. Outros livros: Voos (poesias) Salmos da 25ª Hora, Ópera de Deus, Crônicas da Diocese de Tubarão, Credo de Maria Liberdade; Cântico do Irmão Lobo de São Francisco; Crônica da Diocese de Tubarão; Memórias de Nossa Senhora do Desterro e Seu jumento Macabeus (1994, Prêmio Pool Americana e Diário Catarinense); Raissa; Paixão de Jesus Cristo Segundo Seu Jumento Macabeus (Premio: 2º lugar Concurso da Fundação Cultural de Criciúma) e Jesus, o Galileu Passionário. Publicou várias poesias pela Unisinos (RS) e algumas delas, foram incluídas na Coletânea 3ª Idade, da Fundação Viva Vida do Governo de SC.
   
Conforme Anna Vitória que prefaciou Ópera de Deus, Claudino acreditava na literatura como um novo nascimento do homem, da mulher e de um novo milênio. Escrevendo desde 1990, apontava O Pequeno Príncipe como sua fonte de inspiração. Membro das Academias de Letras de São José e de Urussanga.

Por Dr. Henrique Packter 01/12/2018 - 06:00

Santo Zaccaron: a primeira professora de brasileiro que chegou na Fumaça foi embora porque não havia alunos. O marido chamava Fermínio.  A segunda, por mais de 40 anos ensinou a meninada a ler e escrever. Catequista de mil crianças, Idalina era casada com Abel Freitas, feitor da ferrovia. Primeiro professor não tinha a mão direita, chamava-se Martin Riccieri. Ensinava escola e canto só em italiano. Era pago pelo rei da Itália, dizia. Depois vem a professora Almira Olga da Silva Tonelli cujo marido era apicultor. Ela ensinava 2 horas de italiano e 2 horas de brasileiro. Quando a Itália ganhou a guerra de 14 contra a Alemanha, o rei Vitor Emanuel II mandava aos alunos italianos pobres do Brasil caderno, tabuada, caneta, lápis, lousa, pena, tinta e pagava os professores.  Santo Zaccaron dizia: sei ler por graça do Rei da Itália.

Claudino Biff: Vanteiro Margotti foi dos primeiros moradores da Fumaça. Era dono de armazém e não gostava do nome da cidadezinha. Em 1940, Claudino tinha 8 anos e viu o mapa de SC na escola trazendo em lugar da denominação Morro da Fumaça o nome Vanteiro Margotti... Linha Torrens tinha 2 igrejas, uma católica e outra dos adventistas russos e dois cemitérios também. O cemitério católico viria a ser a atual igreja, construída sobre a primeira. O cemitério adventista era a 300 metros aquém da igreja da linha Torrens que tinha Cooperativa e escola italiana. Fernando Fávero chefe da Cooperativa vendia tudo que se usasse na colônia de machado a pente, de enxadas a roupas, além de remédios e pregos. (Santo Zaccaron: os colonos eram sócios da Cooperativa, Fávero era só caixeiro). Linha Torrens era o centro social e Morro da Fumaça não existia. Fávero ao ver passar pela Cooperativa José Guglielmi, pai de Santo Guglielmi, perguntou onde ele ia; teve como resposta que ia comprar terras na Fumaça.
- Compadre Beppi, Linha Torrens é la vacca e Fumaça é la coda (rabo)...  

SAÚDE EM TEMPOS DA FUMAÇA    

Santos Zaccaron: Para dor de cabeça se usava Cafiaspirina. Certa vez ficou doente e tomou remédio receitado por farmacêutico polaco apelidado Dottorin. Zaccaron sofria de amarelão e ele deu Necatarina, remédio alemão. Foi tomar o remédio e lá se foi o amarelão...  Tinha o Dr. Lass de quem já se falou, médico alemão  

ÍNDIOS DA REGIÃO

Quem são? De onde vieram? Já se passaram 5 séculos do primeiro encontro e ainda nada sabemos de suas origens. Certo, temos aquela teoria de que venceram o Estreito de Behring, mas quando chegaram? 10 mil, 30 mil, 50 mil anos atrás? Quem seriam eles? Nem negros, nem hindus; descenderiam de qual tribo de Israel ou de qual dos 3 filhos de Noé?

Alguns deles, como os Aimorés, eram assassinos brutais, antropófagos, devorando carne humana em meio a orgias regadas a muito álcool de cauim ou vinho de mandioca. O ritual antropofágico era uma vingança contra índio inimigo, capturado em batalha.  Outros indígenas, os nossos índios da Fumaça, nosso pacífico Carijó, o melhor índio da costa, eram dóceis, prestativos, solidários. Morreram sem incomodar ninguém, no dizer de Claudino Biff. Havia entre nossos índios os Guarani—Kayowá que se suicidavam; empresários como os Kayapó; há tribos que não chegam a uma dúzia de indivíduos como os Xetá, outros a mais de 20 mil como os Tikuna. Não temos um único herói indígena apesar da ajuda prestada aos brancos portugueses, como o tupiniquim Tibiriçá que salvou São Paulo em 1562, além de Teniminó Arariboia que ajudou a derrotar os franceses em 1567 ou o Potiguar Felipe Camarão na vitória dos holandeses em 1649. Há também Tamoios, Ianomâmi. Praticamente todo nosso litoral estava habitado pelos Tupi-Guaranis na chegada dos portugueses. Tupinambá eram os Tupi, pai de todos, os Tupiniquins eram aliados dos portugueses contra os Tupinambá-Tamoio, aliados dos franceses. 

Doze eram as tribos de Israel e doze eram os profetas, mas, apenas onze as tribos indígenas espalhadas pelas costas brasileiras. Quinze séculos depois de sua grande migração dariam os índios de cara com os pálidos barbudos vindos do leste, autores de um dos maiores genocídios de que se tem notícia. Tupinambás e Tupiniquins ocupavam o litoral tendo expulsado para o interior as tribos bárbaras.   

Cada povo indígena tinha seus próprios costumes e modos de vida quando os portugueses chegaram ao Brasil. A língua predominante era o tupi-guarani, que ao contrário do que se possa pensar, é uma língua, e não um povo. Guerrear era para eles uma atividade defensiva, e não uma maneira de conquistar territórios, como hoje.

AS OCAS

A aldeia era rodeada por paliçada, espécie de cerca de lanças e crânios. Serviam como enfeites, para honrar aqueles que viraram jantar. Aldeias tinham de quatro a oito malocas, que abrigavam pelo menos três núcleos familiares. Os pertences dos indivíduos eram mantidos na oca dentro da área ocupada por sua família

CAÇA E GUERRA. APÊNDICE PARA NATAL CORAL.

Armas de guerra dos índios incluíam a borduna, tacape que funcionava como um martelo. Os arcos e flechas eram personalizados, trocando-se o desenho das pontas, a posição e o estilo das penas da flecha, além do tamanho e do formato dos arcos. Para caçar animais de pequeno porte (como aves terrestres), usava-se arco de longa envergadura e flecha de material leve com penas longas na parte traseira (auxiliava a sustentar mais tempo de voo)

A Companhia Metropolitana financiava a implantação de novas colônias. Acuados, os bugres passaram a atacar os ranchos dos colonos para intimidar os devastadores de floresta e também saquear os preciosos alimentos e utensílios do branco. Por vingança, assassinavam frequentemente mulheres e crianças.

Clima ficando cada vez mais pesado, colonos apoiados e incentivados pela Companhia Metropolitana, organizam expedições para afugentar os selvagens. Natal Coral era caçador audacioso. Sua casa sempre cheia de couros de onças e dentes de feras, atestavam seu conhecimento da mata. Ele atendia, com prazer até compreensível, a empreitada de caçar bugres.

Na Veneza, alto do morro onde hoje está o Hospital São Marcos, erguia-se majestática e altiva a sede da Companhia Metropolitana e residência de seu Diretor, Miguel Napoli. A encastelada-mansão tinha escadaria de acesso toda de mármore Carrara e o jardim descia da colina à planície. Foi por ali que Natal Coral, localizou grande acampamento de bugres em direção à serra. Acordou com Napoli pagamento de dois mil réis por orelha de bugre. Natal mais duzentos homens foram à caça. Na madrugada, após grande festa, índios caíram em sono profundo. Sono do qual jamais acordaram...

Due malle, duzentas orelhas de homens, mulheres e crianças Natal Coral cobrou a Miguel Napoli que recusou conferir o produto da chacina. Também fez com que todos se calassem. Só não se acalmaram, os índios (Baseado em artigo de Eder Giovani Savio - Tradição de Vanguarda, n. 05, ano 2, Junho/91).  

HISTÓRIA DE ÍNDIOS PINGUÇOS 

Em 1947, na mata virgem de Lauro Müller, foram encontrados três únicos índios Xoclengue sobreviventes. À maneira de Manoel Menezes, jornalista e político das antigas, devo dizer, não sem certo desconforto, que os três indígenas eram dados a libações alcoólicas, especialmente cervejas, trazidas pelos empresários do carvão. Tinham eles lá suas preferências etílicas. Ao indígena mais velho agradava a Cascatinha-Brahma, cervejinha elaborada com a água celestial das serras petropolitanas. O segundo em idade derretia-se ao ouvir falar em Continental-Cassol, cerveja produzida no RS. Já ao terceiro desde que fora trabalhar em Caxias, só tomava cerveja Leonardelli-Escariola.  Reunidos os três paus d’água na estação da Estrada de Ferro, aguardando o trem pede o primeiro, dinheiro na mão:

- Traz uma Cascatinha-Brahma no capricho!
O segundo:
- E prá mim uma Continental-Cassol!
O terceiro fanático:
- E prá mim um suco de laranja!
Entreolham-se os dois primeiros, sem entender. Volta a falar o do suco:
- Como vocês não vão beber cerveja, também não vou!     

Vem também desta data a história do cacique que viajava pela ferrovia desde Lauro Müller a Imbituba com seu ajudante de ordens. Era a primeira viagem da dupla. Vai senão quando o chefe ordena:
- Estou com sede, traz água chefe.

Passam-se os minutos. Afinal, ele volta com um balde água, tomado de um gole só. Poucos minutos depois, nova ordem: chefe quer mais água. Interminável tempo se passa até a volta do prestimoso auxiliar, balde vazio nas mãos.
- Que aconteceu?
- Homem branco sentado em cima do poço! 

NEGROS

Negros não eram muitos na Fumaça, mas todos sabiam falar italiano e rezar em latim (Biff, 2001, p. 15 em Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia). Eram: Manoel Italiano, Chico Doce, Marco Abrão (leitor de Bíblia), Nego Anjo, João Gandia, Nego Rosalindo, Inácio e a parteira Perpétua.

LAVANDO A ALMA

Índios da costa banhavam-se praticamente com a mesma frequência com que encaramos o chuveiro nosso de cada dia. Aliás, nossa higiene corporal é herança indígena, não europeia. O contato com a água acontecia desde cedo – rios eram locais de diversão para as crianças. Até os prisioneiros prestes a virar grelhado passavam por banho cerimonial antes da execução

PET SHOP

Índios tinham animais domésticos, os xerimbabos (minha coisa querida, em tupi). Animais serviam para embelezar, como as araras, os tucanos e periquitos, ou para mostrar respeito à natureza. Filhotes de macacos eram adotados pela aldeia caso sua família tivesse sido morta por caçadores.

DONA EULÁLIA

Ela é do sertão do sul do estado, não nasceu no RS por detalhe. Nos seus quase 85 anos acompanha rádio-jornal-e-Tv, nada lhe escapa. Vem fazer sua consulta anual e comenta as últimas.

- O doutor viu como a juíza deu um nó no Lula, lá em Curitiba? Acho que ele vai ter saudade do Moro! E ele está bem mais magro, não viu? Parece que ele emagreceu uns 5 litros... Igual ao nosso Inter, só que deu em ganhar, sem mais nem menos. Andam dizendo que o Guerreiro vem aí, em abril, parece. Acho que ele vai ficar bem louco lá no Rio Grande...

Continua próxima semana Laerson Nicoleit pioneiro medico na Fumaça

Por Dr. Henrique Packter 24/11/2018 - 06:00

Entrevistar não é uma arte, é uma técnica, não tem nada de arte, disse o falecido jornalista Carlos Heitor Cony em entrevista de 1999 antes de assumir sua cadeira na Academia Brasileira de Letras, mas depois de escrever Muita Intolerância na Casa de Tolerância. Cony é cético até a alma, um agnóstico, mas devoto de santos! Adoro santos, dizia. Em maio de 1999 anunciou processo doloroso de retorno à fé em Deus. Na verdade, Cony era um pessimista bem-humorado, um anarquista inofensivo. 

Saiu-se com esta, após entrevista presidencial:
- Lula está bem mais magro, gente. Acho que ele perdeu uns 20 litros.

De acordo com Cony, jornalismo tem de ser objetivo, ao contrário da literatura que tem de ser subjetiva. O jornalismo parte do universal (bebeu, porque inchou) para o particular (inchado, porque bebeu) e a literatura, a arte em geral, faz o contrário, parte do individual para o universal. Cony reclama: o entrevistado atrapalha a entrevista. Na MANCHETE, devia levantar a bola dos entrevistados, via de regra pessoas essencialmente medíocres. Pobres pessoas, dizendo banalidades. 

Na investigação policial e no debate forense, o objetivo é buscar a verdade, para condenar ou para absolver. No jornalismo é diferente. Jornalistas precisam apenas mostrar a verdade. Um dos erros maiores da entrevista ocorre quando o entrevistador funciona como promotor ou como advogado de defesa. Tecnicamente, isto é para o tribunal ou para a polícia, não para o jornalismo das oito do período eleitoral.

As pessoas mentem muito nas entrevistas, Cony? 
- Sim, muito. Totalmente. A narrativa da notícia trabalha com uma organização própria da realidade; é conveniente pensar na entrevista seguindo a mesma trilha: O quê, quando, quem, como, onde e por quê, nesta ordem. É salutar imitar coisas boas. Nosso país é um país imitador; a própria língua que falamos é um inglês mal traduzido.

Todos esses pensamentos vieram-me à cabeça após leitura de matérias, entrevistas sobre o Centro Cultural Zanatta, publicadas em nossa imprensa, na semana que passou. 

A FCC, CONTINUAÇÃO

Teatro Municipal Elias Angeloni, única sala de espetáculos no sul catarinense, necessitava reforma emergencial de suas 739 poltronas danificadas, recuperação das lâmpadas guias e da iluminação geral da casa, revestimento dos bancos do hall, renovação da forração da escadaria, colocar portas entre a sala de espetáculos e o hall. Brigite Gorini, em 1993, conduziu as atividades de reparação e restauro desta casa. Obteve, entre outras coisas, mão de obra e material gratuitos para o trabalho. Na fachada do prédio uma viga ruíra, estilhaçando vários daqueles enormes vidros, exigindo reparos.

MINHAS TELAS 

Não ouso chamar de pinacoteca a meia dúzia de telas pendurada nas minhas paredes. Telas que meio fui ganhando, meio adquiri, as mais antigas são de 1961. Quem delas cuida é minha mulher e ainda não perdi sequer uma moldura, não há fungos, nada. Perdi, é bem verdade e tive de trocar, alguns pregos enferrujados, coitados.  As telas resistem impávidas e fagueiras, sem traço de deterioração, plenas de pudicícia.

Também não adotei em minha casa política de aquisição de obras, cronogramas, nem identidade que auxiliasse a caracterizar o acervo. As obras que tenho foram adquiridas porque eram decorativas ou porque tocaram nossa sensibilidade. E porque seus preços eram bem acessíveis e podiam ser exibidas livres, leves e soltas.  

Cuidados tomados de 1993/1996 com peças da Galeria e assumidos pela FCC foram poucos, lamento ter de confessar. Por valiosa, lembro-me de tela, presente do grande mestre e amigo Willy Zumblick, na verdade o meu retrato. Além de prestigiar a FCC com mostras de grande sucesso, doou-nos telas. Nosso pessoal frequentava cursos e seminários. A título de ilustração: Oficina Regional de Museologia (18,19 e 20 de abril 1994, Museu Augusto Casagrande). Seminários foram organizados para o aprendizado de cuidados com nosso patrimônio (1º Seminário Sul Catarinense para Preservação do Patrimônio Histórico, 15.04.1994, Salão Ouro Negro, PMC, FCC, IAB). A Fundação Catarinense de Cultura era dirigida no mesmo período por SALIM MIGUEL, o maior escritor barriga-verde de todos os tempos e meu amigo, facilitou proveitoso intercâmbio cultural. 

2004

Já falamos que Realdo Santos Guglielmi muito auxiliou a FCC justamente quando mais precisávamos. Não havia recursos que possibilitassem o início das ações culturais. Organizamos uma mostra coletiva de artistas plásticos com a esperança de que venderíamos algumas obras, recebendo a Fundação pequena percentagem pela venda para fazer frente às despesas com o coquetel de abertura, convites, impressos, segurança...

Para grande surpresa nossa, Realdo adquiriu todas as 80 telas e esculturas que ainda iriam ser expostas!

2004 foi um ano aziago, para Criciúma, para SC e para o mundo. Nesse ano perdemos duas figuras da maior importância no cenário industrial da cidade, do estado e do país. Com diferença de 5 meses faleceram Manoel Dilor de Freitas (25.8.2004, 71 anos) e Realdo Santos Guglielmi (25.3.2004, 63 anos). Também faleceram os atores Christopher Superman Reeves e Marlon Brando, os políticos Leonel de Moura Brizola, Ronald Reagan, Yasser Arafat, Enéas E.P. Faria, intelectuais como Fernando Sabino e Borjalo, o economista Celso Furtado. O furacão CATARINA é desse ano, assim como o lançamento do Facebook. 

NEREU GUIDI

O ex-deputado federal Nereu Guidi, falecido em 2011, procurou-nos na FCC em 1996 para informar que a doação da Casa que pertencera à Prefeitura em 1944 ocorrera sem autorização do poder Legislativo, o que tornava o ato ilegal e, portanto, anulável. Segundo Nereu, uma ação declaratória de nulidade de doação, seguida de pedido de reintegração de propriedade, permitiria ao município reaver o terreno e respectivas instalações. Infelizmente, para atender a compromissos familiares, tive de demitir-me da direção da FCC em

1996. 

COMO SURGIRAM OS PROJETOS DA FCC. PRIMEIRA DIRETORIA

Um mês antes de assumir o cargo de Diretor-Presidente da FCC, reuni em minha residência e durante uma semana, todas as noites, grupos interessados em discutir a cultura criciumense. Anotávamos sugestões para diferentes ações. Destas reuniões recolhemos ideias para 26 projetos, elaborados pelos participantes das reuniões e que tentamos implantar e implementar. Destes todos, pode-se dizer que apenas cinco projetos não decolaram. A FCC tinha como colaboradores: Liliane Motta da Silveira (Diretora Superintendente Executiva), Gilberto João de Oliveira (Diretor Administrativo e Financeiro), Sayonara E. Lentz Meller (Diretora de Ação Cultural), Brigitte Gorini (Diretora do Teatro Elias Angeloni), Iara Maria Gaidzinski (Diretora do Museu Augusto Casagrande), Adilamar Rocha (Diretora de Eventos). Nosso Conselho Deliberativo era composto por 22 representantes de todos os segmentos da sociedade criciumense (Moema Godoy Costa, Maria I. Conti Victor, Gundo Steiner, Jorge H. Coral, Albino J. de Souza Fº, Adelor Lessa – entre outros). Assessoria Jurídica era de Paulo Vieira Aveline.

O Conselho Fiscal contava com Catarina Tomazzi, Osmar R. Piovesan e Moacir Sônego. Havia um Conselho Contábil e de Orçamentos, a Sociedade dos Amigos da FCC, uma Comissão Técnica de Relatórios e Sugestões para o Tombamento de Bens Municipais (SULCATUR - José Augusto Hülse, FCC – Mário Belolli, Secretaria do Meio Ambiente – César Paulo de Luca, Instituto de Arquitetos do Brasil – Isis de Oliveira, FUCRI - Edson Paegle Balod). 

UMA QUESTÃO DE ACUIDADE VISUAL

Quando assumi a direção da FCC já contava com mais de 30 anos de exercício profissional médico. Voltando de reunião no Centro Cultural Jorge Zanatta chego ao consultório para saber que uma senhora, já nonagenária, era a primeira cliente do dia. Acompanhada de uma filha, quando as cumprimentei recebi uma chuva de elogios vindos da idosa senhora:

- Como o senhor está jovem! Que aparência maravilhosa!
Sentei-me extremamente satisfeito, banhado por estranha felicidade. A filha chegou-se para sussurrar ao meu ouvido:
- Doutor, os outros oftalmologistas dizem que a visão dela está reduzida a 5%...

HONESTIDADE POLÍTICA
Hoje em dia, a pátria está assombrada pelo espectro da propina, da desonestidade, do roubo institucionalizado.
Não se ouve falar de que algum político tivesse recusado propina, que denunciasse o autor da oferta ilícita. Não estou me referindo, e não vale, a tal de delação premiada, pois claro. Quererá isso dizer que não há políticos honestos? 
Na FCC, certa manhã fui abordado por proprietário de uma das gráficas da cidade. Elogiou o imóvel, falou do tempo, da falta de trabalho e propôs, olhos no chão de tábuas corridas da Fundação:
- O senhor poderia mandar fazer todos os impressos da Fundação comigo e eu lhe daria de graça todos os impressos que viesse a necessitar para seu consultório...
Já outro, paciente atendido gratuitamente por não reunir condições para pagar por seu tratamento, veio consultar:
- Doutor, o senhor me dá um atestado bem bom para me aposentar e no Natal eu lhe dou um peru bem gordo...
Por essas e outras, estou sem saber se sou honesto ou não. Talvez eu não tenha sido suficientemente tentado. O ganho esperado pouco expressivo talvez tenha facilitado a recusa. 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O CENTRO CULTURAL JORGE ZANATTA  

A esmagadora maioria das peças da nossa modesta coleção abrigada na Galeria de Artes Octávia Búrigo Gaidzinski resultou de doações e de obras deixadas pelos autores com a promessa de retornar para buscá-las um dia.

Promovíamos as obras de nossos artistas plásticos, criando mostras individuais e coletivas. A FCC cuidava dos eventos, fazia a divulgação, contratava serviços, criava folders e cartazes, disponibilizava espaço, adquiria os costumeiros produtos destinados ao consumo dos visitantes durante as mostras.  Agradecidos, muitos destes artistas doavam obras à FCC, escolhidas entre aquelas que não haviam sido adquiridas. Este foi o início de nossa coleção. Willy Zumblick foi presença sempre presente e obsequiou a FCC com seus trabalhos tão buscados.  Para homenageá-lo criamos a Sala que levava seu nome dentro do Casarão da Pedro Benedet. Inaugurado em 2000, o Museu Willy Zumblick, do Centro Municipal de Cultura de Tubarão, mandado construir pela Prefeitura, é justa homenagem a um dos maiores artistas plásticos que nosso país já teve.

Próxima semana continua verdadeiramente LAERSON NICOLEIT

Por Dr. Henrique Packter 17/11/2018 - 06:00

E ESSA AGORA?
Deu na TRIBUNA e a notícia, até agora, aparentemente não provocou maiores reações. Essa apatia, este nada-fazer, nada-dizer e não manifestar-se, significa que a sociedade criciumense concorda com a inacreditável perda do prédio-sede da Cultura Municipal, pleiteado pelo coronel-comandante da Polícia Militar da 6ª Região? 
Informação surgiu providencialmente logo após o encerramento da obra que restaurou o Centro Cultural Jorge Zanatta, promovida pela Prefeitura de Criciúma. 
O coronel Cosme Manique Barreto, Comandante da 6ª Região da Polícia Militar, abrangendo os 27 municípios da Amrec e Amesc, utilizou espaço da Tribuna Livre, na Câmara de Vereadores de Criciúma, revelando querer ocupar a parte frontal do prédio do Centro Cultural Jorge Zanatta. 
O coronel-comandante quer transferir para o local a sede da 6ª Região, que hoje funciona junto ao 9º Batalhão de Polícia Militar de Criciúma. “Essa circulação de policiais vai diminuir muito as ocorrências ali existentes”, disse. Na proposta, a Cultura utilizaria o pavilhão na parte de trás da estrutura. 
O Centro Cultural Jorge Zanatta sofreu reparos e restauração porque o poder público, desde 1993, data da sua única reforma e restauração, patrocinada por Jorge Zanatta, não dedicou qualquer cuidado à manutenção do Casarão. A ida do coronel à Câmara veio com requerimento do vereador Júlio Kaminski (PSDB). 
Outras sugestões
Vereadores sugeriram outros locais para instalação da PM, mas o coronel-comandante está irredutível, justificando sua atitude pela logística, arte que trata do planejamento e realização de vários projetos, muito utilizada durante as guerras. Afirmou ser seu sonho (e agora nosso pesadelo municipal-cultural), a instalação da 6ª Região no Centro Cultural Jorge Zanatta.
Memória cultural
A Cultura Criciumense utiliza o prédio histórico desde 1993, há mais de 20 anos, até 2015, quando teve interditado a totalidade de suas instalações. Propriedade da União, não haveria possibilidade de intervenção do Governo Municipal no seu restauro (vereadora Geovana Zanette, PSDB).
Mas, estimada vereadora, estariam também interditados reparos emergenciais, realizados com o objetivo único de impedir que o Casarão ruísse, como de fato ruiu?
Prefeito Clésio Salvaro obteve a cessão de uso (2017) e início da restauração, em fase final, inauguração prevista para 14.12.2018. Volta a FCC para seu legítimo local, trazendo ao espaço a biblioteca municipal, oficinas e outras manifestações culturais. Clésio Salvaro (PSDB) relatou não saber das intenções de Manique Barreto e que não se manifestaria antes de ser comunicado. Disse, que a princípio, o local é um espaço cultural.
A CULTURA, RESPEITÁVEL PÚBLICO
Conflitos culturais serão sempre cruéis e dificilmente se resolverão por diálogo. Como provar quem tem a razão? Contudo, o estudo da história pode fazer com que se alcance melhor compreensão dos fatos. 
A solução dos conflitos não reside na litigância, mas em demonstrar certa tolerância. Litigar consome muita energia que pode ser canalizada para algo útil.  Se é sua intenção fazer um mundo melhor, desconfie das alegações fantasiosas, aprimore seu senso de observação, reavalie de tempos em tempos suas premissas e objetivos, estude as lições do passado e seja tolerante, em sendo possível.
O INÍCIO
Assumindo a direção da FCC, procurei Jorge Zanatta, acompanhado do arquiteto Fernando Jorge da Cunha Carneiro, encontrando-o no Balneário Rincão. Zanatta concordou em bancar a restauração do imóvel do DNPM para a FCC, impondo como condição que Gilberto João de Oliveira, Diretor Administrativo e Financeiro da FCC, recebesse as contribuições semanais. Falecido em 2013, Gilberto Oliveira foi cidadão exemplar dentro e fora da FCC.
CENTRO CULTURAL JORGE ZANATTA
Difícil fazer ideia do que foi lidar com o problema fazer retornar ao município, o uso deste Casarão. Construído na década de 1940 para o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), foi o local da instalação do primeiro serviço de água tratada da região. 
A família do coronel Pedro Benedet doou o terreno que abriga o Centro Cultural da FCC, para a municipalidade. Em 1942 a Casa já era a sede do DNPM. O DNPM é autarquia federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME) criada a 08.03.1934.  Em 1944 o município doou o prédio para o Estado que em 1953 passou a ser a sede do Plano Nacional do Carvão, órgão ligado diretamente à Presidência da República. Em 1960 foi criado o Ministério de Minas e Energia e o DNPM a ele incorporado. Já em 1962 era administrado pela Comissão Executiva do Plano do Carvão Nacional. Utilizado como cárcere no primeiro ano do regime militar, o médico Manif Zacarias foi uma das pessoas aprisionadas no local. Em 1970 com a extinção do Plano Nacional do Carvão a Casa passou ao CNP (Conselho Nacional do Petróleo, criado em 1938). Em 1976 o Estado doou o prédio para a União. Em 1990 é extinto o MME criando-se o Ministério de Infraestrutura (MIE) ao qual DNPM e a Casa foram vinculados. 
Em 1991, desativado o escritório do CNP, teria sido solicitada (sem êxito), a doação do prédio do MIE, para a cidade.  Em 1992 por sua vez é extinto o MIE, voltando à cena o MME; o DNPM é autarquia vinculada ao Ministério.
Em 07.05.1993, após contatos com o engenheiro Luiz Felipe Seara, diretor do DNPM/SC, a FCC ocupou metade do espaço físico do Casarão, criando ali o Centro Cultural Jorge Zanatta. Nesta ala passavam a operar a administração e a Oficina de Artes Plásticas e Cênicas da FCC. Também a Galeria de Arte e Pinacoteca.  
Periódicos criciumenses divulgaram a notícia de que a Procuradoria Geral da República (PGR) estaria se instalando em Criciúma, e que desalojaria a FCC do Casarão histórico. O Prefeito Eduardo Pinho Moreira, Liliane Motta da Silveira (substituta legal do Diretor-Presidente da FCC), o deputado Luiz Henrique da Silveira (presidente do PMDB), Adhemar Paladini Ghisi (Ministro do Tribunal de Contas da União) e eu, participamos em Brasília de reunião com funcionários da PGR.
MINISTRO ADHEMAR PALADINI GHISI 
Nasceu em 24.12.1930 na Vila de Braço do Norte, que pertencia a Tubarão. Curso primário realizou no Grupo Escolar Jerônimo Coelho de Laguna, Escola Estadual de Guarda e Grupo Escolar Hercílio Luz, ambos de Tubarão. Secundários (1º Grau): no Ginásio Lagunense, Laguna (1946), e 2º Grau, nos Colégios Catarinense, Florianópolis (1948), e Diocesano, Lages (1947 e 1949).
Em 1951 e 1952, foi Secretário do Centro Acadêmico Maurício Cardoso, PUC/RS, onde estudava. Bacharelou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da PUC/RS (1954). Lecionou na Escola Técnica do Comércio de Tubarão.
Na política foi parlamentar atuante, exercendo dois mandatos de Deputado Estadual e cinco de Deputado Federal. Iniciou na antiga UDN, filiando-se depois à ARENA e ao PDS. Era casado com Sônia Balsini Ghisi, filha de José Tarquínio Balsini, com quem teve três filhos.
Adhemar Paladini Ghisi, grande liderança política de SC, destacou-se na defesa dos interesses dos mineiros de Criciúma, dos pescadores de Laguna e Jaguaruna.
Empossado Ministro no Tribunal de Contas da União (TCU), em 06.3.1985, foi Vice-Presidente de 1988 a 1989 e Presidente de 1990 a 1991, aposentando-se em 2000. 
Adhemar Ghisi morreu a 2.7.2008, aos 78 anos, em Lisboa, Portugal, por complicações de pneumonia, contraída em viagem de férias pela Europa. Velado no Salão Nobre do TCU foi sepultado no Cemitério Campo da Esperança, setor dos pioneiros, Brasília, onde residia desde 1985.
ADHEMAR GHISI, REUNIÃO 
NA PGR, BRASÍLIA, 26.04.1994.
Figura política e humana maior, sua atuação foi decisiva, dominando sobranceiro a reunião na Procuradoria Geral da República em Brasília. O Procurador escalado para dirigir os trabalhos mal avistou o Ministro, levantou-se, braços estendidos: 
- Chefe, que posso fazer pelo senhor?
A FCC continuaria utilizando o imóvel e batalharia para ocupar a outra metade da casa. A PGR iria operar em outro local, cedido pela prefeitura. 
JORGE ZANATTA
Jorge Zanatta, nascido em Linha Torrens, 28.10.1924, pertencente na época a Urussanga, tornou possível a recuperação e restauração do Centro Cultural da FCC que leva seu nome com inteira justiça. Casado com Adelinda Bergmann, pai de quatro filhos, teve oito netos e um bisneto.
Filho de Vergínio e Angelina Búrigo Zanatta, trabalhou até os 15 anos na lavoura, engenho de farinha e na serraria da família. Mudou-se para Morro da Fumaça (1939), onde trabalhou por quase sete anos na loja de tecidos, secos e molhados de Nico e Santos Guglielmi. Em 1945 trabalha em Criciúma, como comprador e vendedor da loja de ferragens do irmão, Alcino Zanatta. Inaugurou em Criciúma (1956), estabelecimento no ramo de ferragens em geral, Zanatta & Cia Ltda.
Fundou Canguru Embalagens (1970), com outros sócios; a Promove (1973), indústria de edição e impressão de produtos gráficos. Criou mais três empresas em Criciúma, a Descartáveis Zanatta, a Imbralit e a Canguru Agropecuária (1974).
Desde 2007 dedica-se à presidência do Conselho de administração do grupo Jorge Zanatta. Foi conselheiro vitalício e colaborador do Criciúma EC. Cidadão honorário de Criciúma em 1996.
Jorge Zanatta faleceu aos 83 anos, em 4.10.2008, há dez anos, por complicações da insuficiência renal. Dos grandes industriais catarinenses, construiu um dos nossos maiores conglomerados econômicos, o grupo Jorge Zanatta, abrangendo empresas do setor plástico, químico e cerâmico. 
OUTROS GRANDES COLABORADORES DA FCC
Com o decisivo apoio do senador Jorge Konder Bornhausen, o restante do prédio, subutilizado pelo Ministério de Minas e Energia, foi ocupado pela FCC logo após entrevista que tivemos com o senador, na Assembleia Legislativa em Florianópolis, a 24.11.1995.
Não é demais ressaltar e repetir que a FCC e Criciúma muito devem a JORGE ZANATTA, LUIZ FELIPE SEARA, EDUARDO PINHO MOREIRA, LILIANE MOTTA SILVEIRA, REALDO GUGLIELMI, LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA, JORGE KONDER BORNHAUSEN e ADHEMAR PALADINI GHISI. 
MATÉRIA JORNALÍSTICA (2013)
O extinto Jornal da Manhã estampou matéria em 9 e 10.11.2013 intitulada Acervo público de obras está acomodado. Refere-se à FCC da qual fui o primeiro Diretor-Presidente em 1993.
SITUAÇÃO NA FCC DAS OBRAS DE 
ARTISTAS PLÁSTICOS REGIONAIS 
OBRAS EMPILHADAS, editorial do Jornal da Manhã, faz a “triste constatação (de que) numa das salas anexas do Teatro Elias Angeloni obras de artistas (...), estão empilhadas”, e, “Sem os cuidados necessários entram em deterioração” (...) “O Centro Cultural Jorge Zanatta, prédio histórico, está a ponto de desmoronar e enquanto recursos do Governo Federal não são liberados esse lado da cultura pede socorro”.
Na página 7, matéria de DJONATHA GEREMIAS esmiúça o assunto: 99 obras de 52 artistas doadas à FCC “são guardadas ali, sobrepostas umas às outras”.
Relatório de meados de 1995 da FCC: “o total do acervo da Galeria conta com 23 títulos além de inúmeros catálogos informativos, a maioria doados pelo MASP (...). São 26 obras de arte entre pinturas, gravuras, esculturas e colagens”. Obras conquistadas pela FCC em 30 meses de vida (quase uma aquisição por mês). Na Galeria de Arte OCTÁVIA BURIGO GAIDZINSKI, da FCC, nos seis meses (27/4 a 26.10.1995), ocorreram oito diferentes exposições para 1.500 interessados”. A primeira mostra da FCC de nossos artistas plásticos, teve todos seus 80 trabalhos adquiridos pelo empresário REALDO GUGLIELMI.
Na mesma matéria é entrevistada Daniele Zacarão, coordenadora de Arte da FCC: “Alguns trabalhos estão danificados há muito tempo. Obras em papel têm fungos e outras em madeira têm cupins”. Mais adiante: “a situação atual é resultado acumulado de muitas administrações. Há muitos anos o acervo foi criado sem condições de mantê-lo. Artistas que faziam exposições na galeria deixavam algumas obras em forma de doação. Outras pessoas da cidade que queriam desfazer-se de obras (...) as deixavam sob responsabilidade da Fundação. Nunca houve uma política de aquisição, nem uma identidade que caracterizasse o acervo”.
No período que respondi pela direção da FCC (1993/1996), a Galeria Octávia Búrigo Gaidzinski nunca recebeu doações de obras de pessoas que delas desejassem desfazer-se, por se tratarem de trastes. Também não assumi responsabilidade pela guarda destes bens além do período de minha gestão. E, as obras eram doadas, não deixadas sob nossa responsabilidade. Declarações de Daniele fazem pensar que não deveríamos ter criado o acervo artístico-cultural da entidade pela impossibilidade de acesso a exigências técnicas de conservação dos bens. 
Criada em 15.03.1993, presidi a 10.04.1996 a última reunião da primeira gestão da FCC, entregando o cargo a Júlio Cezar Lopes, escolhido pelo prefeito Eduardo Pinho Moreira para substituir-me. 
Pergunto se nosso diminuto acervo, menor que 100 telas, justificaria a “... criação de ambiente tecnicamente adequado para comportar o acervo, manter política de... restauração, recuperação e preservação das obras e criasse e executasse cronogramas de ações sociais para acesso público e circulação do acesso”. 
Outras eram as prioridades. Quando assumi, necessitávamos de local para trabalhar: espaçoso, bem localizado, novo ou restaurado e sem ônus para os combalidos cofres municipais. Imóvel encontrado, nós o ocupamos e o mecenato de JORGE ZANATTA restaurou-o. Totalmente recuperada foi entregue à cidade em 1996. 
A escassez de recursos quando da criação da FCC, aliava-se à atenção imediata que estavam a exigir o degradado Museu da Imigração Augusto Casagrande, o arruinado Teatro Elias Angeloni, o submerso Memorial Dino Gorini (ambos no Parque Centenário), mais a Mina Modelo, insolúvel problema jurídico. Somente a Biblioteca Pública Municipal Donatila Borba mais a Casa da Cultura Neusa Nunes Vieira não representavam problemas a exigir atenção. Os parcos recursos foram canalizados para prioridades, elencadas e cumpridas.

Próxima semana conclui Fundação Cultural de Criciúma.

Por Dr. Henrique Packter 10/11/2018 - 06:00Atualizado em 10/11/2018 - 14:23

Os leitores, e o próprio Dr. Laerson Nicoleit, falecido faz muitos anos, vão ter a santa paciência, mas estou interrompendo o relato sobre PIONEIROS MÉDICOS para comentar e tentar restabelecer a verdade sobre alguns fatos acerca da história do casarão da Fundação Cultural de Criciúma. Desde que li na TRIBUNA dessa semana que o prédio da FUNDAÇÃO CULTURAL JORGE ZANATTA está recuperado, restaurado e prestes a ser entregue ao respeitável público, tenho pensado no assunto. (Sábado, 8.12.2007. Baseado em matéria de Ana Paula Cardoso).
COMO SE DESENROLOU ESTA NOVELA? 
Eduardo Pinho Moreira, quando prefeito de Criciúma, criou a Fundação Cultural de Criciúma (FCC) e Henrique Packter foi seu primeiro diretor-presidente (Lei 2829 de 15.3.1993, estatutos aprovados em 19.11.1993).
Estatutos que logo mereceram duas reformas parciais, uma pela constituição do Conselho Deliberativo – CD (diminuição) e outra pelo Turismo (acréscimo), em 2.7 e 12.9.1994. CD tinha 28 membros; 6 entidades não existiam ou não manifestaram interesse em participar (Associações Culturais e Sindicato dos Trabalhadores, entre eles), resultando em amputação do CD, reduzido a 22 membros, entre os quais Adelor Lessa representava a ACI.

1º.3.1994: esgota-se último prazo e 2/3 dos membros do CD não haviam sido indicados pelas respectivas entidades. 16.5.1994: que fazer com relação às 6 associações que se recusavam a indicar representantes apesar de insistentemente cobradas? As 6 entidades foram excluídas, pois claro.

À data da criação da FCC, nosso levantamento revelou que a cidade dispunha de 35 artistas plásticos, 10 grupos corais, 13 entidades étnico-culturais, 7 academias de dança, 1 escola de música, 10 grupos folclóricos, 106 associados da Amucri.

E O CASARÃO?
Um dos imóveis nossos, historicamente mais valioso, com forte apelo econômico e político, teve na sua trajetória preservação quase garantida pelo tombamento. A condição de patrimônio histórico, artístico e cultural foi decretada pela Prefeitura de Criciúma em 1991 e referia-se à sede da FCC, que instalamos no Centro Cultural Jorge Zanatta. O casarão em estilo arquitetônico colonial espanhol, construído em 1944/1945 e localizado na Coronel Pedro Benedet, Centro, foi construído para abrigar o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), quando Criciúma despontava na extração do carvão mineral (1945). Era centro do levantamento geológico e topográfico da região.  Na época, a cidade recebeu o título de Capital Brasileira do Carvão. De acordo com o ex-vereador e autor do requerimento de tombamento, Márcio Arcângelo Zaccaron, era intenção inicial tornar a casa um centro de cultura ou museu do carvão, pelo forte laço histórico do prédio com a cidade. Também anexar auditório para espetáculos, instalar estúdios de rádio e tevê educativas, videoclube e centralizar como sede das entidades culturais. “Fico feliz que o tombamento tenha ocorrido. Pena ter levado tantos anos para o poder público perceber que o casarão poderia ser demolido ou engolido pela modernidade”, diz Zaccaron. 
Parecer do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) acelerou o processo. Durante muito tempo ele esbarrou nos labirintos burocráticos. Em novembro de 2007, a equipe da FCC recebeu o aval do IPHAN, indispensável para a assinatura do decreto de tombamento. O relatório remetido pela chefe do escritório técnico do órgão, Ana Paula Cittadin, ressalta a localização, valor e referências históricas do imóvel, classificando-o como marco simbólico do desenvolvimento da região. Deivid da Silva Pinto, historiador e coordenador do Patrimônio Histórico da FCC, responsável pela documentação que justifica o tombamento, não tem dúvidas sobre a necessidade de preservação deste patrimônio. Seria grande descaso não tombar lugar que foi importante para o carvão, cenário no regime militar e hoje respira cultura, diz o historiador. 
BREVE HISTÓRICO DO CASARÃO DA RUA PEDRO BENEDET
O terreno foi doado à Prefeitura de Criciúma pela família do Cel. Pedro Benedet (prefeitos Cincinato Naspolini e Elias Angeloni). Em 1942 (prefeito Elias Angeloni), o casarão era sede do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), doado em 1944 à municipalidade (Hercílio Amante), em 1953 passa a sediar o Plano Nacional do Carvão, ligado diretamente à Presidência da República (prefeito Paulo Preis). 

Em 1953, sedia o Plano Nacional do Carvão, depois, é do CNP. A doação em Criciúma, para o Estado, ocorreu sem aprovação da edilidade sendo juridicamente nula. 

Em 1976, foi doado à União. Em 1991, é desativado o escritório do CNP. Ministério de Infraestrutura é solicitado a doar o prédio à cidade. Debalde.

Segundo outras fontes, o terreno foi doado pelo coronel Pedro Benedet ao governo de SC para que fosse construída uma escola. (A menos de 300 metros do Lapagesse, 1933, que funcionava onde hoje é a Casa da Cultura?) Tudo aquilo que envolvia a produção carbonífera foi concentrado no prédio, no local havia laboratório para análises minerais e galpões para acondicionamento do material de pesquisa. Também ali foi instalado o primeiro aparelho de Raios-X de SC para exame dos mineiros e o primeiro serviço de água potável encanada da cidade. Sede do DNPM até 1960, quando foi desativado, a Comissão Executiva do Plano de Carvão Nacional assumiu o local, subordinada ao Ministério de Minas e Energia (1962). 
Na década de 70 até o início da década de 90, a casa passou a sediar o Conselho Nacional de Petróleo (CNP), com função de controle e fiscalização de combustíveis e lubrificantes. Em 1991, a edificação foi tombada como Patrimônio Histórico de Criciúma (Prefeito Altair Guidi).

Desativado o CNP, o casarão foi ocupado parcialmente em 1993 pela FCC. Em 1993, na gestão do Prefeito Eduardo Pinho Moreira, pelos esforços do grupo da FCC, na época presidido por Henrique Packter, a casa foi transformada no Centro Cultural Jorge Zanatta e desde então abriga (ou abrigava) a Fundação Cultural de Criciúma (FCC). As instalações comportavam a galeria de arte contemporânea, oficinas de arte e de música, auditório, galpão de arte, além de cozinha, banheiros, garagens e depósitos. Em 7.5.1993, Henrique Packter, diretor-presidente da FCC, conhece o engenheiro LUIZ FELIPE SEARA, diretor do DNPM para SC e filho do ex-prefeito de Criciúma, Carlos Otaviano Seara (1947).

Naquele momento, SC vivia momento único de sua história, tendo os três maiores partidos políticos chefiados por catarinenses: Luiz Henrique da Silveira (PMDB), Jorge Konder Bornhausen (PFL) e Espiridião Amin Helou Fº (o atual PP).
 
A FCC passa a ocupar metade do prédio ocupado pelo órgão do Ministério de Minas e Energia. Divulgada a notícia de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) iria ocupar a totalidade do prédio histórico, o prefeito EDUARDO PINHO MOREIRA, Henrique Packter  (Diretor-Presidente da FCC), Liliane Motta da Silveira (Diretora Superintendente Executiva da FCC), com o inestimável auxílio em Brasília do senador JORGE KONDER BORNHAUSEN (presidente do PFL), do então Deputado Federal LUIZ HENRIQUE DA SILVEIRA (presidente do PMDB nacional), do deputado Espiridião Amin Helou Fº (presidente do PP) e do Ministro do Tribunal de Contas da União, ADHEMAR PALADINI GHISI (da antiga e boa UDN), logrou-se reaver o prédio histórico para Criciúma, em reunião na PGR, 26.4.1994. Ficou acordado que a Prefeitura alojaria a PGR em outro local; local escolhido por representantes credenciados.

Em 5.6.1994, o PGR Chefe em SC, Durval Tadeu Guimarães, comunicou a vinda a Criciúma de Loraines Dal Pont Lodetti (Coodenadora da Administração) e de Tarcísio Agostinho Búrigo da Silva (Coordenador da Área Jurídica). 

Em 28.7.1994, o imóvel para a PGR foi escolhido sendo o aluguel pago pela Prefeitura com aprovação da Câmara Municipal. Em 1996, o Casarão foi cedido pela União ao Município para abrigar a FCC e passou a denominar-se Centro Cultural Jorge Zanatta.
O empresário JORGE ZANATTA, atendendo a apelos de Henrique Packter e do Arquiteto JORGE DA CUNHA CARNEIRO, em sua residência de verão no então balneário Rincão, concordou em restaurar e recuperar inteiramente o velho casarão. Exigiu apenas que seu interlocutor com a FCC fosse Gilberto J de Oliveira, diretor Administrativo-Financeiro da entidade. Este acordo foi sacramentado em setembro de 1994, quando a FCC começa a batalha pela ocupação do resto do prédio. Isto foi obtido após reunião da direção da FCC com o senador JORGE KONDER BORNHAUSEN em Florianópolis a 24.11.1995.  

Justo ressaltar o trabalho nessa FCC de Sayonara Meller, Brigitte Gorini, Adilamar Rocha, Iara M. G. da Silva, Osmar R. Piovesan, Paulo Vieira Aveline, Márcio Arcângelo Zaccaron, Acélio Casagrande, Gundo Steiner, Olide Tibulo, Irma Tasso, Gilberto Oenning, Guilherme Tonon, Roberval Bett, Francisco Pescador, Amarildo dos Passos, Clovis Marcelino, Tyrone e Eliana Mandelli, Itamar Benedet, Iris G. Borges. Em 11.4.1996, a FCC ocupou todo o prédio. 

Da década de 1970 até o início da década de 1990, com a extinção do Plano Nacional do Carvão passou ao CNP (Conselho Nacional do Petróleo, Prefeito Nelson Alexandrino), desativado em 1991. Tinha função de controle e fiscalização de combustíveis e lubrificantes. 
Cedido ao Município de Criciúma em 1996 para instalação do Centro Cultural Jorge Zanatta, esteve em estado de abandono desde 2015, após incêndio. Está sendo aberto e entregue restaurado ao público a partir de 08.11.2018, pelo prefeito Salvaro. Aleluia!

Próxima semana conclui esta notícia sobre o casarão da FCC na Pedro Benedet 
 

Por Dr. Henrique Packter 03/11/2018 - 06:00Atualizado em 06/11/2018 - 11:56

No livro JESUS, O GALILEU PASSIONÁRIO de Padre Claudino Biff, na apresentação, Mons. Agenor Neves Marques faz o elogio do autor: Sociólogo laureado pela Pontifícia Universidade de Roma, especializou-se na psicoterapia de viciados, dedicando sua vida pastoral a adolescentes e jovens vítimas das drogas. Livro concluído em 14.10.1998, autor veio a falecer em 28.10.1998. Lançamento da obra foi no Natal de 1998.

Em 1996, Laerson Nicoleit em DIÁFANO, 2ª edição, pág. 95 escreveu Missa do Galo. (...) conta-se que houve um galo que vivia muito preocupado em cantar para que o sol se levantasse – se ele não cantasse seria um desastre, o sol não surgiria; até que um certo dia ficou rouco, não pôde cantar e descobriu que ainda não cantando o sol se levantava do mesmo jeito. (...) Ora, o galo canta a luz, o nascimento de um novo dia, de uma nova era, assim a missa que celebra esse início dos dias, sucessivamente mais longos foi chancelada como missa do galo.

Em 2010, Morro da Fumaça comemorou seu centenário de colonização. O hino do município, emancipado em 1962, tem letra de Monsenhor AGENOR NEVES MARQUES e música do Padre ELIAS DELLA GIUSTINA. O atual território fumacense era a divisa dos territórios dos Carijós (Tupy, índio do litoral) e dos Xoklengs (Jê, botocudo, índio do interior e do planalto).

Por Dr. Henrique Packter 27/10/2018 - 06:00Atualizado em 08/11/2018 - 22:12

É corriqueira a observação de que construímos um país sem memória, que esquecemos com facilidade nossos vultos históricos. É também pobre a mitificação como instrumento de elaboração da nacionalidade. Brasileiros, ignoramos ou conferimos papel secundário aos construtores da pátria.
Para escrever sobre PIONEIROS MÉDICOS socorro-me de várias fontes. Jornais, revistas, livros, depoimentos, escritos, reportagens, documentos guardados em acervos pessoais ou instituições. Mas, fontes secam, testemunhas desaparecem, documentos apodrecem.  
A Biblioteca Pública Municipal de Morro da Fumaça ganhou merecidamente o nome de Padre Claudino Biff, o maior autor fumacense. Está incrustrada no EJA, Centro de Educação de Jovens e Adultos, rua José Cechinel, 140, tel.: 3434 4103. No momento, a Professora Margarida Maria Piva, funcionária extremamente simpática, capaz e prestativa, cuida do setor. Claudino nasceu em Morro da Fumaça, aldeia de Deus, em 19.8.1932, filho de Leandro Simon Biff e Idalina Maccari.  Ordenado a 8.12.1958, aos 26 anos, rezou sua primeira missa na nova e atual igreja de Morro da Fumaça, em 14.12.1958. Faleceu em 28.10.1998 aos 66 anos.
 
MAS NÃO ERA PARA FALAR DE LAERSON NICOLEIT?
Era e ainda é. Porém, há figuras de permeio que auxiliam a melhor compreender nosso personagem.  Médico, advogado, escritor, ex-militar, professor universitário, político, comendador e fundador do Hospital de Caridade São Roque de Morro da Fumaça, LAERSON NICOLEIT nasceu a 29.11.1940 em Tubarão e faleceu a 7.6.1997, Morro da Fumaça.
Viveu apenas 57 anos. Nome de rua em Morro da Fumaça, parece que Laerson merecia mais do que isso, benfeitor da cidade que foi. Dez anos após seu óbito, a Câmara de Vereadores da cidade criou a Rua Doutor LAERSON NICOLEIT. Penso que seu nome seria mais adequado para denominar uma escola pública.  Gratidão não prescreve.
Quando Claudino Bff escreveu SALMOS DA 25ª HORA, a primeira edição vendeu 7.660 exemplares numa semana. Raïssa vendeu 10.200 exemplares mesmo espaço de tempo. Na apresentação do livro, Claudino fala do escritor romeno Virgil Gheorghiu, judeu, prisioneiro em campos de extermínio nazistas. Depois de seis meses, passados na prisão, perdera toda noção de tempo. Seu livro intitulou-se A 25ª HORA. À notícia de que mais um judeu fora cremado, dizia-se: Chegou para ele a 25ª hora ...
Para Claudino, a designação da coletânea configurava apenasmente um furto cristão do título do autor romeno. Na capa um Cristo bizantino, ícone russo de 1450, trabalho em madeira, gesso e têmpera.
Biff escreveu 250 salmos deles restando 111, simples salmos paupertários, desafiando não só a autoridade da Igreja como particularmente sua capacidade de renovação evangélica. Os salmos são dedicados por Claudionor Biff a dois profetas: Leonardo Boff e Herbert de Souza, que era Betinho, seu irmão.

AS ARDIDAS ORELHAS DE CLAUDINO
Hanna M. da Silva escreve nas orelhas ardidas do livro, que Claudino Biff vagou sempre nos sonhos de ser aviador, camponês, monge, menestrel. Nos seus tempos de claustro, na cela 303, tentou achar Deus em Tomaz de Aquino, Tereza D’Ávila, Raïssa, Jacques Maritain, Francisco, Clara, e na Catedral de Chartres. Viveu sempre o temor de não ser cristão e o amor de ser cristão. Na contradição de ser e de não ser cristão, passa pelo Vale dos Caídos, dos drogados, onde, desde 1968 tenta caminhar com seus meninos e meninas. Foi olhando nos olhos de RaÏssa Panfigli, noviça rebelde que dançava o Lago dos Cisnes na praça Navona de Roma, sob êxtase da heroína e da cocaína, que viu Deus. Deus bailava na embriagues dessa criança. Esses Salmos são por causa Deus, de Raïssa e de você.

OS MÉDICOS DA FUMAÇA
Pode parecer que não, mas Padre Claudino Biff e Laerson Nicoleit, grandes personagens de Morro da Fumaça, foram médicos, cada um à sua maneira. Um mais médico da alma, o outro mais médico do corpo.

AINDA AS ORELHAS DE CLAUDINO
Na orelha de VOOS, informa que estudando em Brusque teria sido iniciado por seu Mestre Maior, Dom Afonso Niehues, em Castro Alves, Dante, Camões, Antonio Vieira, Rui Barboza.  Na década de 50 buscava Deus em Duns Scotus, Tomás de Aquino e Jacques Maritain, lá em São Leopoldo e Viamão. Irá â Parusia sem ter sido aviador, por isso se dizia inacabado e lê de tudo sobre aeroplanos em Antoine de Saint-Exupéry e Richard Bach. Depois, em suas buscas de Deus na conversão, seguia pelas mãos de Péguy, Léon Bloy, François Mouriac, os grandes convertidos do século 20.  Laureia-se em Filosofia e Teologia à luz de Aristóteles, Platão, Sto. Agostinho, Sto. Tomás de Aquino. Em Leonardo Boff e Gustavo Gutierrez, Claudino encontra-se e encontra a dimensão de Jesus libertador.
Em Roma, 1976, na Universidade Sto. Tomás de Aquino, é bacharel em Sociologia apresentando a tese Sociedade, família e droga. Com sua amiga-irmã Maria Natália Alessi conheceu o mundo doloroso das drogas, centenas desses seus filhos já tombados no Vale dos Caídos. Mas, soube fazer desse mundo, o sentido de sua vida. Com a leitura de Terra dos Homens de Saint Exupéry, Claudino revela fascínio pelos desertos e pelo Deserto. Busca em Assis, Portiúncula, Bose e nos desertos da Judeia, a sua província de Tebaida. Por volta do século V d.C., a desértica Tebaida, onde nasceu Pacômio, tornou-se lugar de refúgio de cristãos eremitas.
Mas, o sonho do pequeno Claudino gira-mundo deu novamente em Tubarão.

JESUS, O GALILEU PASSONÁRIO
Jesus, o Galileu Passionário, surgiu postumamente. Claudino pretendia lançá-lo no Natal de 1998, mas faleceu a 28 de outubro. Escrito para jovens, a eles o autor dedicou o melhor de sua vida. Por que aquele que libertará o homem de toda servidão deverá ser humilhado pela morte?
Claudino escrevera 202 capítulos do livro quando foi atingido por nova crise cardíaca. Deixando o hospital escreve celeremente os últimos 39 capítulos. Entrega o trabalho à revisão dizendo: Aí está o Prometido das Nações. Não sei se as gentes vão recebê-lo. Catorze dias antes de morrer anotou a hora em que ultima a obra que o fez viver pouco mais: Jesus, 14.10.1998, 17h32.
Em vagas e lentas noturnas horas escrevera Morro da Fumaça e sua Divina e Humana Comédia, história de sua aldeia e Voos ... Volta de Roma por infarto, a penosa sobrevivência com duas cirurgias no coração.  Afinal, faz as pazes com Deus, consigo e com o coração. Para sobreviver, escreve. 
Escreve desde 1968 coisas sobre Deus, o homem, paz, amor, sobre a droga. Torna-se terapeuta de mais de 2 mil jovens toxicodependentes. Em 350 palestras teve 15 mil jovens ouvintes, sendo o tema sempre a droga.  Segundo Antonio C. Biff de Pellegrin, Claudino legará à sociedade em que vive e onde vive, o romance Raïssa, que estenderá a mão a tantas Raïssas caídas e sós no Vale dos Caídos. Sobrinho de Biff diz que o tio escreverá mais 3 livros: Diário de Isadora (ensaio ecológico), Diário Secreto do Padre Mateus e Vida de Jesus Cristo segundo seu Jumento Macabeus. O sobrinho confidencia ser sonho do velho poeta livrar-se da terceira cirurgia do coração e pescar um Merlin de dois metros.
Poemas finitos e paupertários de poeta das praças vazias, como ele as chama. Publica ensaios em 1993: Crônicas da diocese de Tubarão, Credo anônimo, Salmos da 25ª Hora, Cântico de Irmão Lobo de São Francisco. Estaria gestando: Diário de Raïssa, menina drogada, Auto do Jumento de Nossa Senhora do Desterro. Seu último sonho: Diário Secreto do Padre Matheus. Claudino dizia:” Fundarei amigos e amigas, pescarei ‘aquele’ peixe, fugirei da terceira cirurgia do coração e viverei de graças”,

CÉU, INFERNO E OUTROS RECANTOS
Uma vez que estamos a falar sobre um ministro da Igreja Católica, vem-me à memória episódio criciumense dos anos 60 envolvendo uma das mais notáveis figuras já produzidas pelo clero catarinense. Esse homem, Monsenhor Agenor Neves Marques, era um dos críticos mais ásperos de político carvoeiro em grande ascensão, a quem Monsenhor acusava de não crer em Deus: “Ele acaba com o céu”, diz, “e, pior: com o inferno”. O problema, não era a existência do céu; era preciso haver um inferno, para manter a turba na linha. Quando o pervertido conde Rochester agonizava, o pastor o convence a dizer-se arrependido. O conde não crê em Deus, mas é persuadido, pelo argumento de que, se um grande do reino morrer sem os sacramentos, o populacho não será mais contido pelo medo do inferno.

O TOMISMO
Principal obra de Tomás de Aquino é a Suma Teológica (1265-1273), em 3 partes e 512 questões. Cada questão tem perguntas individuais. Estas representam os 2669 capítulos onde estão contidas 1,5 milhões de palavras, 1,5 vezes mais que todas as palavras de Aristóteles (1 milhão), o dobro de todas as palavras conhecidas de Platão. (Em 1265 nascia Dante Alighieri).
Na Suma Teológica, Tomás declara para quem quiser saber, que, se aos príncipes e reis era lícito executar falsários porque não poderia a Santa Madre executar os hereges na fogueira da Inquisição?
Rubens Alves, falecido e laureado escritor, pastor evangélico, psicanalista -, escreveu: Santo Tomás de Aquino, na Súmula Teológica disse que” Deus e os salvos dos Céus contemplarão o sofrimento dos condenados no inferno, o horror do seu sofrimento, para que sua alegria seja completa”.
Teologicamente, está certo. As pessoas estão no inferno porque Deus quer. Se elas estivessem no inferno sem Deus querer, quer dizer que ele não é onipotente, porque está acontecendo uma coisa no universo que não é a vontade dele. Sendo assim, ele tem que estar feliz com o sofrimento dos condenados, porque foi ele quem decretou e criou este sofrimento.
Tem que haver inferno, porque o dia em que não tiver inferno, acaba a civilização judaico-cristã, construída para resolver o problema do inferno, para que os homens não acabem no inferno.
Santo Tomás advoga o batismo compulsório. Disse: “Os filhos dos escravos são servos e estão sob o poder do senhor. Ora, os judeus são escravos dos reis e dos príncipes, bem como quaisquer outros infiéis. Logo, sem nenhuma injustiça podem os príncipes fazer batizar os filhos dos judeus ou de outros escravos infiéis. Qualquer homem pertence mais a Deus, de quem recebeu a alma, do que do pai carnal, de quem recebeu o corpo. Logo, não é injusto tirar as crianças, filhos de infiéis, aos pais carnais, para consagrá-las a Deus pelo batismo”.
Tomás prega submissão à ordem política vigente: “Ninguém deve ser subtraído à condenação à morte, contra as exigências da lei civil; assim, o condenado à morte pelo juiz competente, nin¬guém o deve livrar dela com violência”. O tomismo é uma catedral de ideias, em que a teologia do século 13 encontrou sua formulação mais sólida.
Convocado pelo papa Gregório X (1274), Tomás viaja para participar do Concílio de Lyon. Adoece durante a viagem, vindo a falecer no mosteiro de Fossanova, 49 anos de idade. Doutor Angélico e Príncipe da Escolástica, foi canonizado (1323) e proclamado doutor da Igreja Católica (1567).
Continua próxima semana LAERSON NICOLEIT

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