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Brilho no olho

Esqueça o frio na barriga.
Por Pity Búrigo 27/08/2021 - 20:52 Atualizado em 27/08/2021 - 21:26
Heriberto Hülse, 2017: aos sete anos, os olhinhos do Vini já brilhavam

O primeiro beijo. Um emprego novo. Uma apresentação em público. Aquela viagem tão esperada. Fala-se muito na expressão “frio na barriga”, mas hoje eu quero canalizar nosso olhar para outra, inclusive bem parecida: o brilho nos olhos. Dizem que a boca fala do que o coração está cheio. O que dizer dos olhos, que mesmo sem falar revelam tanto?!

O Artur veio ao meu encontro sorrindo. Era uma manhã de segunda-feira e, a convite do Colégio Marista, eu participava de uma roda de conversa sobre a minha profissão para os alunos do terceirão. Ele me chamou, falou seu nome e disse ser meu ouvinte – o que já me deixou feliz, visto que os jovens de hoje em dia estão mais na internet do que no rádio. Durante o bate-papo, um rapaz perguntou como eu fazia para selecionar meus entrevistados e eu respondi que qualquer um poderia ir ao programa porque todos nós temos uma história para contar. Além de se apresentar, o Artur veio me dizer que adoraria ser entrevistado, pois sua história era muito legal. Muito mesmo, muito de verdade, ele reforçou. O Artur tinha mais do que uma história. Ele tinha brilho nos olhos.

Um time de catorze amigas, que se conheciam há mais de 50 anos. Praticamente uma vida inteira de amizade. Quatro delas foram à rádio participar de uma entrevista comigo e contar como se deu esse reencontro. A mais tagarela. A mais namoradeira. A mais quietinha. Ficaram uma hora relembrando os momentos inesquecíveis que viveram juntas e que, graças à internet, puderam se reaproximar. Depois de uma festa do pijama em um fim de semana na serra e dos maridos também em sintonia, agora elas se preparam para serem fotografadas em um book que celebrará seus 60 anos. Era notória sua felicidade ao compartilharem aquela união com a audiência. Elas tinham mais do que uma história. Elas tinham brilho nos olhos.

Eu conheci o Vinicius em 2017, no Heriberto Hülse, quando fazia a reportagem no campo com os torcedores do Criciúma. Ele adorava futebol e ia sempre aos jogos com seu pai. Dia desses, sua mãe me chamou para informar que, hoje com 11 anos, ele foi selecionado para jogar no time de base do Internacional, em Porto Alegre. Entrevistei o Vini por telefone e ele me contou desse sonho que estava vivendo, a 280 quilômetros de casa. Falou de Deus de uma maneira tão respeitosa e com uma fé tão bonita que cativou quem estava sintonizado na Som Maior. O Vini tinha mais do que uma história. Ele tinha brilho nos olhos.

Antes de se tornar procurador do Ministério Público, o Bruno foi baixista por seis anos da Fresno, uma banda de rock gaúcha que marcou uma geração por suas letras que falavam de amor. E foi o amor que pautou seu encontro comigo, ontem à tarde. Lezo, como ficou conhecido pelos fãs de seu trabalho musical, falou com carinho dos tempos de shows, da ida para o Direito e do podcast que criou com os amigos para registrar a paixão por futebol americano. Mas da Mari ele falou com amor. A Mari é a “Lindinha”, sua esposa, mãe da Laura, que esteve presente nos momentos em que o Bruno precisou fazer escolhas que mudariam o rumo de sua vida. Toda vez que ele citava a “Lindinha”, seu semblante mudava. O Bruno tinha mais do que uma história. Ele tinha brilho nos olhos.

Esses quatro exemplos que eu trouxe aconteceram essa semana e acontecem todos os dias na vida de pessoas que amam e honram suas histórias. Talvez eles nem saibam, mas foi o brilho nos olhos do Artur, das amigas cinquentenárias, do Vini e do Bruno que me inspiraram a escrever o texto de hoje.

E por aí, o que tem feito o seu olho brilhar?

Um beijo e até semana que vem!
 

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